
Título: “Sepultura: 1984-1998: Os Primórdios”
Autor: Sílvio “Bibika” Gomes e André Barcinski
Páginas: 232
Editora: Estética Torta
Ano: 2021
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Segunda edição, ou melhor, reedição, de um dos livros voltados a uma banda de Metal nacional que se você já não leu pelo menos umas 5 vezes quando originalmente foi lançado (1999), lerá agora que a Editora Estética Torta enfim relançou-o, já que a a primeira edição encontrava-se fora de catálogo há um bom tempo.
Para quem já leu a primeira edição, notará um belíssimo upgrade na parte visual (inclusive a excelente capa, pois a original era bem meia boca), pois temos agora muitas fotos e imagens nunca antes disponibilizadas bem como novos comentários do faz tudo na época, e grande amigo do Sepultura, o autor Sílvio “Bibika” Gomes, engrandecendo ainda mais esse relançamento. O jornalista André Barcinski foi o responsável pelo desenrolar da história de uma forma jornalística que merece um belo elogio aqui.
Sua leitura é de extremo bom gosto, fácil assimilação e numa linguagem praticamente como se estivéssemos ouvindo as histórias diretamente dos autores, o que com toda certeza você destrinchará toda a obra num único dia de tão gostoso é ir crescendo junto com a história da MAIOR BANDA que o Metal nacional teve o prazer de nos dar, ou seja, a banda que abriu todas as portas do Brasil para a sonoridade que tanto amamos.
Sim, os shows do Queen (1981) e Kiss (1983) e principalmente o Rock In Rio I, de 1985, foram os fatores primordiais para os brasileiros mergulharem no Rock e Metal, mas foi com o Sepultura – principalmente com os álbuns “Schizophrenia” (1987) e “Beneath The Remains” (1989)” – que o Metal pesado se expandiu de dentro para fora e de fora para dentro do país. O que falar da explosão mundial que veio depois em “Arise” (1991), “Chaos A.D” (1994) e “Roots” (1996) nem precisa ser comentado aqui, todos sabem de traz pra frente e de ponta cabeça.
O que Max Cavalera (vocal/guitarra), Igor Cavalera (bateria), Paulo Junior (baixo) e Andreas Kisser (guitarra) fizeram foi simplesmente merecedor de bustos, honrarias e placas de agradecimento em cada canto do país, fazendo com que fossemos reconhecidos não só por causa do carnaval, Pelé e coisas ruins que assombravam (assombram) nosso país. O mundo abriu as portas ao Metal do Sepultura e passou a dar muito mais atenção ao que vinha daqui.
Essa façanha não foi nada fácil, e em “Sepultura: 1984-1998 – Os Primórdios” tudo é contado de uma forma completa, correta, cronológica sem poupar ninguém e principalmente desmistificando certos assuntos que ficaram encrustados na história para boi dormir dentro dos headbangers.
Todos os músicos (ou não) que passaram pela banda desde o dia 1 em Santa Teresa, Minas Gerais, com guitarras que ligavam por um interruptor de luz, bateria com vassouras e panelas, mudanças de formação, crescimento vertiginoso de álbum após álbum, curiosidades das criações e gravações, contratos de gravadoras, piratarias, fatos importantes com gravadoras, bebedeiras, acidentes, tragédias, a fatídica e traumática separação em 1996 até a entrada de Derrick Green, com posterior lançamento do álbum “Against” onde a banda juntou forças e os cacos para seguir em frente, tudo foi contado de uma forma espontânea, com muito bom humor e prazerosa de se ler. O leitor vai lendo e vai se colocando nas determinadas épocas, lembrando de muitos passos e casos ocorridos – principalmente os que cresceram junto com a banda como esse quem vos fala – e tudo vai fluindo de uma forma rápida que te insere dentro da história como você fosse um personagem da mesma. Nenhum outro livro de fará isso com tanta intensidade como esse, por mais que você ame, conheça e tenha acompanhado outras bandas.
Como dito anteriormente, os novos comentários de “Bibika”, inseridos de forma genial no texto original foi uma sacada primordial para deixar o que já era excelente ainda melhor! Todas as fotos extras e inéditas (em branco e preto, talvez minha única reclamaçãozinha-zinha-zinha que não atrapalha em nada, deixando bem claro) foi a cereja do bolo que faltava para explodirmos nossa glicemia a níveis colossais.
Se não leu, corra e corrija esse erro, se já leu, releia e aproveite essa nova experiência visual e de conteúdo proporcionado pela Editora Estética Torta, pois vale cada centavo pago. E sim, você lerá em no máximo dois dias e vai querer ler mais vezes num curtíssimo espaço de tempo.
Claro que após 1998, onde o livro acaba tivemos muita coisa na história da maior banda brasileira de metal que já existiu, altos e baixos, baixos e altos, reformulações, crescimentos novamente, inclusive até outra biografia que abrange esse período foi lançada, mas essa aqui se for fazer uma comparação (sem querer soar desrespeitoso – juro que não ha ha ha) seria como um apartamento luxuoso de 3 andares em Paris de frente para o Arco do Triunfo contra um quitinete de 20m2 na Praça da República ao lado de algum prostíbulo de quinta categoria com cheiro de creolina insuportável.
Obrigado Sepultura, hoje e sempre!
Gostaria de colocar aqui nossas sinceras condolências a Andreas Kisser, filhos e família, pela perda precoce de sua esposa Patrícia Perissinotto Kisser. Muita força e luz à todos nesse momento tão triste. Força Alemão, Yohan, Giulia, Enzo e família.
Johnny Z.









