Death Grind Fest 2017 – Stonehenge Rock Bar, Belo Horizonte/MG (08/07/2017)

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Death Grind Fest 2017
Local: Stonehenge Rock Bar, Belo Horizonte (MG)
Data: 08/07/2017
Bandas Participantes: Rastros De Ódio | Coccyx | Oostegor | Embalmed Alive | Chaoslace Preceptor | Mortifer Rage | Ignorance | Mata Borrão | Vulture | Scalped | Spiritual Hate | Tumbero | Cursed Comment

Por Bruno Diniz

Entre meio dia de sábado até as cinco horas de domingo, a pancadaria rolou solta na tradicional casa de Rock/Metal, Stonehenge Rock Bar. Em termos de acesso, o local se encontra em um ponto excelente, central com fácil acesso a várias linhas de ônibus. A casa possui dois ambientes, um semi-fechado onde acontecem os shows e uma área aberta logo ao lado onde também é possível ver o palco, dependendo de onde o espectador se coloca. Embora a casa possua dois bares, na maior parte do tempo apenas um foi disponibilizado, não havendo filas ou quaisquer problemas relativos a espera ou falta de bebidas e refeições, a casa foi aberta no horário proposto e o único ponto negativo, foi que as refeições no período da noite tinham de ser feitas no balcão do bar de cima e em pé.

Quanto ao público, variou bastante durante o dia, tendo seu ápice entre 20 até as três da madrugada, as bandas do período da tarde principalmente sofreram com a falta dele, sendo que por exemplo, quando Rastros de Ódio se apresentou, além de mim, tinham apenas quatro ou cinco pessoas no máximo. Além disso, mesmo nos horários onde a casa estava mais cheia, não houve qualquer confusão ou tumulto por parte da plateia, pelo menos que eu tenha visto.

Em relação a parte técnica do festival, como de costume principalmente no cenário underground, ocorreram algumas pequenas falhas técnicas como ajustes de sons e afinações durante os shows rolando, uma ou outra corda soltando mas em geral, dentro do contexto tudo correu de maneira bem satisfatória. A Produção foi bem realizada por Cyro Poggiali, que se preocupou em manter todo o evento dentro do programado e, apesar dos diversos imprevistos, tudo ocorreu de maneira muito semelhante ao proposto inicialmente.

Rastros de Ódio:

Foi a primeira banda a se apresentar com um certo atraso, mas programado, pois já se sabia que duas bandas haviam cancelado a participação no evento. A banda trouxe um som bem agressivo e bem trabalhado, com bastante técnica principalmente pelo guitarrista. Foi a primeira vez que vi eles ao vivo e infelizmente não posso deixar de relatar que embora tenham sido pedidas desculpas por parte da banda, o baixista simplesmente não conseguiu tocar, deixando de acompanhar a banda em muitos momentos ou simplesmente fingindo que estava tocando em outros. Sei que temos dias e dias, mas não deixa de ser falta de respeito com quem paga o ingresso para poder curtir o som que gosta.

Coccys:

Segunda banda em ação, o pessoal de Sete Lagoas, que está começando agora, trouxe um som mais pesado e direto, com riffs simples numa alma impregnada no underground, com uma sonoridade bem “tosca” na maioria das faixas, misturando os gêneros de Grind e Death. Uma pena que o show foi bem curto, cerca de 25 minutos apenas e os integrantes pareciam estar um pouco desconfortáveis no palco, mas valeu a pena.

Oostegor:

O trio de Betim nascido em 2009 e comandado por Rodrigo Oostegor, chegou com um estilo bem diferente das duas primeiras, bandas trazendo grandes influencias de Thrash Metal para o público. Com faixas mais trabalhadas, trazendo bastante diversidade e momentos como solos de baixo, que raramente foram vistos no restante do festival, sem deixar de lado, é claro, a agressividade natural do Thrash.

Embalmed Alive:

O som desses caras é realmente contagiante. Da bela cidade de Sete Lagoas, eles trouxeram um repertório bem completo, misturando vocais guturais agudos e graves, diversas quebras de ritmo, com faixas mais curtas, a banda em muitos momentos chega bem próxima do Black Metal e depois poucos segundos depois já estava no Death pegajoso e arrastado da década de oitenta, sendo um dos destaques da noite!

