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U.D.O. – “Live In Bulgaria 2020 – Pandemic Survival Show” (2021)

U.D.O.“Live In Bulgaria 2020 – Pandemic Survival Show” (2021)
AFM Records
#HeavyMetal

Para fãs de: Accept, Judas Priest, Primal Fear, Grave Digger

Nota: 9,5

Udo Dirkschneider, uma lenda do Heavy Metal tradicional, dispensa apresentações. Desde o início de sua carreira com o Accept, o sucesso esteve ao seu redor. Músicas que são as mais puras essências do Heavy Metal como “Balls To The Wall”, “Metal Heart”, “Princess Of The Dawn” têm o vocalista em suas versões originais, com já quase 40 anos de seus lançamentos, sem contar a fantástica “Fast As A Shark”, uma das melhores músicas de todos os tempos que já tinha um pedal duplo muito rápido, que na época (1982), não era tão comum.

O responsável pelo pedal duplo mencionado anteriormente, Stefan Kauffmann, foi o responsável pela produção do ao vivo “Live In Bulgaria 2020 – Pandemic Survival Show” e esteve presente em formações da banda U.D.O. até pouco tempo atrás, mas em outro instrumento: a guitarra. Após mais uma saída do grupo, ficou responsável da ótima produção do álbum.

Em plena pandemia, gravaram um álbum duplo ao vivo na Bulgária, em setembro de 2020. Isso mesmo: ao vivo. O público em volume bem reduzido ficou distante do palco em uma bela arquibancada e até que conseguiu aparecer ao fundo da gravação. O show “diferenciado” se iniciou com “Tongue Reaper” do “Steelfactory” de 2018, que teve a primeira participação de Sven Dirkschneider, filho de Udo, nas baterias, já demonstrando boa habilidade com os pedais duplos e as guitarras mantendo fielmente a essência do bom e velho Heavy Metal, sem contar do estilo dos backing vocals que cercam os vocais de Udo desde a época do Accept.

Para a nostalgia dos presentes, surge o primeiro “cover” do Accept com “Midnight Mover”, da obra de arte chamada “Metal Heart”, de 1985, claramente com as guitarras com um tom abaixo da gravação original. Afinal, quase 70 anos de idade nas costas, 35 da gravação original, a voz naturalmente perde um pouco de sua potência, mas os vocais “resmunguentos” continuam de forma incrível de se ouvir.

“Metal Machine” é uma das faixas que merecem destaque. Presente no álbum “Steelhammer” de 2013, a música tem um refrão muito bom e pesado. Encerrando o primeiro CD (por ser CD duplo), que maneira melhor do que com “Princess Of The Dawn”? Com uma boa participação da plateia acompanhando as primeiras notas, a música conseguiu se estender e chegar a 11 minutos de duração. Uma obra prima dessa, se fizessem em uma hora de música, ia continuar fantástica com o riff simples e mais puramente “metal” possível.

Trocando o CD, “Timebomb” já começa quebrando tudo. Riffs rápidos, assim como a bateria e, por estar com o tom mais baixo, ficou com um toque bem moderno e pesado. Após essa pedreira, tem dois solos: de bateria e de baixo. Ambos com bastante interação de Sven e de Tilen Hudrap em seus respectivos solos. Uma breve observação: a voz de Sven tem aquela essência levemente “rasgada” da voz de seu pai.

O destaque do “CD 2” é “Man And Machine”, do álbum de mesmo nome de 2002. Com certeza é uma das melhores músicas de toda carreira do Udo, com essa afinação “nova” então… uma obra de arte. Por falar em obra de arte, as três últimas faixas são: “Metal Heart” (1985), “Fast As A Shark” (Restless And Wild, 1982) e “Balls To The Wall” (1983). De verdade, não há muito o que se falar delas, uma vez que são absolutamente perfeitas, mas “Fast As A Shark” é muito absurda. Se fosse lançada em 2020, ano da gravação do ao vivo, chamaria atenção pela velocidade dos riffs, da bateria e do refrão perfeito. Porém, foi lançada em 1982, em um cenário que o pedal duplo não era muito frequente. Tinha o Motörhead com “Overkill” em 1979 e até mesmo Venom com “Black Metal”, lançado no mesmo ano (1982), antes ainda de bandas de Thrash Metal explodirem. Quando converso com meu pai e meu tio, que presenciaram o lançamento, sempre comentam que era uma coisa muito diferente, que não era comum, mas muito bom e que “Restless And Wild” é incrível.

“Balls To The Wall” também consegue se estender, principalmente com aquela parte que o Udo tem uma fala, os backing vocals repetem “Balls To The Wal… Balls To The Wall…” e o baixo marca presença. É simplesmente perfeita para a reprodução ao vivo e contar com a participação do público. Quem já testemunhou um show do U.D.O. ou do Accept (meu caso), sabe bem o que é curtir esta música ao vivo.

Caio Siqueira Iocohama


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