Vader – Burning House, São Paulo/SP (15/05/2026)

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Vader – Burning House, São Paulo/SP (15/05/2026)

Produção: Caveira Velha Produções
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Pouco mais de um ano após sua última passagem por aqui, e pela décima vez em nosso país, o Vader retornou ao Brasil com três datas, sendo a última em São Paulo, na sexta-feira (15). Instituição máxima do Death Metal polonês, a banda trouxe para o Brasil a turnê “Reign Forever in Kingdom of Blood”, contemplando os discos de sua fase do final dos anos 90 e início dos anos 2000, período mais prolífico da banda. O evento ainda contou com a abertura das bandas LAC, do Rio de Janeiro, e Antrvm, de São Paulo.

Às 20h, a primeira atração da noite, Antrvm, iniciou sua apresentação. Reforçando seu atual momento como uma das bandas mais interessantes da atualidade, o grupo realizou um set de 30 minutos, esbanjando técnica e peso, abrindo com a poderosa “The Way of The Saw”, uma das melhores de seu repertório. Mesmo um pouco apertados no palco, por conta da bateria ter sido montada no lado esquerdo — já que o kit da atração principal também estava todo posicionado atrás deles — deram tudo de si, agitando sempre que possível e, certamente, conquistando novos fãs. Mesmo com o tempo reduzido, espremeram o máximo de músicas possíveis, tocando faixas como “Deliverance”, a destruidora “Sombria” e “Not Dead Enough”, já servindo como um ótimo aquecimento para a noite.

Às 21h, ao som de uma sirene, o LAC subiu ao palco para destilar seu Brutal Death Metal. Era um desejo antigo ver uma apresentação da banda carioca, que acompanho desde 2008, quando estiveram de rolê por São Paulo e os conheci na Galeria do Rock, onde o vocalista Jonathan — único membro original presente hoje — me entregou uma demo de “Chainsaw Deflesher” (2007), que segue poderosa até os dias atuais.

Seu set de 30 minutos passeou por todos os discos de estúdio da banda, iniciando com a avassaladora “Third World Slavery” (The Core of Disruption, 2012), passando por “Bangu 3”, “Narcohell” e “Hell de Janeiro”, todas do Narcohell (2016). Nesta última, inclusive, Jonathan colocou o microfone na minha mão para berrar o refrão. Também executaram “Dead and Forgotten”, do mais recente Limbo (2023), mostrando que a atual formação funciona perfeitamente, com todos os músicos se movimentando intensamente no palco, incitando rodas e entregando uma cozinha extremamente afiada e coesa de riffs brutais.

Finalizando com a excelente “Mundane Curse”, do debut Homicidal Rapture (2011), executada de forma primorosa e destruidora, proporcionaram uma verdadeira viagem no tempo — já que a faixa também fazia parte da primeira demo da banda. O resultado foi a realização de um antigo desejo, somado à satisfação de ver um grupo tão consistente finalmente recebendo o devido reconhecimento do público, que ovacionava a cada música. Excelente decisão da produção em incluí-los no cast da noite.

Por fim, às 22h, o Vader subiu ao palco com o jogo ganho. Sem alarde, iniciaram o atropelo sonoro com “Sothis” (De Profundis, 1995), clássico absoluto que incendiou a Burning House logo nos primeiros acordes. A formação atual demonstrou clara felicidade durante toda a apresentação, com caretas, headbanging incessante e constante interação com o público.

Seguindo com mais uma pedrada antiga, “Fractal Light” (Black to the Blind, 1997), partiram para uma dobradinha do seminal Litany (2000), com o clássico incontestável “Wings” e, na sequência, “The One Made of Dreams”, uma das maiores surpresas do setlist.

Outro momento marcante foi “Reign Forever World”, do EP homônimo de 2000. Sem ser executada no Brasil desde 2002, foi uma verdadeira viagem no tempo — e talvez um dos riffs iniciais mais marcantes de toda a discografia da banda. Para quem acompanha o Vader há mais de 20 anos, como eu, foi simplesmente surreal.

Após um breve respiro, Peter — eterno líder e vocalista —, homem de poucas palavras, mas visivelmente satisfeito com a casa cheia, dedicou “What Colour is Your Blood” (The Art of War, 2005) a um dos managers da turnê. Curiosamente, essa faixa foi executada apenas em São Paulo, intensificando ainda mais o mosh constante ao longo da apresentação. Mais uma surpresa veio com “The Book”, do Impressions in Blood (2006), meu álbum favorito da banda, proporcionando um momento inesperado e especial para muitos presentes.

Na sequência, “Unbending”, do EP mais recente Humanihility (2025), reforçou a relevância do Vader no cenário extremo, sendo inclusive escolhida como hino oficial do Mystic Festival, o maior festival de metal da Polônia. Vieram então mais clássicos: “Cold Demons” (Litany, 2000), além de duas faixas do EP The Art of War (2005), com a infernal “This is The War” e “Lead Us”. Retornando aos anos 90, executaram “Dark Age” (The Ultimate Incantation, 1993) e “Carnal” (Black to the Blind, 1997).

Encerrando a primeira parte, “Triumph of Death” (Tibi Et Igni, 2014) e “Hallelujah (God is Dead)” foram, sem dúvida, as mais cantadas da noite, com refrões viciantes e intensos.

Após uma breve saída, retornaram para o bis sob gritos do público. Mesmo após já terem drenado toda a energia da casa, ainda entregaram dois clássicos do Slayer: a introdução de Hell Awaits e, em seguida, a execução de “Raining Blood”. O caos foi instaurado, com uma roda gigantesca dominando quase todo o espaço, encerrando o show de 75 minutos de forma absolutamente destruidora.

O Vader está no topo de sua forma. Quem já viu sabe que a banda entrega tudo ao vivo — e desta vez foi ainda mais especial para os fãs de longa data, já que muitas das músicas executadas lavaram a alma. A única ausência sentida foi “Kingdom”, do EP homônimo de 1998, que, ao contrário do que algumas “mídias” divulgaram, não foi tocada.

As bandas de abertura também cumpriram seus papéis com excelência, transformando a noite em uma verdadeira aula de como fazer metal extremo com qualidade. Um dos melhores eventos do ano!

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