Kool Metal Fest – Carioca Club, São Paulo/SP (10/11/2019)

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Kool Metal Fest
Bandas: BrujeriaKrisiunNervosaSurra, Cemitério e Eskröta
Local: Carioca Club Pinheiros, São Paulo/SP
Data: 10/11/2019

Texto, fotos e vídeos por William Ribas
Texto e fotos (Krisiun/Brujeria) por Johnny Z.
Fotos principais por Carlos Pupo (Headbanger News)

O domingo, 10 de novembro de 2019, possivelmente pode ter entrado para a história dos eventos na capital paulista por vários motivos que iremos destacar nas próximas linhas. Primeiro, o evento Kool Metal Fest conseguiu que o público chegasse cedo desde a primeira banda (Fato extremamente louvável), obviamente que um cast que conta com nomes consagrados, consolidados e com gratas surpresas que vem ganhando o cenário, não teria como dar errado, é entrar com o jogo ganho, só esperando a “goleada” acontecer.

 

Quase que britanicamente, as meninas da banda Eskröta subiram ao palco as 16hs, e não deixaram pedra sobre pedra, com letras cheias de protestos, ideologia feminina e muita atitude. Costumeiramente antes de ir em algum evento gosto de ouvir e conhecer as bandas que vão estar se apresentando, a energia que Ya Amaral (vocal/guitarra), Tamy Leopoldo (baixo/backing vocals) e Miriam Momesso (bateria/backing vocals) despejam em cima do palco é de se espantar, músicas como “Bife do Inferno”, Desumana Ação”, “Playbosta” e “Mulheres”, ganharam um certo “punch” ao som agressivo cheio atitude, que ainda falta em estúdio para banda, mas como diz aquele jargão: Quem sabe, faz AO VIVO. O grande destaque ficou para a primeira “invasão” em massa das mulheres da plateia em cima do palco, algo surreal e que merece ser aplaudido e que foi corriqueiro durante todo o evento, onde definitivamente, ELAS mandaram em tudo.

Setlist Eskröta:

Crime Hediondo
Executável
Bife do Inferno
Episiotomia
Desumana Ação
Burn The Poor
Playbosta
Eticamente questionável
Aids, Pop, Repressão (Ratos De Porão)
Cruzamento Maldito
Mulheres

Coube ao Cemitério dar continuidade aos trabalhos, e meus amigos, que baita apresentação! A banda afiada e com sangue nos olhos, a uma ótima iluminação de palco, tudo alinhado ao peso descomunal que foi sendo “cuspido” ao público. A trinca de abertura “A Volta Dos Mortos Vivos”, “A Vingança De Cropsy” e “Quadrilha De Sádicos”, foi daqueles momentos em que se você deveria sair e pagar novamente o valor do ingresso tamanho era o tesão de ver esses caras tocando e mostrando simpatia mesmo sem precisar ficar no lero-lero.

Sabendo do pouco tempo e da oportunidade única, o negócio foi tocar o máximo de músicas possíveis e sua boa mistura do Death Metal com leves toques de Doom Metal, agradou bastante. Muitos criticam e torcem o nariz para músicas cantadas em português, mas duvido você se manter omisso ao escutar “O Dia De Satã” e “Pague Para Entrar, Reze Para Sair”, sendo essa última o encerramento da apresentação. São faixas grudentas e com uma agressividade similar a uma manada de rinocerontes, onde foi possível vermos várias rodas sendo formadas em diversas partes do Carioca Club. O Cemiterio é um desses grupos que você vira fã na primeira nota! SHOWZAÇO!

Setlist Cemitério:

A Volta Dos Mortos Vivos
A Vingança De Cropsy
Quadrilha De Sádicos
Tara Diabólica
Oãixac Odéz
Holocausto Canibal
Sexta-feira 13
O Dia De Satã
A Sentinela Dos Malditos
Natal Sangrento
Pague Para Entrar, Reze Para Sair

Rapidamente o palco foi ajeitado, afinações checadas e era chegada a hora de assistir a banda que vem fazendo um verdadeiro estardalhaço por onde passa. Praticando um belo crossover, cheio de energia o grupo santista Surra, não só fez uma SENHORA APRESENTAÇÃO como, na minha humilde opinião, o Carioca Club viu o melhor show nacional na cidade de São Paulo. Desde a hipnotizante “Bom Dia Senhor”, onde o público mostrou que estavam afiados com as letras na ponta da língua, até o encerramento com “A Troco De Nada”, banda e fãs trabalharam em uma enorme sinergia.

O seu Thrash/Punk/Hardcore de certa maneira me fez voltar no tempo, me levou para minha adolescência, guardadas as devidas proporções e estilo, era como se tivesse vendo os Raimundos do início de carreira, adrenalina, sangue juvenil do escorrendo pelas veias, o botando para foder, indo contra tudo e contra todos. As letras de ordem protestante de ir contra uma sociedade imunda e hipócrita são ao lado da energia, o grande ponto positivo do grupo.

