Týr – “Hel” (2019)
Metal Blade Records | Urubuz Records
#HeavyMetal, #VikingMetal
Para fãs de: Turisas, Heidevolk, Ensiferum
Nota: 9,5
Hel não é apenas uma das nominações usadas para a deusa dos mortos da mitologia nórdica e que serviu de raiz para a nossa amada palavra “hell”, é também o nome do novo álbum da instituição denominada Týr que chegam ao oitavo álbum de estúdio já consolidados na cena e com uma base fiel de fãs. Com esses predicados, um disco morno, sem inspiração e que fosse bem “arroz e feijão” já seria algo aceitável, afinal “o jogo já está ganho” mas não foi o que os habitantes das Ilhas Faroe nos entregaram.
“Hel” veio 6 anos após “Valkyria”, e suceder um álbum tão aclamado junto aos fãs é tarefa complicada para qualquer banda mas não pareceu ser um problema para o quarteto pois em cada simples segundo presente nos mais de 70 minutos de duração do álbum encontramos felicidade, não no sentido deste ser um álbum alegrinho e dançante e sim de estarem plenamente satisfeitos com o que fizeram, de ter ciência de que fizeram o melhor possível na ocasião.
E de fato o fizeram. “Gates Of Hel” inicia o álbum de maneira fantástica e mostra um excelente solo de baixo de Gunnar. É o tipo de música que funciona como um tema de guerra, um hino mesmo. E esta característica permeia todo o trabalho já que maioria das faixas sairiam muito bem se fossem tocadas ao vivo e a banda não perderia muito se executasse o álbum por completo em uma tour. “All Heroes Fall” e seu refrão mais contaminante do que césio 137 só corrobora isso.
O Týr se apresenta mesmo como uma banda de metal “puro e simples”, mesmo que imputem neles inúmeros rótulos e derivados musicais que existem atualmente. “Garmr” poderia ser de um grupo de sonoridade mais tradicional dentro do estilo. Mas mesmo não sendo a música é daquelas que fará muitos punhos serem erguidos aos céus, outro hino, outra “anthemic song”. “Downhill Drunk” partilha dessa aura também mas com um pouco menos de intensidade.
Uma boa balada não poderia faltar e a representante da vez é “Sunset Shore” que chegou até a ganhar um vídeo clipe. Superaram “The Lay Of Our Love”? Não, mas é daquelas pra chorar pela amada e beber em seu drinking horn até ver Odin com 2 olhos.
“Empire Of The North” soa um pouco mais “moderna’ principalmente pelos riffs e trabalho das guitarras de Heri (que também faz os vocais principais da banda, um papel que executa com louvor) e Attila. Uma outra grata surpresa na música é o seu interlúdio melódico que fez um contraponto de bom gosto com a rifferama da abertura da música.
Será que veremos “Hel” atingir o status de obra máxima na discografia do Týr? Esse é um fator que só o tempo e seus fãs dirão, mas a verdade é que se trata de um álbum extremamente maravilhoso de ser escutado. Nuances acústicas, vocalizações soberbas, produção além da satisfatória e o cerne de todo bom disco de metal, música boa pra se bater cabeça (“Fire And Flame” e seus solos de guitarra marcam lugar certeiro neste quesito) se encontram aqui. Se precisar de algo mais é por conta do querido leitor(a), pois estou plenamente satisfeito.
O ano de 2019 está indo para o seu terceiro mês e já temos mais um disco certo para estar entre os melhores lançamentos.
Márllon Matos
