Wednesday 13 – “Mid Death Crisis” (2025)

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Wednesday 13 – “Mid Death Crisis” (2025)

Napalm Records | Shinigami Records
#HorrorPunk #GlamMetal #DeathRock #GhoticRock

Para fãs de: Rob Zombie, Murderdolls, Avatar, Mötley Crüe, Misfits

Texto por Johnny Z.

Nota: 9,0

Confesso que não conhecia o Wednesday 13, e com Mid Death Crisis fiquei com a sensação de já ter ouvido algo assim antes: um som debochado, macabro (que não assusta mais ninguém atualmente, sejamos francos), moderno, com uma pegada sólida e, ao mesmo tempo, densa e divertida. Se o Misfits fosse mais moderno e cheio de humor negro, deboches e pitadas de glam metal aqui e ali, seria o Wednesday 13.

A introdução, “There’s No Such Thing As Monsters”, já cria aquele clima de filme B — sombrio, arrastado, quase teatral. Mas é quando entra “Decease and Desist” que tudo pega fogo de vez. Riffs cortantes, vocais ácidos e uma energia que remete àquela mistura gostosa de Mötley Crüe com Misfits. É puro veneno embalado em couro preto e olhos esbugalhados.

O álbum transita entre a farra e a morbidez com uma fluidez impressionante. Faixas como “When the Devil Commands” e “No Apologies” — esta última com a participação de Taime Downe (Faster Pussycat) — me pegaram logo de cara. Sabe aquele refrão que gruda na mente e você se pega cantando no banho, no carro, até na fila do mercado? Pois é. Wednesday 13 tem esse dom: transformar caos e podridão em hits cativantes.

Mas o que mais me surpreendeu foi a diversidade do disco. “Decapitation”, por exemplo, mistura punk acelerado com vocais dramáticos e até elementos daqueles grupos americanos que misturam vozes em harmonias complexas e envolventes com sílabas meio sem sentido (risos), ou seja, uma doideira (risos). E não tem como ignorar “Xanaxtasy”, densa, quase industrial, retratando a luta contra vícios de forma visceral.

Tem também espaço para o peso emocional. “In Misery” é uma daquelas faixas que machucam com beleza. É gótica, melancólica e, ao mesmo tempo, poderosa. “I Hurt You” vem na sequência, ainda mais dolorida, como se rasgasse o peito com uma navalha poética. Esses momentos mais introspectivos quebram a expectativa e mostram que nem só de zumbis e maquiagem vive o frontman — tem alma ali, pulsando.

Para quem curte aquele horror punk direto na veia, “Blood Storm” e “Sick and Violent” são hinos. Ambas trazem aquele espírito de porão sujo e mosh pit desgovernado. Já “My Funeral” é teatral, lenta, quase um ritual — um adeus que mais parece uma invocação. Fecha o disco de forma sombria e elegante, como todo bom funeral deve ser.

No geral, Mid Death Crisis é exatamente o que o título sugere: um colapso no meio do caminho — mas estiloso, barulhento e cheio de personalidade. Não é sobre reinventar a roda, mas sobre girá-la com força, espalhar faíscas e deixar marcas, mesmo sem se arriscar a se perder na fórmula que parece estar dando certo.

Sabe o que é mais legal? Temos aqui um álbum que é puro entretenimento mórbido — e eu adorei cada minuto dessa viagem, como se fosse uma volta estúpida ao cemitério junto aos seus amigos — já velhos — mas contando as mesmas piadas (risos).

É disco para ouvir alto, de preferência à noite, com as luzes apagadas e um sorriso sádico no rosto. Não seja um tr00zão achando que é um lixo sem antes ouvi-lo, pois você vai se surpreender com a qualidade, a pegada e a ousadia. Tem peso, tem humor, tem personalidade — e não está nem aí para as regras. É o tipo de álbum que divide opiniões, mas conquista quem se permite sair da caixinha e apenas sentir o impacto.

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