New York Against the Belzebu / Sete Star Sept – “Split” (2017)
Cemitério Records
#Noisecore, #Grindcore, #Grindnoise
Nota: 8,5
A quantidade de faixas presentes em um disco está diretamente relacionada à potência do barulho que irá triturar seus ouvidos e pulverizar seu cérebro. E quando o mesmo referido disco reúne duas das maiores referências mundiais do Noisecore, é sinal que a avaria já está consumada e não adianta corrermos pro colo da mamãe.
De um lado contamos com o lendário e “mitológico” New York Against the Belzebu. Do outro temos a presença da dupla japonesa mais insana da via Láctea, o Sete Star Sept. Quem conhece ambas, sabe muito bem do que se trata. Sim, barulho intenso, caótico, dissonante e sem o mínimo compromisso com o bom senso.
Os paulistanos do NYATB iniciam os trabalhos fazendo o que sabem de melhor: Grindnoise estupidamente pesado, imundo e distorcido, de causar avc em mula sem cabeça. Compreendendo mais da metade do cd, o quarteto deixa evidente seu senso de humor ácido e uma total habilidade em parodiar situações do cotidiano e até outras bandas de estilos totalmente díspares. Essa é uma das características que faz do NYATB uma banda de personalidade muito própria dentro de seu segmento.
Muitas faixas merecem destaque, como “Apocalyptic Aids”, “Filho da Puta, Bandido, Corrupto, Ladrão” (quase não temos disso por aqui, né?), “Molusco, você me Enganou”, “Jogo da Baleia Azul”, “Tchaubi Peixoto” (os caras não têm limite), enfim. Esse pessoal sabe se divertir.
Na segunda parte, temos o S.S.S. e, meu amigo, o ruído aqui chega a níveis insalubres. Imagine uma dupla composta por Kae (baixo e vocal) e Kiyasu (bateria), dois insanos que produzem um barulho dos mais infernais, e sem a presença de guitarras. A distorção do baixo é tão exagerada que supre com sobras essa falta.
Kae, uma mocinha aparentemente frágil, quando abre a boca, libera uma horda de demônios enclausurados. É insano e perturbador, que certamente causará transtornos na vizinhança, caso você ouça o disquinho em um determinado volume. Sua parte do repertório compreende 23 rajadas sônicas, com destaques para “Lack of Compatibility”, “Exercise of Power”, “Must be Present” e “Upset Her” (essa deve ser em homenagem a Kae, pois se ela não estiver puta da vida com algo, eu já não sei de mais nada). Ah, e não se preocupe com a qualidade de gravação, pois ela está ótima (claro, para os padrões exigidos aqui).
Este é certamente um dos registros mais brutais e abjetos que já ouvi nessa vida, e olha que foram muitos. Não custa avisar que esse disco não é para aventureiros, ok? É barulho de verdade, puro e concentrado, feito por autoridades no assunto. Se curte as formações envolvidas, demorou pra ir atrás!
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Ricardo L. Costa