Chaoslace:

A noite e o frio já estavam chegando, quando os paulistas se apresentaram para esquentar a plateia novamente. Nada menos que brutalidade e metal extremo para definir o trio de carecas dessa banda. Som bem direto, solos curtos e rápidos e porrada, muita porrada, quase que o tempo inteiro. Interessante nesta parte do festival, que também foi onde começaram os moshs, mas não teria como ser diferente devido a intensidade que o Chaoslace se apresentou.

Preceptor:

Um grande nome do metal underground de BH, foi outro dos destaques da noite, a empatia com a plateia foi tão grande logo de cara, que ao final da primeira musica três ou quatro pessoas já gritaram perguntando qual era o nome da banda e não sossegaram enquanto não foram atendidos. Mesmo com a troca de um integrante apenas para essa apresentação, a banda não foi afetada, apresentando um som bem maduro e um capricho muito grande em suas composições. Juntamente com a atração principal, Vulture, considero que são as duas mais preparadas para sair da cena underground e alcançar projetos maiores.

Mortifer Rage:

Foi a banda que tocou no sacrifício na noite, um membro não pode ir por problemas particulares e outro tocou queimando de febre. Assim que começaram a tocar, já era perceptível que a harmonia não estava legal, principalmente na guitarra, onde os sons eram demasiadamente simples e pareciam improvisados e continuaram assim até o final. Embora as bases tenham me parecido sólidas, é complicado uma avaliação maior. De qualquer maneira, fica o respeito e os parabéns por terem se esforçado ao máximo para cumprir o compromisso feito.

Ignorance:

O show demorou um pouco a aquecer porque a corda do baixo infelizmente arrebentou já na primeira música, mas assim que foi resolvido o problema, o que arrebentou foi o som e a presença trazida pelo quarteto. A banda formada recentemente em 2014, mostra um vigor incrível e contagiante em cima do palco, com um vocal bem variado, indo do rasgado ao cavernoso, acompanhado por solos mais melódicos e esses caras parecem estar no caminho certo. A energia e maneira de se apresentar da banda me chamou bastante atenção, me lembrando as bandas de Thrash e Heavy mais antigas.

Mata Borrão:

Contando com a volta ao palco do excelente vocalista da Preceptor, esta banda com certeza representou o nome Grind no nome do festival. Composições “nojentas”, muita gritaria e um som bem distorcido como é de costume no gênero, são seguidos exemplarmente pela banda. Destaque para o dueto vocal, que tanto quando eram alternados quanto quando cantavam juntos e mostraram uma sinergia muito grande.

Vulture:

A principal atração da noite, formada em 1995, veio a Belo Horizonte pela primeira vez na noite do Death Grind Festival, trazendo seu Death Metal Melódico. A banda trouxe em seu show, o repertório com seus maiores sucessos dos quatro álbuns já lançados, alguns em inglês e outros em português. A apresentação da banda foi impecável, peso e técnica perfeitamente alinhados e combinados com vocais bem claros, embora rasgados. Não é à toa que a banda sobrevive a tantos anos no cenário underground brasileiro. Esperamos ve-los mais vezes por aqui.

Scalped:

A última banda a se apresentar para um público ainda razoável, trouxe um Death Old School, foi bastante perceptível a influência de bandas nacionais como Sarcófago, na musicalidade deles, combinando Riffs mais arrastados com bateria e baixo rápidos e um vocal pra lá de agressivo.

Spiritual Hate:

A banda de Diadema trouxe mais de Death metal melódico com bastante técnica, com destaque para o trabalho da guitarra solo. Embora o público já estivesse pequeno, a banda se apresentou em seu melhor e também teve uma sinergia muito boa com a plateia restante.

Tumbero e Cursed Comment encerraram o festival com ótimos shows.

Resumindo, tirando alguns por menores, o festival foi muito bem executado e agradável para os amantes do som pesado underground. É uma pena que, infelizmente, eventos assim não tem gente com disposição para pagar, sendo que a maioria do público preferem se guardar para ver o trabalho de cópia de bandas covers. De qualquer maneira, a história só irá mudar com iniciativas como essa, tanto por parte das bandas, quanto da produção quanto do público. Show must go on.

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