Destruction – Carioca Club, São Paulo/SP (06/10/2024)

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Destruction – Carioca Club, São Paulo/SP (06/10/2024)

Produção: Estética Torta
Banda de abertura: Válvera

Texto, fotos e vídeo por Johnny Z.

Antes de mais nada, assistir presencialmente a um show de uma lenda, especialmente quando se trata de uma das suas bandas favoritas, é sempre um prazer imensurável. Unir paixão e trabalho costuma render ótimos resultados, ao contrário do que muitos dizem por aí. E isso é algo que levo comigo em todos os eventos que cubro, o que me faz sentir extremamente realizado. Então, vamos lá! Boa leitura!

A banda mineira Sextrash estava escalada para abrir todas as datas da turnê brasileira do Destruction, chegando a realizar alguns shows antes de São Paulo. No entanto, de acordo com uma publicação no Instagram da banda, houve algum tipo de problema entre eles e a organização, algo sobre o qual não cabe a nós opinar. Por conta disso, a banda se retirou desse e de todos os demais shows da turnê sendo substituída (somente em São Paulo), aos 45 minutos do segundo tempo, pela banda Válvera. Também uma ótima escolha para isso, diga-se de passagem.

Com sua sonoridade híbrida de Heavy com Thrash Metal, os paulistas do Válvera, ainda divulgando seu último trabalho completo, o excelente “Cycles Of Disaster” (2020), nos brindaram nessa abertura com um gostinho do que está por vi, já que o quarteto formado por Glauber Barreto (vocal/guitarra), Rodrigo Torres (guitarra/backing vocals), Gabriel Prado (baixa) e Leandro Peixoto (bateria) estão prestes a lançar seu quarto e novo álbum.

Era nítida a alegria nos rostos dos quatro músicos por terem tido a oportunidade, mesmo que às pressas, de subir no palco do Carioca Club nessa noite. Apesar do set curto, eles entregaram uma performance com muita simpatia, intensidade, energia e dedicação, ou seja, entrega plena como se estivessem em um grande festival europeu. Está aí a diferença de “bandas” e “BANDAS”!

Aliás, está demorando para o mundo descobrir o talento desses caras, mais uma grande banda que surge dessas terras. Com um show eletrizante, ligado nos 220v, e um público relativamente muito bom, eles conseguiram, com maestria, esquentar os ânimos.

Faixas excelentes como “Bringer Of Evil”, “The Damn Colony”, e a pancada “Demons Of War” incendiaram o ambiente. E ainda houve a inédita “Reckoning Has Begun”, que com certeza será um dos carros-chefes do novo trabalho, já que funcionou muito bem ao vivo. Vale um destaque especial ao baterista Leandro Peixoto, que, de acordo com muitos comentários dos presentes, é simplesmente um monstro no instrumento!

Setlist Válvera:

The Skies Are Falling
Bringer of Evil
The Damn Colony
Reckoning Has Begun
Nothing left to burn
Demons of War

Enfim, após um breve intervalo para a montagem do palco, eis que surge a lenda alemã do Thrash Metal mundial, o Destruction, mesmo que tenha apenas Schmier (vocal/baixo) como único membro original e nascido no país (risos).

Com a saída inesperada de Mike Sifringer (guitarra) em 2021, também membro fundador e alemão, a banda hoje é composta por Schmier, Damir Eskic (guitarra), Martin Furia (guitarra) e Randy Black (bateria), respectivamente suíço, argentino e canadense.

Após uma introdução, e sem muita cerimônia, com apenas um pano de fundo com o logo e decorações laterais com ilustrações da banda, o quarteto entrou com tudo em um público sedento por pancadaria com a esmagadora “Curse The Gods”. O Carioca Club estava bem cheio, mas não totalmente lotado, o que não impediu que houvesse destruição também por parte dos presentes, com rodas, ‘crowd surfing’ e até algumas poucas tentativas de subir no palco para stage diving. No entanto, isso não aconteceu, pois o pit dos fotógrafos era grande, e quem se arriscasse acabaria indo direto para o cemitério (risos).

