Entrevista com o Válvera, banda paulista de Groove/Thrash Metal

Válvera, banda paulista de Groove/Thrash Metal - Reprodução
Compartilhe

Entrevista com o Válvera, banda paulista de Groove/Thrash Metal

Em 30/01/2026, a banda paulista Válvera lançou Unleashed Fury, quarto disco completo de sua carreira. O sucessor do álbumCycle of Disaster (2020) chegou, portanto, após um hiato de quase seis anos. Atualmente, Rodrigo Torres (guitarra), Glauber Barreto (vocal e guitarra), Gabriel Prado (baixo) e Vitor Bonati (bateria) formam o line-up doVálvera.

Unleashed Fury (leia a resenha do Metal Na Lata) trouxe importantes mudanças na sonoridade do Válvera, dessa forma, agregando elementos de Metal mais moderno a sua música. A fim de saber mais, entrevistei os membros do Válvera. Confira nosso bate papo logo abaixo:

Válvera, banda paulista de Groove/Thrash Metal – Reprodução

Conversando com Válvera

Primeiramente, parabéns pelo lançamento de Unleashed Fury.

Metal Na Lata: desde que lançou seu álbum de estréia, Cidade em Caos, Válvera não usou fórmulas repetidas, gravando suas composições sem “autoplágio”. No entanto, no registro atual, o Heavy/Thrash de outrora praticamente saiu de cena, dando lugar ao Groove Metal. Ou seja, dessa vez ocorreu uma mudança radical na sonoridade do quarteto. Enfim, o que levou a banda a essa total metamorfose em seu estilo musical?

Glauber:

“Na verdade, eu não vejo como uma mudança radical. O thrash metal continua sendo a base do Válvera e faz parte da nossa identidade desde o começo. O que aconteceu foi uma evolução natural. Conforme fomos amadurecendo como músicos e compositores, passamos a incorporar influências que sempre fizeram parte das nossas referências, como Machine Head, Trivium, Slipknot, Malevolence e outras bandas do metal moderno.”

“Nunca entramos no estúdio pensando em fazer um disco de groove metal ou qualquer outro rótulo. Nosso foco sempre foi escrever as melhores músicas possíveis. Se uma ideia pedia mais peso, mais dinâmica ou um groove diferente, nós seguíamos esse caminho sem medo. Acho que a personalidade da banda está justamente nisso: respeitar nossas raízes, mas nunca ficar presos a uma fórmula. Queremos que cada álbum tenha sua própria identidade, mantendo a essência do Válvera.

Mudanças na sonoridade

Metal Na Lata: conheço bem todos os álbuns da discografia e é sabido que o estilo do Válvera mudou, porém a competência musical permanece a mesma. Dito isso, como as mídias especialistas, assim como os fãs da banda, receberam essa completa mudança de proposta da banda?

Rodrigo:

“Quando vamos fazer um álbum pensamos em como ele vai soar ao vivo junto com as músicas que já temos no setlist e na nossa carreira, então o encaixe foi perfeito. Sendo assim temos tido ótimo feedback dos nossos fãs e da mídia especializada em relação esse disco novo porque apesar das diferenças entre os álbuns o nosso DNA está ali.”

Causas da demora no lançamento do novo álbum

Metal Na Lata: os hiatos entre os lançamentos anteriores foram de 2 e 3 anos, ao passo que seis anos separam Unleashed Fury e Cycle of Disaster. Qual foi a causa desse intevalo mais prolongado?

Glauber:

“Foram vários fatores. Tivemos a pandemia, que mudou completamente a realidade das bandas e acabou interrompendo muitos planos. Depois veio o processo de retomada dos shows, das turnês e de toda a estrutura da banda.”

“Mas esse tempo também foi importante porque não queríamos lançar um álbum apenas para cumprir um calendário. Preferimos esperar até sentir que tínhamos um trabalho que realmente representasse quem somos hoje. Aproveitamos esse período para amadurecer as composições, testar ideias, lapidar os arranjos e fazer um disco do qual pudéssemos nos orgulhar. Olhando para trás, acredito que esse tempo fez muito bem para o resultado final de Unleashed Fury.”

Válvera adotou o Groove Metal como seu estilo em definitivo?

Metal Na Lata: vocês pretendem que seja o Groove Metal, em definitivo, o novo direcionamento artístico do Válvera ou ainda é muito cedo para responder isso?

Vitor:

“Acho que não. Pra mim o Válvera continua sendo Neo Thrash. A gente só foi colocando umas influências mais modernas nas músicas, e o groove faz parte disso também.”

