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Voivod – “Symphonique” (2026)

Voivod – “Symphonique” (2026)

Century Media Records – Shinigami Records

#ProgThrashMetal #ProgMetal

Para fãs de: Coroner, Vektor, Mekong Delta

Texto por Cristiano Ruiz

Nota: 10

Antes de mais nada, confesso que não sou adepto de mesclar orquestra na execução de Rock e Metal. Apesar do Deep Purple ser a minha gênese no mundo da música pesada, poucos artistas, além deles, me impressionaram ao tentar executar seu trabalho dessa forma. Aliás, cito o Moment of Glory (2000) como meu favorito nesse quesito, por conta de como soaram as versões do Scorpions para seus clássicos.

Dito isso, em 05/06/2026, a veterana banda canadense de Prog Thrash Metal Voivod lançou o live-album Symphonique, dessa forma, registrando 12 faixas com acompanhamento da Orchestre Symphonique de Québec. A gravação ocorreu em 04/06/2025 no Grand Théâtre de Québec, com arranjos de Hugo Bégin.

Atualmente, Away (bateria), Snake (vocal), Chewy (guitarra) e Rocky (baixo) formam o line-up do quarteto da cidade de Jonquière/Quebec.

Uma viagem pela discografia do Voivod

Em primeiro lugar vem “Experiment”, faixa original do álbum Dimension Hatröss, iniciando a audição da melhor maneira possível. Os arranjos orquestrais parecem dar ainda mais peso ao som do Voivod. Ou seja, a minha primeira impressão já é a melhor possível.

Logo depois, “Holographic Thinking”, do mais recente Synchro Anarchy, consegue manter a alta vibe inicial. Altamente entrosados, Voivod e Orchestre Symphonique de Québec constroem uma sonoridade homogênea, ao mesmo tempo, intensa e nítida.

A audição segue com a canção “The Unknown Knows”, proveniente do clássico Nothingface (1989). Tenho impressão que essas composições foram todas concebidas imaginando essa fusão, mesmo que saiba que isso não é verídico. Além disso, esses novos arranjos deram a essas músicas uma atmosfera macabra que não era tão perceptível antes.

Em todas as fases, tudo soa igualmente pesado

Avançando quase trinta anos, passando pelo álbum The Wake, é a vez da mais cadenciada, mas não menos pesada, The End of Dormancy. Assim como eu comentei sobre a parte instrumental, a voz de Snake também ganhou um ar mais sombrio. Em suma, o som orquestrado do Voivod fomenta uma veia thriller.

Nothingface aparece mais uma vez com a excelente “Into My Hypercube”. A fim de curiosidade, o hipercubo é um dos temas que mais gosto de me aprofundar e, musicalmente, com o Voivod e a orquestra, ficou acima do bem e do mal.

Finalmente, Killing Technology marca presença com a magistral “Forgotten in Space”. O peso que a orquestra impõe aos seus riffs, inegavelmente, tornam essa faixa bem melhor que sua versão original.

O clássico Dimension Hatröss volta a dar as cartas do jogo através da acelerada “Cosmic Drama”. Embora o Voivod sempre tenha carregado o DNA Thrash Metal em seu estilo, jamais foi semelhante a qualquer banda famosa desse subgênero. Os momentos mais Thrash de sua música deixam isso mais do que evidente o que afirmei anteriormente.

Ao mesmo tempo, Prog Metal, Thrash e Orquestra. Não teria como dar errado e não deu

Se a versão de estúdio de “Pre-Ignition” já é um tutorial de Prog/Thrash técnico, a adição da orquestra torna tudo ainda melhor. Em seguida, Voivod mergulha em seus mais profundos primórdios com a faixa “Nuclear War”, soando realmente como uma das pioneiras do Thrash Metal fora dos Estados Unidos da América.

“Fall”, do EP Post Society (2016), é, certamente, o descanso para os tímpanos antes do apoteótico final. Não que ela seja leve e nem ruim, pois ela é ótima e pesada. No entanto, é ligeiramente mais amena. Destaque absoluto para o baixo de Rocky.

Uma introdução percussiva dá vida à “Tribal Convictions”, mais uma devastadora faixa do absoluto Dimension Hatröss. Desde que começou sua história, Voivod sempre souber tocar pesado com técnica e elegância absolutas. Entretanto, essas características não pararam de evoluir com o tempo. Para o Voivod, mais é mais e sempre será.

Do saudoso Syd Barrett em homenagem ao saudoso Piggy

Não haveria melhor forma de encerrar uma obra tão espetacular quanto Symphonique do que a faixa “Astronomy Domine”, cover do Pink Floyd do álbum The Piper at the Gates of Dawn (1967). Essa composição do saudoso Syd Barrett decerto influenciou o também saudoso Piggy, cujo nome verdadeiro era Denis D’Amour, guitarrista original do Voivod que nos deixou em 2005.

Eu até tentei pontuar algo negativo na produção desse disco ao vivo, porém não há. Indico, portanto, esse trabalho a todos os fãs de Metal mais bem elaborado.

Félicitations à Voivod pour l’excellent album live mettant en vedette l’Orchestre symphonique de Québec.

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