W.E.T. – “Earthrage” (2018)

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W.E.T.
 
“Earthrage” (2018)

Frontiers Music
#MelodicHardRock

Para fãs de: EclipseKee Of HeartsRevolution Saints

Nota: 10

O mundo é um lugar melhor quando Robert Säll, Erik Martensson e Jeff Scott Soto encontram espaço em suas agendas e se reúnem para um novo álbum do W.E.T. — e olha que em 2017 os caras andaram ocupados, principalmente Martensson (empenhado no projeto de dominação mundial do Eclipse) e Soto, o homem das mil bandas, que no ano passado lançou sua sexta empreitada solo — o excelente “Retribution” —, além da estreia do supergrupo Sons of Apollo, com o qual se apresentará no Brasil em breve.

“Earthrage” leva o W.E.T. a um novo patamar de perfeição; coisa que mesmo o maior entusiasta da banda julgaria ser impossível — afinal, tanto “W.E.T.” (2009) como “Rise Up” (2013) carecem de falhas na mesma proporção em que oferecem tudo o que se espera de um — e se torce para ouvir num — álbum de Melodic Rock: composições impecáveis? Check! Execução primorosa? Check! Produção de primeira? Check! Todos os clichês que amamos e fazem nosso coração bater e reverberar como a caixa da bateria de “Is This Love”? Check!

O pontapé inicial é dado com “Watch the Fire”, primeiro single, liberada meses atrás. Erik e Jeff dividem os vocais em versos cuja construção parece antecipar a decolagem de um foguete. No melhor refrão que você ouvirá este ano, mais vozes se juntam ao coro imperativo que entoa o título da canção. A temática de “queima” continua com “Burn”, cuja letra ilustra com clareza a máxima “Se você não consegue virar a página, troque o livro”. E se, em 1975, Bruce Springsteen pavimentou sua “Thunder Road”, 43 anos depois os reis pedem passagem: “Kings on Thunder Road” tem seu nome justificado no livro de memórias que é sua letra.

Não se deixe levar pela inevitável impressão inicial de que “Elegantly Wasted” trate de sentimentos puros e coraçãozinho com as mãos. A palavra de ordem por aqui é a zoeira, gozação pura com o estereótipo de roqueiro pinguço, quase que um Steel Panther para menores de idade. Na versão acústica, bonus track japonesa, o tom sacana fica ainda mais evidente. Outra liberada antecipadamente, “Urgent” traz o que é possivelmente o melhor registro vocal de Soto no W.E.T. — perdão, “Learn to Live Again”! —, além de um riff principal que não faria feio junto aos adeptos de sons mais agressivos.

A segunda metade de “Earthrage” tem como destaques a dilacerante “Calling Out Your Name”, que resplandece com forte carga emocional e linhas que só poderiam ter sido escritas por alguém que estivesse muito na merda por assuntos do coração, além de “I Don’t Wanna Play That Game”, cujo alto astral contrasta com as interrogações cantadas por Soto, e “The Burning Pain Of Love”, que coloca ricos e pobres no mesmo prato da balança no que se refere ao amor e à solidão. Somos todos seres humanos, no fim das contas. E por mais de outro mundo que “Earthrage” soe, o W.E.T. é tão de carne e osso quanto a gente.

Por fim, não entrarei no mérito de comparar “Earthrage” com “Firepower”. Isso seria dizer que hambúrguer é melhor do que feijoada quando ambos são muito bons. Se Portela e Mocidade dividiram o título de campeã do Carnaval 2017 sem que ninguém ligado a uma das escolas aparecesse morto no dia seguinte, W.E.T. e Judas Priest podem muito bem, os dois, segurar o caneco.

Marcelo Vieira

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