Wolf – “Hour of the Wolf” (2026)
Fireflash Records
#HeavyMetal #HardNHeavy
Para fãs de: Judas Priest, Mercyful Fate, RAM
Por: Cristiano Ruiz
Nota: 10
Assim que vi pela primeira vez que a banda sueca de Heavy Metal Wolf lançaria Hour of the Wolf, décimo full-length de sua discografia, senti uma energia especial em relação a esse registro específico do quarteto de Örebro. Talvez pelos quatro anos que o separam de seu antecessor, Shadowland, ou certamente pela crescente qualidade de seus mais recentes lançamentos.
Antes que a NWOTHM trouxesse o Heavy tradicional de volta à cena no início dos anos 2000, já em 1995, ainda como Wolverine, o Wolf planejava fazer o mesmo à sua própria maneira. Dessa forma, em 2000 foi lançado seu homônimo de estreia. Ou seja, a magia sueca oferecia ao mundo da música mais um de seus presentes especiais.
Atualmente, Niklas Stålvind (vocal e guitarra), Simon Johansson (guitarra), Pontus Egberg (baixo) e Johan Koleberg (bateria) formam seu line-up. Se Devil Seed [2014], Feeding the Machine [2020] e Shadowland [2022] já foram capazes de me convencer e me tornar fã, Hour of the Wolf elevou ainda mais minhas impressões a um patamar superior. Dito isso, caminhem junto comigo na análise das faixas.
Heavy Metal com aquela irresistível pitada de maldade
Só ao ouvir “Death Satellite”, primeiro single de Hour of the Wolf, é que fui capaz de entender o que senti a princípio. Trata-se de uma composição de Heavy lupino com a mesma qualidade de música e produção de outrora, como os fãs se acostumaram através dos anos. Porém, ela traz algo a mais que ainda não sei explicar. Espero chegar a esse entendimento durante a audição, embora essa atmosfera já tenha obtido absoluto sucesso em me entorpecer de forma positiva. Em outras palavras, não vai ser fácil.
Logo depois, “The Music of Erich Zann” mergulha de cabeça dentro do universo lovecraftiano. Da mesma forma como fez em “The Ill-Fated Mr. Mordrake” no álbum anterior, o Wolf nos faz passear pela história literária de um estudante de metafísica. Sem grana, ele vai morar numa pensão barata numa rua que ninguém consegue achar de novo, a saber, a Rue d’Auseil em Paris. De dentro do seu quarto, ele ouve um velho tocando melodias que não são de nossa dimensão. Na verdade, a música que ele toca não é música, mas sim um feitiço para manter criaturas infernais em seu próprio submundo. Tão logo a música cessa, o abismo invade nossa realidade.
“Walpurgis Night”, mais recente aperitivo de Hour of the Wolf, introduz com um show de melodia do baixo de Pontus Egberg. Entretanto, o que mais impressiona é a parte lírica. Enquanto aqui se comemora o Halloween em 31/10, na Alemanha, a Noite das Bruxas é a Walpurgis Night, em 30 de abril. De acordo com a lenda, nesse dia, as bruxas voam para o monte Brocken para realizarem seu sabá. É justamente disso que se trata a composição do Wolf.
Segunda trinca sedenta de sangue
A melhor performance de bateria acontece em “Streets of Necropolis”, pois é essa canção que me obriga a voltar os holofotes para Johan Koleberg. Além de que, ela tem um ritmo contagiante, assim como solos de guitarra avassaladores, típicos da escola escandinava de guitarristas.
Ao mesmo tempo, a melhor música desse álbum, uma das melhores de toda a discografia do Wolf e a melhor de 2026 até o momento, “Waltz Post-Mortem” me faz arrepiar de medo e êxtase todas as vezes que a ouço.
Trata-se de uma aula, não somente de Heavy Metal, mas de todo o prazer que ele pode oferecer ao seu ouvinte. Em suma, entre o amor e o arrependimento, quando se tenta voltar no tempo para corrigir algo que causou uma ferida profunda, nem sempre se está pronto para mudar de atitude. “Waltz Post-Mortem” é isso e muito mais além disso, pode acreditar.
A faixa-título é mais um Heavy clássico de altíssima qualidade, com direito a uivos vindos diretamente da alcateia a qual se denomina simplesmente Wolf. Pois bem, se alguém ainda tinha dúvidas sobre o trabalho desse quarteto, creio que não mais a partir desse lançamento fantástico.
A trinca final sofisticada e absoluta
“Above the Fallen” abre a trinca derradeira de Hour of the Wolf, fazendo com que o conceito que eu já tinha sobre o Wolf se torne ainda maior. Nas audições dos álbuns anteriores, eu já ouvia uma banda pesada, intensa, técnica e com refrão grudento, mas não que soasse sofisticada e evoluída como está agora. Resumindo, o Wolf subiu alguns degraus na escada do Heavy Metal.
Ainda que o nome “Doppelgänger” [que em português significa sósia] seja em idioma alemão, sua letra é em inglês, ao passo que seu instrumental remete à NWOBHM. Em suma, como dizem alguns metalheads, o suprassumo do Heavy Metal. Ótima faixa, sem dúvidas.
“Dirty Little Secret” encerra Hour of the Wolf com mais Heavy e mais um “esqueleto no armário” [“Waltz Post-Mortem” foi o primeiro], afinal de contas, os contos “do mal” são feitos de segredinhos sujos. Resumindo, um disco sem críticas a apontar, perfeito do primeiro até o último acorde. Indico-o, portanto, a todos os fãs do mais alto nível de Heavy Metal.
Grattis Wolf, perfekt album, godkänt med all beröm och förtjänst, tack för ditt förtroende och fortsatta samarbete. Jag hoppas att ylet en dag når brasilianska territorier.





