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W.A.S.P. – “Golgotha” (2015)

W.A.S.P. “Golgotha” (2015)
Napalm Records

Nota: 8,0

O fato de Blackie Lawless ter virado cristão deixou todos os fãs do W.A.S.P. com a pulga atrás da orelha, pois a possibilidade de que o discurso acerca das benesses da vida em Cristo relegue o rock ao segundo plano é sempre real e não faltam exemplos em todos os gêneros musicais que comprovem isso. Felizmente, o Cristo de Lawless parece tê-lo feito trilhar um caminho de bem-aventurança, rodeado por tudo de melhor que o W.A.S.P. produziu em mais de trinta anos de atividades ininterruptas sob incontáveis formações. O décimo quinto álbum de estúdio do grupo que o diga.

Lançado em 2015, Golgotha abre com “Scream”, que consiste na 4030ª tentativa da banda de recriar a suprema “Wild Child”. “Last Runaway” e “Shotgun” soam como sobras do clássico The Last Command, mantidas na proveta para serem paridas no novo milênio. Por sua vez, a longa “Miss You” lança mão da fórmula de power ballad dark explorada à exaustão desde o também clássico The Crimson Idol. Com performance teatral de Lawless, a canção atinge o ápice em um longo e extasiante solo de guitarra.

Contando com um baita refrão, “Fallen Under” abre o que seria o lado B do LP. E é justamente no virar do disco que a dinâmica do álbum muda, adquirindo uma aura muito mais afim ao W.A.S.P. do século XXI: musicalmente, mais heavy do que hard; tematicamente, mais denso e munido de certa preocupação social. O problema é que, ainda que preserve alto teor de energia e, principalmente, colhões — o W.A.S.P. sempre foi banda das mais bolotudas —, o que vem na sequência resvala no marasmo, com “Hero of the World” consistindo no maior autoplágio já realizado pelo grupo, soando idêntica a “The Rise”, de The Neon God, Part One.

A saideira, com a faixa que dá nome ao álbum, é a grande profissão de fé do regenerado vocalista. Para quem já bateu no peito e já se gabou de foder como uma besta, cantar “Jesus I need you now, show me your love somehow” parece piada. A impressão final, porém, independe de critérios religiosos: Golgotha pede bis e é provavelmente o melhor álbum do W.A.S.P. desde Helldorado. Aumente o som!

Marcelo Vieira (Colaborador)

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