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Volkmort – “Battle Desolation” (2019)

Volkmort – “Battle Desolation” (2019)
Independente
#DeathMetal#DoomMetal#DeathDoomMetal

Para fãs de: Winter, AsphyxCianideAutopsy, Epitaphe

Nota: 9,0

Se fazer Heavy Metal no Brasil passa distante de ser uma tarefa fácil, fazer Doom Metal então, é um feito que beira o heroísmo. Os revezes são incontáveis e praticamente todas as Leis de Murphy conspiram a favor do fracasso: parco apoio e pouco espaço na mídia – seja como divulgação, assessoria e crítica. O pouco apoio que existe vem dos apaixonados — dos próprios músicos e dos fãs —, que organizam eventos, vão aos shows, compram materiais e criam meios de apoiar, sejam páginas, sites, canais e zines. A palavra união no Underground é igualada a honra e é criteriosamente respeitada.

Oriundo de Timbó, Santa Catarina, o Volkmort já tem mais de 16 anos de existência, mas apenas em 2019 conseguiu registrar “Battle Desolation”, seu primeiro álbum propriamente dito. Anterior a ele, os materiais lançados foram “Supreme Evolution Of Fear”, demo de 2011; o EP “The Beginning Of The End”, de 2013, e a compilação “Traces Of Doom”, que foi editada pelo selo americano Wohrt Records em 2015. “Battle Desolation” apresenta-se como um completo e belo arquivo daquele Death/Doom Metal elaborado pelas pedras angulares dos anos 1990: Winter, Asphyx, Cianide e o Autopsy dos dois primeiros registros. Sem adornos, refinamentos ou polimentos estéticos, sua atmosfera é hostil, claustrofóbica e opressiva. E não, não há qualquer espaço para faixas glicosadas.

Logo após uma breve e sinfônica introdução, surge a colossal “Sentence To Death” — a definição de ruína, o apocalipse trajado de música. “The Beginning Of The End, Prelude To Chaos” e sua sucessora, “Destructive Obsession”, são guiadas pela catarse e pela escuridão — a mão da desgraça em câmera lenta. Quanto a “Front Line”, ela pode ser tomada por um híbrido de Evoken, Incantation e Bolt Thrower; ao meu gosto, o ponto mais elevado do disco, indo do fúnebre ao completo pandemônio sem perder um segundo sequer de seu peso arquitetônico. “Triumphus Mortis” é o último cálice de pestilência a ser lançado sobre a terra — impiedosa, esmagadora e brutal. O Doom Metal em peso e sombra — a sombra da Morte.

“Battle Desolation” não apenas resgata o lado mais primitivo do Death/Doom Metal — ele exibe qualidade, solidez e concisão, tem influências, mas funciona como um monumento cujos pés estão no passado, mas a visão mantém-se no presente.

Fábio Miloch (Colaborador)

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