O primeiro compacto, “Blind Men and Fools”, lançado em 1982, se tornou um clássico instantâneo da NWOBHM, mas os três anos que “Rough Justice” demorou até chegar às lojas custaram ao Tytan não apenas um a um os seus integrantes — começando por Binks, que sairia para a entrada de Simon Wright, que logo pularia fora para se juntar ao AC/DC —, mas também o momento certo de brilhar. Os poucos que compraram o LP na época, no entanto, descobriram um trabalho repleto de melodias fortes, teclados num curioso primeiro plano e um cantor de notável alcance vocal que se reapareceria dali a uns anos, deste lado do Atlântico, à frente do Lion — e, posteriormente, do Bad Moon Rising —, com um tal de Doug Aldrich na guitarra.
No repertório, à acessibilidade de “Cold Bitch”, “The Watcher” e “Ballad of Edward Case” — nenhuma ideia de quem possa ser este cidadão —, juntam-se o dylanesco manifesto anti-guerra de “Blind Men and Fools”, em cuja letra Riddles denuncia a irracionalidade dos líderes do Ocidente em sua suposta busca pela paz, e “Women on the Frontline”, que com participação de Jody Turner do Rock Goddess, aborda a questão feminista de maneira até então inédita no metal. A mensagem é muito clara: não ceder às pressões que a sociedade coloca nem diante da expectativa de um ajuste ao estereótipo em que apenas os homens das cavernas acreditavam.
Marcelo Vieira