Sobre a turnê europeia de 2025

Metal Na Lata: mudando um pouco o foco da entrevista, o que contam a respeito da turnê européia de 2025? Há planos para fazer outra semelhante em breve?

Gabriel:

“A turnê de 2025 foi muito interessante por vários motivos: fizemos uma rota completamente diferente, já que as anteriores (2018 e 2023) foram rumo ao leste europeu, mas esta fizemos em direção ao oeste, terminando em Portugal; assim como foi a primeira experiência do Válvera em uma turnê ao lado de outra banda, Rats of Gomorrah. Mas o que mais marcou foi emendar o fim de turnê com o nosso show no Bangers, na minha opinião, isso foi perfeito! E temos planos pra mais uma turnê em 2027.”

Válvera, banda paulista de Groove/Thrash Metal – Reprodução

Divulgação de Unleashed Fury

Metal Na Lata: aliás, além do evento de lançamento que aconteceu em fevereiro na Burning House, como estão os shows de divulgação de Unleashed Fury?

Gabriel:

“Nós precisamos tirar um tempo pra reorganizar nosso planejamento, logística, estratégias e afins, assim como poder preparar mais coisas pra agregar no nosso show; mas já temos algumas datas definidas, e junto a essas datas, tem também a turnê 2027.”

Cronologia das gravações do novo disco

Metal Na Lata: voltando ao novo álbum, é certo que as músicas “Reckoning Has Begun” e “Crawl to the Dawn” foram os singles do atual lançamento. Entretanto, ambas foram gravadas separadamente ou junto com as demais faixas do tracklist?

Rodrigo:

“‘Reckoning Has Begun’ foi gravada um pouco antes que as outras músicas, acredito que 4 meses antes, mas tomamos o cuidado de tirar fotos e anotar cada detalhe dos amplificadores, peças de bateria e regulagem de equipamentos pra termos um som coeso dentro do álbum e acredito que conseguimos atingir esse objetivo.”

Temática lírica de Unleashed Fury

Metal Na Lata: as letras das composições do novo disco seguem o mesmo estilo dos antecessores ou há alguma novidade nas temáticas?

Glauber:

“Existe uma continuidade, porque o Válvera sempre escreveu sobre conflitos humanos, questões sociais e desafios da vida. Mas acredito que Unleashed Fury aprofunda essas reflexões de uma forma mais pessoal.”

“O álbum fala sobre perda, culpa, saúde mental, arrependimento, reconstrução e, principalmente, sobre preservar a própria identidade em um mundo que tenta nos moldar o tempo todo. Não é um disco sobre raiva pela raiva. A fúria aparece como um ponto de partida para transformação.”

“Acho que esse é o grande diferencial do álbum. Em vez de apontar apenas para problemas externos, ele também convida o ouvinte a olhar para dentro. Cada música aborda uma história diferente, mas todas se conectam por essa busca de permanecer fiel a quem somos, mesmo diante das dificuldades.

Indicando uma música para começar a conhecer o novo disco

Metal Na Lata: quando escrevi e publiquei a resenha de Unleashed Fury no Metal Na Lata, elegi “Crawl to the Dawn” como minha favorita do registro. Mas e vocês, se tivessem que indicar uma faixa inicial para quem ainda não conhece o álbum e vai ouvir pela primeira vez, qual seria?

Vitor:

“Escuta ‘Faceless’. É uma música muito louca. Ela passa um sentimento estranho quando você ouve. Uma hora é porrada pura, aí do nada você entra numa viagem meio psicodélica. Fora os breakdowns, que são absurdos e não deixam ninguém ficar parado sem bater cabeça. Pra mim, é uma das músicas mais doidas do álbum.”

Evolução musical da banda

Metal Na Lata: como vocês avaliam a evolução musical do Válvera desde que o mesmo iniciou suas atividades em 2010 até o momento atual?

Rodrigo:

“A evolução musical nossa é algo que me deixa muito feliz toda essa experiência e esforço que colocamos na estradas e anos a fio praticando nossos instrumentos trouxeram para nós a capacidade técnica para nos expressarmos artisticamente da melhor maneira. Após várias turnês e incontáveis horas dentro do studio posso afirmar que estamos prontos para o que vier na nossa carreira.”

Metal Na Lata: agradeço ao Válvera pela entrevista e espero ter novidades sobre o quarteto o quanto antes.

Válvera, banda paulista de Groove/Thrash Metal – Reprodução
Compartilhe
Assuntos

Veja também