Wehrmacht – “Shark Attack” (1987) (Relançamento 2021)

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Wehrmacht“Shark Attack” (1987) (Relançamento 2021)
Hammerheart Records
#Crossover, #ThrashMetal, #Hardcore

Para fãs de: D.R.I., Cryptic Slaughter, S.O.D.

Nota: 9,0

Estamos falando de um álbum, provavelmente, subestimado. É um trabalho à frente de sua época e também percebido como influência de bandas, desde o Thrash ao Death Metal e do Grindcore ao Black Metal. Exagero? Não, não. Para termos a real dimensão da influência da banda, o Napalm Death fez um cover da Wehrmacht em um de seus registros de estúdio. Quando citamos o N.D., estamos falando de ninguém menos que os precursores do Grindcore bretão. O guitarrista Les Evans, integrante da banda californiana Cryptic Slaughter, certa vez comentou algo curioso sobre a Wehrmacht: “a única banda que eu já vi explodir o Slayer fora do palco”.

“Shark Attack” é insanamente rápido. Este violento álbum de estreia fez com que muitos lançamentos de Thrash Metal, em meados dos anos 1980, parecessem menos velozes do que interpretávamos inicialmente. Algumas faixas são tão selvagens que reverberam como o Black Metal da primeira onda. As músicas neste álbum são extremamente céleres. A faixa-título, em sua introdução, nos remete à película “Tubarão”, filme de suspense norte-americano de 1975, dirigido por Steven Spielberg e baseado no livro homônimo de Peter Benchley. A brilhante interpretação do tema, dessa vez feita por guitarras, abre espaço ao ataque sonoro com uma saraivada de riffs contundentes e precisos. “Barrage of Skankers” nos remete ao Suicidal Tendencies em alguns momentos e é recheada de blast beats. “Anti” é um petardo desaforadamente Thrash, enquanto “Go Home” é a faixa polêmica da obra. Embora, sonoramente, seja um crossover brutal, a letra levanta uma sinalização ao ultranacionalismo. O repúdio aos imigrantes que buscam melhores condições de vida é percebido claramente em:

“Nosso país está se acumulando, está começando a crescer,
Por favor – eu quero trabalhar
Sai – seu idiota miserável
Vá para casa – para sua vida cheia de pulgas
Ou eu – usarei minha faca!”

Essa faixa, inclusive, foi retirada do setlist da banda quando todos os cinco membros originais decidiram retornar às atividades no final da década de 2000. Letras xenofóbicas que tratam do impedimento à imigração de estrangeiros ou de pessoas pertencentes a diferentes culturas e etnias, não devem mais ser suportadas tão passivamente. O mundo evoluiu neste aspecto.

Outra controvérsia é a respeito do próprio nome da banda. O nome Wehrmacht faz alusão às forças armadas unificadas nazistas. Ainda assim, a banda alega que os ideais do grupo, ao contrário, são antinazistas. Quando o álbum foi lançado, os músicos tinham 17 anos em média. É compreensível, ao menos em meu parecer, que jovens sintonizados em fazer um som rápido, autointitulado “beercore” e utilizando-se de ironias e humor ácido, podem ser capazes de flertar com assuntos que não possuem mais tolerância em nossos dias.

De maneira resumida, as faixas são curtas e violentas, as letras abordam humor e alguma estupidez, os riffs são lancinantes e os solos selváticos. Quanto ao baterista, absolutamente desvairado. Um show a parte!

André Nasser

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