Various Artists – “Can’t Get Enough: A Tribute to Bad Company” (2025)
Primary Wave Music | Hellion Records Brazil
#HardRock #ClassicRock
Para fãs de: Bad Company, Free, Foreigner, The Black Crowes
Texto por Johnny Z.
Nota: 8,0
Celebrar uma banda do porte do Bad Company nunca é uma tarefa simples. Donos de uma discografia sólida e de uma identidade sonora inconfundível, os britânicos influenciaram gerações — e qualquer tentativa de revisitar esse legado inevitavelmente caminha sobre uma linha tênue entre a homenagem respeitosa e a ousadia criativa. É justamente nesse terreno que “Can’t Get Enough: A Tribute to Bad Company” se posiciona.
O álbum reúne nomes de diferentes vertentes do rock, propondo releituras que, em sua maioria, optam por preservar a essência das composições originais, mas sem abrir mão de identidade própria. O resultado é um trabalho coeso, ainda que por vezes irregular — característica quase inevitável em discos colaborativos dessa natureza.
Logo na abertura, “Ready For Love”, nas mãos de HARDY, apresenta uma abordagem que foge do convencional. A releitura pode causar estranhamento inicial, especialmente para os mais puristas, mas revela nuances interessantes conforme as audições se acumulam. É um exemplo claro de como o disco não tem receio de correr riscos.
Entre os destaques mais consistentes, “Shooting Star”, interpretada pelo Halestorm com participação do próprio Paul Rodgers, surge como um dos pontos altos. A faixa ganha nova carga emocional sem perder sua força narrativa, equilibrando peso e sensibilidade com precisão.
Outro momento de destaque vem com “Feel Like Makin’ Love”, conduzida por Slash ao lado de Myles Kennedy. Aqui, a fidelidade ao espírito original se alia a uma produção moderna e refinada, com destaque para os vocais seguros e a guitarra carregada de feeling — uma das versões mais eficazes do álbum.
A honestidade sonora também aparece em “Run With The Pack”, do Blackberry Smoke, que aposta em uma abordagem orgânica e fiel às raízes southern rock, enquanto The Struts, em “Rock ‘n’ Roll Fantasy”, opta por um caminho oposto, entregando uma versão teatral, moderna e cheia de personalidade.
Já “Bad Company”, reinterpretada por Charley Crockett, é talvez a faixa mais ousada do disco. Ao adotar uma leitura mais minimalista e com forte influência country, a música se distancia consideravelmente do original, dividindo opiniões — mas, ao mesmo tempo, reforçando a proposta artística do projeto.
Na parte mais pesada do álbum, “Burnin’ Sky”, com o Black Stone Cherry, entrega densidade e agressividade, enquanto Dirty Honey mantém o equilíbrio entre tradição e identidade em “Rock Steady”.
Um dos momentos mais simbólicos surge em “Seagull”, com Joe Elliott e Phil Collen, membros do Def Leppard. A faixa carrega um peso emocional significativo, funcionando como um elo entre gerações do rock.
Encerrando o trabalho, “All Right Now”, com o The Pretty Reckless, aposta em uma abordagem mais clássica, remetendo diretamente à energia dos anos 70 e garantindo um fechamento consistente e respeitoso.
No panorama geral, “Can’t Get Enough: A Tribute to Bad Company” acerta ao evitar o caminho mais fácil. Em vez de reproduzir fielmente os clássicos, o álbum permite que cada artista explore sua própria linguagem, ainda que isso resulte em momentos de maior ou menor impacto. As melhores faixas são justamente aquelas que encontram o equilíbrio entre reverência e reinvenção, enquanto as mais frágeis são as que se afastam demais ou demoram a se conectar com o ouvinte.
Esse álbum tributo funciona basicamente como um retrato da influência duradoura do Bad Company no rock contemporâneo. Um lançamento que, mesmo com suas oscilações, cumpre seu papel ao manter vivo um legado que segue ecoando através de décadas a fio.

