Xion – “When Stars Collide” (2026)
Fireflash Records | Shinigami Records
#ThrashMetal #SpeedMetal #HeavyMetal
Para fãs de: Megadeth, Metallica, Annihilator, Heathen, Anthrax
Texto por: Johnny Z.
Nota: 8,5
Fazer Thrash Metal em 2026 significa lidar com um legado considerável. Afinal, depois de décadas de discos fundamentais, riffs que se tornaram referência e inúmeras bandas explorando as mesmas possibilidades, apresentar algo realmente diferente não é uma tarefa simples. É justamente nesse cenário que o Xion lança When Stars Collide, seu segundo álbum de estúdio, apostando em uma fórmula que privilegia a tradição do gênero em vez de buscar uma ruptura com ela.
Formado em Falun, na Suécia, o quinteto dá sequência à discografia iniciada com Between Shadows and Gods (2024). Ao todo, são oito faixas distribuídas em pouco mais de 38 minutos, com uma proposta que aproxima o Thrash Metal do Speed Metal e do Heavy Metal tradicional. Dessa maneira, a banda mantém o repertório dentro de uma linguagem reconhecível para quem acompanha o estilo, sem restringir todas as composições a uma única abordagem.
Conhecer bem as regras do jogo, contudo, não significa necessariamente surpreender. Embora o Xion trabalhe com referências familiares e demonstre disposição para explorar diferentes caminhos, a questão central permanece: até que ponto essas escolhas ajudam a construir uma personalidade própria? Em When Stars Collide, a resposta passa menos pela reinvenção do gênero e mais pela execução de uma proposta já conhecida.
A abertura fica por conta de “Hands Will Be Cut”, seguida por “Burned Onto You” e “Phantom of Blood”. Na sequência, “Total Euphoria”, com pouco mais de dois minutos, contrasta com as faixas que dispõem de mais tempo para desenvolver suas ideias. Assim, a variação de duração evita que todas as músicas sigam o mesmo formato e contribui para manter a extensão do álbum sob controle.
Um dos momentos que mais chama a atenção pela proposta é “Granted Wings (Let Me Fly)”. Em vez de seguir a expectativa criada pelo repertório, a composição introduz uma abordagem bastante diferente daquela normalmente associada ao Thrash Metal. Com isso, a banda demonstra que não pretende permanecer presa a uma única fórmula. Ainda assim, a mudança pode soar deslocada para quem prefere uma sequência mais homogênea.
Já na reta final, “Dead By The Night”, “Mirror Shield” e “Zero Light” completam a seleção. Nesse trecho, o grupo mantém sua aposta em uma linguagem tradicional, sem recorrer a uma tentativa forçada de apresentar novidades a qualquer custo. Para quem procura familiaridade, essa escolha pode funcionar bem. Por outro lado, quem espera encontrar novos rumos para o estilo provavelmente terá menos motivos para se empolgar.
A formação reúne Robin Björk nos vocais, Erik Zetterström e Liam Radman nas guitarras, Johan Berg no baixo e Algot Brask na bateria. Nesse contexto, o trabalho com duas guitarras oferece possibilidades de harmonização e construção de solos, recursos importantes para essa vertente do Metal. Além disso, o álbum foi gravado no Sellnoise Studios, com produção, mixagem e masterização de Jonas Arnberg, enquanto Pär Olofsson assina a arte da capa.
No balanço final, When Stars Collide se apresenta como um disco para quem valoriza a continuidade do Thrash Metal tradicional. De fato, o Xion não precisa reinventar o gênero para justificar sua existência. Entretanto, recorrer a elementos conhecidos também não é suficiente para estabelecer uma identidade marcante. É justamente aí que reside o limite da proposta: preservar uma linguagem consolidada é perfeitamente válido, mas isso não garante, por si só, um resultado memorável.
Resumindo, se você gosta do estilo e procura bandas que não tentam reinventá-lo, eis o seu disco e a sua banda. Por outro lado, se busca novidades, talvez seja melhor procurar em outro lugar. Afinal, acredito que apresentar algo realmente novo dentro do Thrash Metal, hoje em dia, é quase impossível sem se distanciar da essência do gênero. Eu fico com a primeira opção.

