
Trouble – “The Distortion Field” (2013/2018) (Relançamento)
Hellion Records Brazil
#HeavyRock, #StonerMetal, #DoomMetal
Para fãs de: Black Sabbath, Saint Vitus Orchid, Alabama Thunderpussy
Nota: 9,0
O roteiro é conhecido. Uma banda influente, que em anos década anteriores lançou discos excelentes e foi precursora dentro de um segmento do Heavy Metal sofre com mudanças consideráveis de formação. Os remanescentes continuam com a banda e lançam um novo álbum sob o nome da banda importante, que é estigmatizado como menor dentro da discografia. Isso já aconteceu com o Iron Maiden, com o Deep Purple (sim, você precisa da mais uma chance a “Come Taste the Band”), com o Testament, e não foi diferente com o Trouble.
Pioneiro e desbravador do terreno do Stoner/Doom Metal, o Trouble chegava ao século XXI carregando as feridas da segunda metade década de 1990, onde idas e vindas se mantiveram infrutíferas até 2007, quando lançaram “Simple Mind Condition”. Todavia, os problemas não pararam por aí, e Eric Wagner deixou a banda de vez no ano seguinte.
Para “The Distortion Field”, próximo trabalho de 2013, só teríamos os guitarristas e compositores Bruce Franklin e Rick Wartell, do line-up original, que ainda se dividem no registro do baixo. O que poderia explicar a produção que trazia o baixo “escondido” e a bateria, a cargo de Marko Lira, em segundo plano neste álbum.
Para os vocais, a dupla convocou o velho conhecido Kyle Thomas (Alabama Thunderpussy, Exhorder, Floodgate), que se revela uma excelente opção para o Trouble. Claro que se desviar da marca de Eric Wagner nos vocais da banda é algo complexo, mas Kyle se saiu bem ao imprimir a mesma crueza emocional ao seu estilo um tanto diferente.
Musicalmente, as treze composições de “The Distortion Field” soam pesadas, melódicas, mas com certo despojamento ao banhar os riffs à moda Doom Metal em arranjos tipicamente Stoner/Heavy Rock, ao mesmo tempo que apagam uma parcela da psicodelia que vimos nos discos noventistas.
E salvo pela capa de gosto duvidoso e pelo escorregão em “Have I Told You”, faixas como “One Life”, “Sucker” e “Paranoid Conspiracy” representam um disco com potencial para ser o melhor do Trouble desde “Manic Frustration” (1992).
Infelizmente, muitos preferem alicerçar suas opiniões pela comparação do que pela qualidade das composições em si. Um mau hábito que instila seu veneno sempre que mudanças consideráveis de formação surgem em nomes importantes do Rock/Metal. Como antídoto, sempre carrego a pergunta: “e se esse disco fosse laçado pelos mesmos integrantes, sob outro nome?”. No caso de “The Distortion Field”, creio que ele tem potencial para ser aclamado dentro do Stoner Rock/Metal de sua época.
Marcelo Lopes Vieira





