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Vltimas, Hate, Chaos Synopsis – Burning House, São Paulo/SP (02/10/25)

Vltimas, Hate, Chaos Synopsis – Burning House, São Paulo/SP (02/10/25)

Produção: Venus Concerts, Caveira Velha Produções e Xaninho Discos
Assessoria: LP Metal Press
Texto e fotos por: Matheus “Mu” Silva

Pela primeira vez no Brasil, o supergrupo de metal extremo Vltimas aterrizou em nosso país. Trazendo a turnê de seu segundo disco, EPIC (2024), a banda reúne nomes consagrados do Black/Death Metal, como o lendário ex-vocalista do Morbid Angel David Vincent, o guitarrista Blasphemer (ex-Mayhem) e, nos dois álbuns lançados, contou com o baterista do Cryptopsy, Flo Mounier, sacramentando uma formação brutal. A parceria entre as produtoras Venus Concerts, Caveira Velha e Xaninho Discos possibilitou ainda a participação da veterana banda polonesa de Blackened Death Metal Hate, em sua terceira passagem pelo Brasil, e da brasileira Chaos Synopsis, responsável pela abertura. Confira!

Às 19h40, o Chaos Synopsis deu início ao show. Comemorando 20 anos de estrada, a banda de São José dos Campos/SP, formada em 2005, pratica um Thrash/Death Metal vigoroso e enérgico, aliando vocais guturais a bases instrumentais thrasher, bem compostas e executadas. A formação atual conta com Jairo Vaz Neto (vocal/baixo) e Vitor Friggi (bateria), ambos desde o início da banda, além da dupla de guitarras Darc Arantes e Diego Sanctus. O repertório passeou por toda a discografia, com destaques como a poderosa “Raising Hell”, que abriu o show e o álbum Gods of Chaos (2017), “Gods Upon Mankind” (Seasons of Red, 2015), “Son of Light” e “Zodiac” (Art of Killing, 2013), além das clássicas “Sarcastic Devotion” e “Spiritual Cancer”, do debut Kvlt ov Dementia (2009). Foi uma apresentação coesa e destruidora. Acompanho a banda há quase 17 anos e considero este um dos melhores momentos de sua trajetória: cozinha instrumental afiadíssima e os membros originais, Jairo e Friggi, entregando a mesma intensidade de sempre. Mesmo com um problema técnico que atrapalhou o retorno da bateria, o grupo demonstrou profissionalismo e concluiu seus 35 minutos de set de forma primorosa, sendo ovacionado ao final e provando sua dedicação total ao underground.

Às 20h40, foi a vez do Hate. Em sua terceira visita ao Brasil, após longos 13 anos de espera, a banda polonesa retornou em grande forma. Formada em 1991, sob a liderança do vocalista e guitarrista Adam “The First Sinner”, o grupo vive hoje seu melhor momento, alcançando o ápice de seu Blackened Death Metal no mais recente álbum, Bellum Regis (2025). O setlist resgatou duas décadas de evolução, incluindo faixas novas como “Iphigenia” e a título, além da devastadora “Valley of Darkness” (Crvsade: Zero, 2015). O clássico Erebos (2010) teve grande destaque com “Luminous Horizon”, a faixa-título e a sempre matadora “Wrists”. Ver “Wrists” novamente foi especial: lembro do show de estreia no Brasil, em 2009, quando tocaram essa faixa antes mesmo do álbum ser lançado, e já era um soco no estômago. Hoje, soa ainda mais destruidora. Adam conduziu o público com presença de palco inconfundível, acompanhado por uma banda precisa, entregando um massacre sonoro de 60 minutos. O set encerrou com “Resurrection Machine” (Morphosis, 2008) e a clássica “Hex” (Anaclasis: A Haunting Gospel of Malice and Hatred, 2005), sonho antigo deste que vos escreve, já que em 2009 a curta apresentação de apenas 20 minutos não permitiu esse momento. Dessa vez, foi uma aula de música extrema, pesada e relevante.

Às 22h20, chegou a vez da atração principal, o Vltimas. Com Blasphemer e João Ribeiro (guitarras), Ype TWS (baixo) e Pawel (bateria) já a postos, a abertura ficou por conta da faixa-título EPIC (2024). Em seguida, David Vincent surgiu no palco, sem baixo, com visual sombrio que lembrava Van Helsing, e conquistou de imediato com seu vocal inconfundível e seu humor característico. Parte do público surpreendeu ao cantar junto músicas do mais recente álbum, como “Mephisto Manifesto”. Entre uma faixa e outra, Vincent comentava sobre as temáticas líricas, enriquecendo a experiência. O repertório teve grandes momentos com “Invictus” e “Exercitus Irae”, além de músicas do debut Something Wicked Marches In (2019), como a faixa-título, “Last One Alive Wins Nothing” e a destruidora “Everlasting”, que encerrou o set de 60 minutos. O som do Vltimas é cheio de camadas, criativo dentro do Death Metal atual, e ao vivo alterna momentos hipnóticos de contemplação com explosões brutais que colocaram o público para bater cabeça. Um detalhe curioso foi ver Nar-Sil, baterista do Hate, colado na grade curtindo o show como fã, respeitado pelo público e compartilhando aquele momento intenso. O único ponto estranho foi o encerramento: após “Everlasting”, a banda simplesmente saiu do palco sem encore, deixando o baterista confuso até ser confirmado que o show havia acabado — surpresa geral para todos.

A noite de quinta-feira foi especial. O Chaos Synopsis celebrou seus 20 anos com um show marcante, o Hate matou a saudade dos fãs com um set arrasador, e o Vltimas mostrou por que é um nome poderoso e criativo no metal extremo. Quem esteve no Burning House saiu com a certeza de ter testemunhado um evento memorável: bem organizado, com som excelente e apresentações avassaladoras.

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