Setlist Surra:

Bom Dia Senhor
Escorrendo Pelo Ralo
O Mal Que Habita a Terra
Do Lacre ao Lucro
Embalado Pra Vender
Ultraviolência
Mais Um Refém
Virou Brasil
Caso Isolado
Jogo Sujo
Anestesia
Parabéns aos Envolvidos
Daqui Pra Pior
Merenda
A Troco de Nada

Passando das 18hs, era chegada a hora da banda que vem conquistando o planeta, as meninas da Nervosa. Falar da qualidade do power trio é chover no molhado, Fernanda Lira (vocal/baixo), Prika Amaral (guitarra) e Luana Dametto (bateria) abrem a noite com “Horrodome” e logo de cara algo decepcionante aos meus ouvidos aconteceu, o vocal da Fernanda estava baixo, muitas vezes inaudível na massa sonora que a banda jogava na nossa cara, infelizmente o problema persistiu durante todo o show, e ficou nítido em alguns momentos o desconforto das meninas por esse pequeno “perrengue”.

O show teve um bom apanhado da carreira da banda passando desde a primeira demo até o último disco lançado em 2018, “ Downfall of Mankind”. Algo extremamente importante é ver como essas meninas estão cada vez mais longe do estigma de promessa e cada vez mais se tornando uma realidade, com a carreira consolidada, guardadas devidas proporções, a Nervosa está para a nova geração (e para mulheres que ainda se sentem e são oprimidas em meio a uma cena ainda machista), o que o Sepultura foi no meio dos anos oitenta para frente ou os gaúchos do Krisiun atualmente, fazendo todos sentir que sonhar é possível.

Setlist Nervosa:

Horrordome
Hostages
Kill the Silence
Raise Your Fist!
Masked Betrayer
Never Forget, Never Repeat
Guerra Santa
Into The Moshpit

Antes de mais nada, devo ser categórico ao dizer que não existe show do Krisiun que seja ruim ou meia boca pois os caras estão num nível tão elevado que é impossível descer degraus! Já devo ter assistido a uns 17 shows deles e NENHUM deles me decepcionou pois os caras além de manjar muito do riscado, dão uma verdadeira aula de brutalidade, técnica apurada e presença de palco. Aqui não foi diferente, os irmãos simplesmente entraram no palco com o público (já quase lotando a casa) na mão. Luzes e som impecáveis só ajudaram a coroar esses gaúchos que são motivo de orgulho para todos os fãs brasileiros da música extrema. Não são apenas mais uma banda de Brutal Death Metal pois é nítido que eles tem algo a mais que realmente chama a atenção até mesmo dos fãs não tão chegados ao estilo. Talvez isso se dê pelo dinamismo e pela técnica nos seus instrumentos, especialmente Moysés Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria) que são verdadeiros monstros prontos para fazer com quem iniciantes brochem ao saber que jamais vão chegar nem perto do nível deles. É covardia demais (risos).

Voltando ao show, a banda no palco é como um rolo compressor esmagando crânios um atrás do outro sem nenhum pingo de dó. Praticamente por todo o set o público se destroçava em rodas brutais, alguns poucos stage divings (poucos pois no que se viu no Brujeria foi algo fora de série), mas todos embasbacados com o que o trio emana no palco. Parecem verdadeira máquinas de guerra! BRILHANTES!

Alex Camargo (vocal/baixo), como sempre, mostrou toda sua gratidão perante seus fãs agradecendo muito os presentes, até se ajoelhando ao público que gritava insanamente pelo nome da banda, e não perdeu tempo em descer o sarrafo na igreja e na política, especialmente no atual presidente, chamando-os de “mentiras” e outras “cossitas mas”, que ao meu ver são desnecessárias, principalmente quando o assunto é política. Mas, como não misturo as coisas, isso não é problema meu (risos).

Clássicos atemporais aniquiladores da música extrema de qualidade deram as caras em todo o set. Faixas “Kings Of Killing”, “Ravager”, “Descending Abomination”, as estupendas faixas “Combustion Inferno” e “Blood Of Lions”, que agitaram muitos os presentes, faixas mais novas como “Scourge Of The Enthroned” e “Demonic III” (está dedicada aos caras do Ratos de Porão), e a trinca infernal com “Apocalyptic Victory”, “Vengeance’s Revelation” e (a aclamadíssima) “Black Force Domain” fechou a avalanche sonora de uma forma brutal como de costume.

Setlist Krisiun:

Kings of Killing
Ravager
Combustion Inferno
Scourge of the Enthroned
Blood of Lions
Descending Abomination
Demonic III
Apocalyptic Victory
Vengeance’s Revelation
Black Force Domain

Com 40 minutos de atraso, onde muitos protestaram, e um Carioca Club abarrotado, o Brujeria fez um dos melhores shows que vi esse ano, e não foram poucos que assisti não! Tudo conspirou para que tornasse essa noite memorável. Som, luz, banda, público, setlist, energia, adrenalina, milhares e milhares de stage divings, rodas violentas que pegavam por todo o ambiente, e muita, mas muita diversão. Sim, isso mesmo!

