
Banda principal: Angra
Banda de abertura: Allen Key
Local: Circo Voador, Rio de Janeiro/RJ
Data: 01/07/2022
Produção: Top Link Music
Texto por Will Menezes
Fotos por Gustavo Maiato
O Circo Voador, com sua tradicionalidade e pluralidade, se impõe ao lado dos Arcos da Lapa como um baluarte de resistência para o rock e heavy metal no Rio de Janeiro. Esse foi o cenário que recebeu o Angra em um show de comemoração de 20 anos do lançamento de um dos álbuns mais importantes da sua história.
A abertura ficou por conta dos paulistas da Allen Key, que tem ascendido na cena e abrindo para grandes nomes, como Tarja Turunen e Shaman. A banda foi muito bem recebida pelo público, e a voz de Karina Menasce e o instrumental bem amarrado trouxeram o ar progressivo para começar a aquecer a noite fria de julho.
Ainda antes das 22:00 as luzes se apagaram, e a harmonia de “Crossing” se ergueu em meio ao delírio de um Circo Voador completamente lotado. Para um local que já recebeu bandas como Luca Turilli’s Rhapsody, Primal Fear, Sonata Arctica e Children of Bodom com menos da metade da sua lotação, casa cheia para o Angra realmente mostrou o carinho dos fãs pelo “Rebirth”, e a sede do público pelo bom e velho metal ao vivo.
A banda entrou com “Nothing to Say”, explodindo o teto da casa com o público cantando como se fosse a última noite das suas vidas; sem tempo para respirar, “Black Widow’s Web” veio logo em seguida. Produção impecável, diga-se de passagem. Alguns acertos foram feitos no meio do caminho, como o ajuste de volume para a voz e guitarra do Rafael, mas nada que comprometesse o show.
Sem tempo para respirar, as luzes se apagaram para o som lúgubre de “In Excelsis” preencher o Circo. A partir de então, a banda executa o aclamado álbum “Rebirth” na íntegra. Sinceramente? Foi magistral. Um grande show para um álbum maravilhoso. De “Nova Era” à “Running Alone”, a banda conduziu com energia e força um show que aqueceu com nostalgia e saudade até os corações mais frios. Destaque para as duas participações que, particularmente, fizeram toda a diferença na noite. O tecladista Dinho Lima, que assumiu as teclas com competência e vivacidade, e o incrível Guga Machado, multi-instrumentista responsável pelas nuances regionais de percussão, pandeirolas e até berimbaus, além de uma presença de palco e empolgação fantásticas.
A noite estava maravilhosa. Perfeita. Por isso, gostaria de dividir a resenha aqui, e encerrar a primeira parte dizendo que, até aqui, foi tudo que cada fã naquele lugar esperava. Encerrado o “Rebirth”, a banda buscou explorar os álbuns posteriores, trazendo uma música de cada trabalho, e foi aqui que as coisas esfriaram um bocado. Sons como “The Course of Nature”, “Rage of the Waters” e “Upper Levels” definitivamente não convenceram o público, e sinceramente, outras escolhas poderiam ter representado muito melhor os álbuns e o momento. Nem músicas consagradas como “Metal Icarus” e “The Shadow Hunter” convenceram completamente, já que Lione estava claramente desconfortável com os vocais aqui. Trechos das músicas ficaram completamente lacunados, cantados uma oitava abaixo, sem alcance, ou sem a interpretação necessária, o que foi uma pena.
O Angra parece lidar com um dilema há muitos anos. A banda tem nos seus vocais o nome de um titã absoluto para o heavy metal como conhecemos hoje; o trabalho e trajetória de Fabio Lione são absolutos. Mas no Angra, o mago criou um novo ponto de desvio, onde um grande nome do metal precisa ser esticado sobre uma forma que não parece ser absolutamente confortável para ele. Ao trilhar uma nova fase, tudo ok, mas ao revisitar o passado (o que é fundamental, vide os shows “sold out” na turnê de 20 anos do “Rebirth”, mas as casas apenas “meio cheias” na turnê do “Secret Garden” e do ‘Omni”) tudo parece desandar.
Ainda, Lione parece ainda não ter aprendido trechos das letras de músicas importantíssimas para a banda. No início era até aceitável, mas após tantos anos de banda, isso começa a soar muito, muito mal.
Por fim, “Unfinished Allegro” prenunciava aquela que encerraria o show. Foi o momento em que o público ressurgiu das cinzas para cantar “Carry On” a plenos pulmões. Foi um show maravilhoso. Reviver o “Rebirth” foi incrível, e a condução do Angra nessa viagem foi belíssima. A segunda metade do show deixou muito a desejar, mas ainda assim o saldo foi bastante positivo, e certamente os fãs saudosistas saíram satisfeitos dessa noite.
Agradecimentos a Rê Reis (Circo Voador) e Isabelle Mirannda (Angra/Top Link).
Setlist Angra:
Crossing / Nothing to Say
Black Widow’s Web
“Rebirth”
In Excelsis
Nova Era
Millennium Sun
Acid Rain
Heroes of Sand
Unholy Wars
Rebirth
Judgement Day
Running Alone
Visions Prelude
The Course of Nature
Metal Icarus
The Shadow Hunter
The Rage of the Waters
Bleeding Heart
Upper Levels
Unfinished Allegro / Carry On































