Wodos – “From The Grave” (2026)

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Wodos – “From The Grave” (2026)

Independente
#ThrashMetal

Para fãs de: Discharge, Assassin, Nuclear Assault

Texto por: Matheus “Mu” Silva

Nota: 9,0

Com apenas dois anos de existência, o Wodos, formado em 2024, lançou seu primeiro álbum de estúdio, From The Grave, no último dia 20 de setembro. O trabalho chegou ao público de forma independente.

De cara, o nome chama a atenção, afinal, é praticamente um Sodom escrito ao contrário. Trata-se de uma antiga brincadeira no Metal com o nome da clássica banda alemã de Thrash. Entretanto, a influência dessa escola não para por aí.

Ao dar o play, a faixa de abertura, “Birth of Suffering”, revela uma sonoridade próxima de nomes alemães como Exumer e, principalmente, Assassin. Além disso, há ecos do Discharge, combinando aspereza e crueza com uma intensidade mais elaborada, sem perder a violência característica do estilo.

“Helter Skelter” exemplifica muito bem essa proposta. A audição me remeteu diretamente ao clássico “The Upcoming Terror” (1987), do Assassin, sobretudo pelas linhas vocais de Benji Theriault. A semelhança funciona muito bem, sem que o Wodos soe como uma mera cópia.

Na sequência, “Sacrifice” é implacável e aposta em uma composição totalmente oitentista. É uma das melhores faixas do álbum, senão a melhor. Sua estrutura tem tudo para funcionar ao vivo, alternando momentos de violência insana com um refrão viciante.

Já “Body Snatch” resgata, com propriedade, a influência do Nuclear Assault dos primórdios. Em menos de um minuto, a faixa despeja brutalidade sem cerimônia, seguindo a cartilha que a banda norte-americana explorou em “Game Over” (1986).

Por sua vez, “Fear and Fire” atropela sem piedade, enquanto “Head Dead” apresenta uma abordagem menos acelerada. Nela, Mikee Blanchet entrega um trabalho excepcional de guitarra, tornando a composição uma das mais completas do disco.

A faixa-título, “From The Grave”, aposta naquele Thrash simples e direto ao ponto. Embora não reinvente a roda, mantém o nível elevado e prepara o terreno para um cover de “Breaking The Law”, clássico do Judas Priest.

Em vez de preservar a estrutura original, porém, o Wodos pisa fundo no acelerador e transforma o hino da banda inglesa em uma música com identidade própria. Considero esse resultado sensacional, pois poucas coisas funcionam tão bem quanto ouvir uma banda imprimir sua personalidade em uma composição tão conhecida. Nesse caso, a releitura é extremamente satisfatória.

Para encerrar, “Crystal Lake” surge como a música mais extensa do álbum, beirando os sete minutos. Ao longo da composição, o grupo reúne os elementos que marcaram a audição do disco e fecha o trabalho de maneira brutal.

Neste ano, tive a oportunidade de ouvir ótimos lançamentos de novas bandas de Thrash Metal. Certamente, “From The Grave” está entre eles. O som é Old School, mas suas referências escapam um pouco do caminho mais tradicional, garantindo personalidade à proposta.

Portanto, o Wodos merece os parabéns por esse primeiro registro. A banda entrega um álbum consistente, agressivo e cheio de boas ideias, que funciona muito bem do início ao fim. Vale a audição!

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