Já vi shows insanos onde o stage diving foi liberado, mas esse foi algo fora do comum, pois não existia seguranças! Não passava nem 1 minuto e já tinha uns trocentos loucos no palco, pulando, interagindo com a banda, tirando fotos, se jogando de volta como se fosse a casa da sogra. Uma verdadeira baderna generaliza! Pena que alguns (infelizes) aproveitavam essa chance de ouro para se divertir e faziam críticas políticas, mas como já disse, não me importo (risos). Inclusive uma garota insistia em subir no palco e fazer o gesto de “Lula Livre” xingando o atual presidente Jair Bolsonaro, até que um dos roadies se irritou e literalmente jogou-a de volta para o público sem nem querer saber se ficou viva para contar a história (risos). Foi muito engraçado!

A mulherada deu um show! Sim, marmanjos, chupem! Elas dominaram o palco e mostraram como se faz (risos). E a banda gostou pois abraçava, chamava para cantar junto, interagia e não se incomodava em nada com a anarquia implantada. Até mesmo dividiu um belíssimo baseado com um fã da plateia (risos).

Juan Brujo (vocal), Sangron (vocal), El Criminal (guitarra, Anton Reisenegger, do Criminal/Lock Up), Hongo Jr. (bateria, Nick Baker, do Lock Up/ex-Dimmu Borgir, ex-Cradle Of Filth e ex-uma porrada de bandas) e Hongo (baixo, Shane Embury, do Napalm Death), fizeram pegaram o que restou do show do Krisiun e dizimou tudo em chamas! Com muito bom humor, misturado com muito ódio (quem disse que a combinação não róla?), derrubaram o Carioca Club!

Seria uma injustiça minha colocar algo como destaque pois o show todo foi de uma energia descomunal, mas “La Ley de Plomo”, La Migra”, “Marcha de Odio”, “Revolucion”, “Brujerismo”, “Colas de Rata”, “Raza Odiada (Pito Wilson)” e “Matando Gueros”, o clássico dos clássicos da banda, tiveram um ‘cisquinho’ a mais de frenesi pelo que pude notar. Nick Baker e Shane Embury, me desculpem mas vou chamá-los pelo nome e não pelos apelidos, formam uma das cozinhas mais brutais e pesadas do Grindcore mundial. Shane, que com seu jeito peculiar de tocar usando os dedos praticamente no braço do baixo (que aqui tinha leds verdes nas escalas), tem uma presença de palco amedrontadora e imponente por conta de seu “porte” físico, mesmo ao lado de dois “terroristas revolucionários mexicanos” (Juan Brujo e Sangron).

Sangron interagiu bem mais com a plateia, mas Juan Brujo protagonizava momentos muito engraçados com dancinhas descabidas, facões anárquicos, discursos indecifráveis e todo tipo de zoeira que viesse a sua cabeça, mesmo mais centrado e sem se locomover muito. Quem já viu a banda sabe que ele sempre foi assim, e tem essa presença de palco como uma forma de “personagem”. E funciona, viu?! Anton, por sua vez, mostrou ser um guitarrista a altura de Dino Cazares (ex-guitarrista/Fear Factory), pois soube como ninguém destrinchar riffs ultra pesados que, mesmo sendo até certo ponto simples, causam um impacto fulminante no ouvinte. Uma das coisas que me fazem brochar num show é quando o som da guitarra não está similar aos álbuns gravados, o que não foi o caso aqui, ainda bem, pois estavam P-E-R-F-E-I-T-O-S! Tudo isso somado a excelente equalização do baixo e da bateria, não deixando que nada se sobressaísse ou sumisse/embolasse. Ponto para os técnicos, também!

O que falar do clássicos visceral “Matando Gueros”? Muito aguardada e pedida por todos é um convite a loucura num show da banda. O que se viu na pista nessa hora mais se parecia como uma Faixa de Gaza! Dava medo! Era porrada atrás de cacetada, mas tudo “amigavelmente” (risos). Gente caindo, se jogando e levantando, abraçando o “companheiro” que acabou de cair de cabeça de um stage diving “torto” e etc. Pensa que terminou? Não!!! “Marijuana”, uma paródia pesadíssima de “Macarena”, tocada em playback com Juan Brujo cantando ao vivo junto com nada menos que uns 30 fãs que subiram no palco para “cantar” e “dançar” junto com ele num momento mágico, cômico e inesquecível!

Quem disser que não podemos nos divertir num show de Grindcore/Death Metal é porquê fica cagando regra na internet, assistindo “show no youtube” e se achando o entendedor ao invés de ir a um (baita) show como foi esse!

Parabéns a organização do Kool Metal Fest 2019, vocês também deram um show!
Agradecimentos especiais à Erick Tedesco e Tedesco Comunicação & Mídia pelo credenciamento, parceria, cordialidade e amizade de sempre!

Setlist Brujeria:

Cuiden A Los Niños
La Ley de Plomo
American Czar
Lord Nazi Ruso
Hechando Chingasos
La Migra
Satongo
Desperado
Anticastro
Marcha de Odio
Revolucion
Brujerismo
Angel Chilango
Consejos Narcos
Colas de Rata
Raza Odiada (Pito Wilson)
No Aceptan Imitaciones
Matando Gueros
Marijuana

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