Unholy Outlaw – “Kingdom Of The Lost Souls” (2019)
Black Hearts Records
#EpicDoomMetal, #HeavyDoomMetal #DoomMetal
Para fãs de: Candlemass, Solitude Aeturnus, Trouble, Pentagram, Memento Mori, Black Sabbath
Nota: 9,5
Existem bandas e discos que não apenas nos inflam o orgulho, mas que nos fascinam pela profundade e sinceridade de seu trabalho, indo além, também pela qualidade, seja ela estética ou de conteúdo. E assim foi com o Unholy Outlaw, logo que dispus-me a ouvir o seu segundo álbum de estúdio e, candidato a obra prima, “Kingdom Of The Lost Souls”.
Pense numa produção que soube extrair o melhor de cada instrumento, valorizar cada melodia e ainda dar mais peso e presença a cada um deles. O disco aqui estudado, possui essa produção. Suja, abafada, mas dentro dos padrões de um artefato Doom e sejamos francos, trabalhos do gênero quando muito limpos e minuciosos, perdem e muito de sua personalidade e força. Agora some a essa engenharia, uma capa que é uma legítima alegoria, Marcio Blasphemator trouxe traços que remetem a mestres como Gustave Doré e John Martin – numa pintura taciturna, apocalíptica e enigmática que adequou-se perfeitamente ao teor e espírito das composições.
Indo a trama, em um disco sem curvas de qualidade, ouvimos uma overdose de riffs poderosos, sólidos e extremamente pesados que, são desencadeados ao longo de sete faixas estupendas. “Open The Gates” é a abertura ideal para um acervo Doom desse porte — velocidade média, guitarras destilando escolas tanto dos arcanos oitentistas quanto dos anos noventa e entendam que, “Heavy Metal lento” tem que ser feito dessa forma, de qualquer outra seria apenas cópia e especulação.
“Forgotten” é uma sinfonia à desgraça, tendo como inspiração “Age of Immortality” – faixa inaugural da mítica demo “Xenomorphic Art In Black” do também mítico Guehenom – um dos pioneiros da cena Doom Metal brasileira e na minha opinião o maior destaque do disco, Markus Sword entrega uma verdadeira aula sobre como ser o porta-voz do gênero – melodioso e técnico, emotivo como poucos.
Gustavo Guedes e Fábio Shammash mostram toda a sua destreza e “feeling” nas estupendas “Ancient Hill Of War”; uma fartura de riffs magistrais e, na concisa, mas perfeita “Mephisto” – ambas portadoras de uma cozinha coesa e criativa. “Mortal Desire” é outra faixa a ser destacada, nela o que mais chama atenção são as linhas de baixo musculares e a comunhão que há entre elas e a bateria bem trabalhada e sublinhada.
Por fim a não menos poderosa “13 Disciples” que, ao lado de “Forgotten” são os hinos do disco (aos meus ouvidos, claro). Peso a sobrepor peso, solos e vocais inspirados. Toda aquela aura mística e expansiva tão comum ao Candlemass e Solitude Aeturnus em seus primeiros álbuns é sentida nessa faixa.
“Kingdom Of The Lost Souls” é um trabalho que traz muito daquele esplendor das bandas de Doom Metal dos anos 80 e 90: rígido e melódico, com altos níveis de inspiração e conciso. Há quilômetros das fírulas e pretensões “wannabe” da atualidade. O Undergound adiciona mais um capítulo valoroso às suas páginas, mas essa, com a assinatura Doom ao seu fim.
Fábio Miloch