O que notei nessa nova formação é que a banda está cada vez mais inclinada ao Thrash Metal americano, deixando de lado aquelas palhetadas sujas da escola alemã para dar mais ênfase ao ‘downpicking’ no estilo ‘Bay Area’, se podemos colocar assim. Isso é ruim? Jamais! Eu, particularmente, como amante fervoroso do Thrash Metal americano, adorei. No entanto, acredito que alguns fãs mais antigos possam contestar. Me perdoem a sinceridade, mas estão errados!

O som que saía dos PA’s estava excelente: nítido, cristalino, super bem equalizado, sem deixar ninguém com o ouvido zumbindo após o show. Portanto, palmas para a equipe de som! Quanto à iluminação, tenho apenas uma pequena queixa pessoal — que em nada prejudicou a apresentação: o excesso de luzes coloridas (vermelho, azul e branco) durante quase todo o set. Ainda assim, tudo fluiu bem e o show seguiu da melhor forma possível.

Não há necessidade de falar faixa por faixa, mas, obviamente, os clássicos irrefutáveis da carreira foram executados e recebidos de forma primorosa. Além disso, as duas faixas do mais recente álbum da banda, “Diabolical” (2021), também foram muito bem recebidas! Destaque para “Armageddonizer”, que foi gravada para o lançamento de um novo videoclipe em breve, contando com muita interação dos fãs e até o uso de um drone. “No Kings, No Masters”, faixa que foi lançada recentemente como single do próximo álbum da banda, também foi muito apreciada por todos, provando que essa formação está ‘bem (demais) na fita’.

Todos no palco estavam muito simpáticos, realmente curtindo cada instante do alvoroço do público. No entanto, os destaques vão para a dupla de guitarristas. Damir é um monstro na guitarra, além de ser incrivelmente simpático e totalmente fora da curva. Antes do show, ele estava sentado tranquilamente em um banco no meio do público, e foi reconhecido por este que vos escreve para uma foto. Obviamente, muitos que estavam por perto aproveitaram a oportunidade, mas devo dizer: que vergonha não saberem que era ele! (risos)

Martin Furia tem uma ‘patada’ monstruosa, e seu estilo de tocar me lembrou muito o de Eric Peterson, do Testament, pela precisão, peso descomunal e palhetadas no melhor estilo ‘grosseria’. Resumindo, além de super entrosados, os dois guitarristas estão extremamente confiantes e dando tudo de si no palco.

Meus destaques no setlist vão para “Nailed to the Cross” (vídeo completo mais abaixo), “Mad Butcher” (que, obviamente, transformou a pista em um verdadeiro pandemônio), as sempre vibrantes “Life Without Sense” e “Release From Agony”, a mais recente “Armageddonizer”, com um público ensandecido para aparecer no videoclipe, as clássicas e onipresentes “Total Desaster” e “Eternal Ban”, e, a partir de “No Kings, No Masters” (cantada por muitos), tivemos uma verdadeira catarse nuclear em forma de música. Confira o setlist abaixo e tire suas próprias conclusões.

Show de Thrash Metal é isso: cacetada atrás de cacetada! Mas o melhor de tudo são os sorrisos nos rostos de músicos e plateia, e, claro, a sinergia entre banda e público, mesmo que muitos achem (equivocadamente) que metal não é diversão. Sem sombra de dúvidas, uma noite perfeita e um dos melhores shows que vi este ano. Quem não foi, perdeu uma grande oportunidade (a vontade de escrever era “corte os pulsos”)!

Setlist Destruction:

Intro
Curse the Gods
Invincible Force
Nailed to the Cross
Mad Butcher
Life Without Sense
Release From Agony
Armageddonizer
Total Desaster
Guitar Solo
Eternal Ban
No Kings No Masters
Antichrist
Death Trap
Diabolical
Thrash Attack
Bestial Invasion
Thrash ‘Til Death

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