Voices Оf Grief – “Voices Of Grief” (2019)
MSH Music Group
#AtmosphericBlackMetal, #BlackDoomMetal #DarkMetal, #DepressiveBlackDoomMetal
Para fãs de: Wyrd, Desolate Plains, Cultus Sanguine, Bethlehem (antigo), Krigsgrav
Nota: 9,0
A Rússia detém um prolífero e atrativo cenário quando falamos em Doom Metal e suas vertentes, com uma vasta gama de bandas díspares que exploram e experimentam sem qualquer pudor; indo do minimalismo extremo do Funeral Doom, vide Comatose Vigil e Station Dysthymia, até a soberania e majestade do Epic Doom Metal, vide o lendário Scald. Pode parecer exagero, mas creio que não seja, afirmar que as gélidas e austeras terras de Putin constituem um verdadeiro Eldorado para o gênero e seus apreciadores.
Fazendo um Doom Black Metal em antigos moldes artesanais e passando longe das produções excessivamente limpas, assim como também dos excessos atmosféricos tão comuns nos últimos tempos, o Voices Of Grief e seu homônimo EP de estreia se revelam como um oásis ou um pesadelo (no bom sentido), num mar de repetições óbvias e registros tão porcamente inspirados que perdem vergonhosamente para um orgasmo numa película pornô.
As composições que preenchem o já citado EP, são sombrias, misantrópicas, malignas e desoladoras, e por vezes ultrapassam as raias da sanidade, algo reforçado pela forma como os vocais são trabalhados dentro das faixas; gritos, sussurros, limpos e guturais, o uso dos teclados também tem papel de destaque, reforçando a ambientação opressiva, perturbadora e lúgubre, que magistralmente, percorre todo trabalho.
“Epitaph Of Tragedy”, “Schizodramatic Nebulact Of Disowning” e “Hysteria In The Blasphemous Void” são sublimes exemplares de como o Black (Dark e Doom Metal) devem soar, mas o absoluto destaque é a última composição, “Between Forgiveness And Damage Done”, um sopro de desesperança sobre a vela da tragicômica vida.
Que venha um trabalho completo, tragédia, repulsa e niilismo não faltarão na hora de compor, a humanidade é um colossal banquete de desgraças, que se torne música, ao menos.
Fábio Miloch
