Vai-Te Foder
– “Poço” (2017)
Hellprod Murder Records
#Crust, #Punk, #Hardcore, #Dbeat
Nota: 9,0
O nome sugestivo é só o cartão de visitas de uma banda que não tem rabo preso e nem subserviência com quem quer que seja. O Vai Te Foder (não você, a banda) é adepto da simplicidade em prol do protesto, da crítica ácida e incisiva. A sensibilidade punk com a objetividade do Crust se unem em porções maciças em “Poço”, mais novo álbum do quinteto lusitano, e as avarias ao redor serão imensas, pode apostar.
Cantando em bom português (pelo menos na maior parte do tempo), o Vai te Foder versa sobre a sociedade, a vida e suas agruras e descrenças, e utiliza pra isso a melhor ferramenta de todas: música dura, rude e ofensiva, repleta de andamentos “D-Beat” e vociferações roucas curtidas em bom álcool e tabaco. Um pouco de Motörhead aqui, muito de Ratos de Porão alí e mais uma pitadinha da sujeira escandinava e temos em “Poço” a certeza de ‘mosh pit’ de qualidade ao alcance de todos, na intimidade de seu lar.
São vinte e duas tijoladas na vidraça, sem descanso ou morosidade. Rapidez e peso caminham lado a lado nas frenéticas “Poço” e “Motorcrust Junkies” (seria esta um breve currículo dos caras?). Temos ainda a faceta mais Rock ‘n’ Roll aflorada em “Inútil” (não confundir com a do Ultraje a Rigor), com a breve mas brilhante, quase poética, letra: “Quando eu não quero, eu não faço. Quando me mandam, não obedeço! Eu…sou…sou um inútil” Uma música que me cativou pela simplicidade, tanto musical quanto lírica, mas com uma intensidade fora do comum.
Pra encerrar, ainda temos uma versão sensacional para “The Hammer” do Motörhead, que demonstra ser uma grande e importante referência para o Vai te Foder. Confira sem medo de errar! Grande disco!
Ricardo L. Costa





