Wicked Smile – “Delirium” (EP) (2020)
Independente
#HardRock
Para fãs de: Judas Priest, Ronnie James Dio, Skid Row
Nota: 10
Mais uma conquista para o currículo vitorioso de Paul Laine. Agora atacando como produtor, o vocalista do Defiants conduz o trabalho em “Delirium”, estreia dos australianos do Wicked Smile. Não só isso: Laine também assume o baixo e faz todos os backing vocals nas quatro músicas que compõem este EP. E adivinha só quem assina a masterização? Ninguém menos que Bruno Ravel, também do Defiants e eternamente o fundador do Danger Danger.
A essa altura e ciente de quem está nos bastidores você provavelmente está achando que o Wicked Smile é formado por uma molecada vidrada nos hard rocks de outrora. Ledo engano. O duo é formado pelo vocalista Danny Cecati (ex-Pegazus e Eyefear) e pelo guitarrista Stevie Janevski (ex-Black Majesty e The Radio Sun), cuja bagagem conjunta inclui a impressionante soma de vinte álbuns lançados, além de shows em alguns dos principais festivais do mundo, como o Masters of Rock (República Tcheca), o Hard Rock Hell (País de Gales) e o pai de todos, o Wacken Open Air, na Alemanha.
O que se ouve é, obviamente, um hard rock repleto de ingredientes das antigas, mas com uma pegada moderna talvez alavancada pela produção contemporânea e por um senso de atualidade tão necessário quanto escasso naqueles que buscam reproduzir, musical e tematicamente, em pleno século 21, clichês cuja eficácia foi verificada mais de três décadas atrás; muitos dos quais pereceram ante o implacável teste do tempo e às mudanças de paradigmas e referenciais.
Um importante passo rumo a um hard “com consciência social” é dado em “Stronger”; sua letra é um manifesto antibullying do ponto de vista de quem o sofre. “You can try to knock me down, you can try to push me ‘round”, canta Cecati, antes de afirmar zerando a reserva de mana: “I will be stronger!” Já “Daze of Delirium” aborda a maledetta inclinação do ser humano a dar murro em ponta de faca, a insistir e persistir no erro como se o erro fosse a única opção. Se em 1988 Cazuza cantou “como insetos em volta da lâmpada”, 32 anos mais tarde, sem fazer a mínima ideia de quem foi o cavalo chamado Agenor, Janevski e Laine escrevem: “Now you’ve got me flying just like a moth to your flame”. Quem nunca? Agora me digam quanto tempo falta até o lançamento do álbum completo, por favor.
Marcelo Vieira
