Crypta – “Echoes Of The Soul” (2021)

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Crypta“Echoes Of The Soul” (2021)
Napalm Records | Dynamo Records
#DeathMetal

Para fãs de: Morbid Angel, Death, Immolation, Immortal, Deicide

Nota: 9,0

Duas coisas são desnecessárias numa avaliação do álbum de estreia da Crypta: 1) Falar ou comparar com o passado das meninas, especialmente Fernanda Lira (vocal/baixo) e Luana Dametto (bateria) e 2) Fazer comentários como “as minas arregaçam”, “nem parecem mulheres tocando”, “colocam muito marmanjo no chinelo” ou outras merdas do tipo, porquê isso é coisa de Zé ruela que paga de politicamente correto na internet, mas não passa de um calhorda machista enrustido que pensa SIM besteiras.

Dito isso, vamos ao que interessa.

Que era um dos álbuns mais aguardados no Brasil, junto com o da Nervosa, por razões óbvias, ninguém é xarope em discordar, mas termos os dois petardos simplesmente majestosos lançados no mesmo ano foi uma tremenda covardia (risos).

“Echoes Of The Soul” é aquele álbum que lava a alma dos fãs mais Old School do Death Metal tipicamente calcado no que as bandas Morbid Angel e Death faziam com maestria nos anos 90, incorporando algumas influências e sonoridades de outras bandas mais extremas, como por exemplo o Immortal, e até mesmo mais antigas como o Discharge. É para matar a velha guarda do coração ou não é?

Os vocais de Fernanda Lira estão ainda mais sufocantes, aniquiladores e trucidadores, aqueles que rasgam o tímpano dilacerando a carne como navalha afiada numa versão feminina e atualizada do mestre Chuck Schuldiner, com algumas pitadas de Dani Filth do Cradle Of Filth, talvez sua maiores influências como vocalistas do estilo. Não entendam isso como cópia ou mais do mesmo, o negócio aqui é poderoso demais para tecer um comentário tão babaca como esse.

São dez faixas pesadíssimas como uma hecatombe nuclear em nossos ouvidos e graças a produção, mixagem e masterização certeiras deixam todos os instrumentos escancarados, cristalinos e nítidos com os dois pés fincados na sonoridade Old School do estilo sem soar nada, absolutamente nada datado.

Muita melodia nos riffs e solos soberbos de guitarra da dupla Sonia Anubis e Tainá Bergamaschi, que eu tenho certeza que dará muito o que falar! Não conhecia esse lado mais extremo da Sonia, apenas o Burning Witches que não tem nada a ver com Death Metal.

Audição de todas as faixas prende o ouvinte do começo ao fim, e quando acaba uma a gente vai ansiosamente esperando outra tão brutal quanto antes e assim por diante. E bingo! Paulada na fuça, uma atrás da outra sem dó nem piedade.

Luana Dametto parece como um rolo compressor esmagador e destruidor de crânios, mostrando ser uma das bateristas mais técnicas do Death Metal na atualidade, mudando de andamento diversas vezes com inteligência e facilidade incríveis!

“Starvation” e “Possessed” são duas faixas grosseiras, cavalas e perturbadoras demais, indo na linha Death/Black Metal como dois arrasa quarteirões viciantes. “Death Arcana”, que é uma mescla bem nivelada de Morbid Angel com Death, deixaria Chuck muito orgulhoso se estivesse entre nós, é sem dúvida uma das melhores do disco na minha opinião! “Shadow Within” já me lembra um pouco mais o Immortal com Deicide num verdadeiro esculacho (positivamente falando) de música! Arregaço! “Under The Black Wings”, se você fechar os olhos escutará o Death purinho tocando, numa mescla bem equilibrada das duas fases da banda, a esporrenta com a mais técnica, mas com muita propriedade das meninas, deixemos isso bem claro! Aprenderam direitinho! Já “Kali” é uma boa mistura também de Immortal, Immolation com Discharge, numa sonoridade mezzo Death e Black com uma sujeira e velocidade Punk, Hardcore. Uma cacetada! Essa sonoridade mais extrema e suja também se encontra na pancada “Blood Stained Heritage” que mantem a fúria em evidência, mas o riff da poderosa “Dark Night Of The Soul”, que eu aguardava ansiosamente pois Sonia havia compartilhado em seu instagram muitos meses atrás e eu ficava o ouvindo incessantemente, simplesmente quebrou tudo! Me arrisco a dizer que é o melhor riff de todo o álbum (existem alguns outros meio similares até, mas esse aqui matou a pau!) e um dos melhores que ouvi esse ano! “From The Ashes”, primeiro single lançado, fecha o álbum de forma primorosa e após o ultimo segundo da faixa você, com certeza, pensará: “Takeupariu que disco foda! Vou ouvir de novo!”

Death Metal é isso, não tem mais o que inovar, e nem precisa, pois Chuck já fez isso, mas manter o nível elevado como a Crypta faz é motivo de orgulho demais!

Quando eu as encontrar, e espero que seja logo, não vou nem falar “e aí doidas”, só vou bater palmas, aí depois cumprimentarei (risos). Só não vou dar 10, não por culpa delas, mas por quê não temos a faixa extra japonesa na edição nacional e acho isso um insulto (risos).

 Johnny Z.

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