Venom – “Possessed” (1985)

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Venom – “Possessed” (1985)

Neat Records | Dynamo Records
#HeavyMetal #SpeedMetal #Metal

Para fãs de: Motörhead, Bathory (fase inicial) Hellhammer, Bulldozer, Slayer (fase inicial), Kreator (fase inicial).

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,0

Eu sempre enxerguei Possessed como aquele disco de despedida meio agridoce — o último suspiro da formação clássica do Venom. Na época, muitos torceram o nariz, criticando a produção estourada e acusando o álbum de soar como um passo atrás em relação ao que a banda vinha construindo, como se tivesse retornado a um estado mais cru, “primitivo”, desorganizado e quase improvisado, em vez de evoluir para algo mais sofisticado.

A bateria e o baixo parecem socar os ouvidos sem piedade, o vocal de Cronos muitas vezes soa deslocado dentro da mixagem, e até os violões de Mantas, quando surgem, entram de maneira tão abrupta que soam quase alienígenas. Ainda assim, para mim, isso é parte do charme: é visceral demais para se ignorar.

Logo no play de “Powerdrive”, é como se você fosse jogado num ringue de boxe, distribuindo guitarradas para todo lado. A faixa já te prepara para o que vem pela frente: velocidade, agressividade e zero compromisso com polidez. Em “Flytrap”, sinto que o Venom conseguiu capturar aquela essência crua do início da carreira, com riffs secos e diretos e o vocal cuspido, quase como um tapa na cara de quem duvidava da força da banda, dando de certa forma um fio de esperança pelo restante do álbum.

Outra que sempre me marcou é “Satanachist”. Ela tem uma energia absurda, daquelas que grudam na cabeça, com refrão repetitivo, malicioso e quase debochado. Dá para entender por que tantos fãs a consideram um dos pontos altos do disco. Já “Too Loud (For the Crowd)” me soa como a resposta mais divertida que o Venom já deu às críticas — barulhenta, irônica e cheia de atitude, como se a banda dissesse: “Está alto para você? Foda-se!”.

“Mystique” carrega uma atmosfera mais trabalhada, quase misteriosa, e o solo de Mantas aqui é um respiro inesperado dentro de tanto caos, mostrando que, mesmo em meio à sujeira sonora, havia espaço para criar algo memorável. “Hellchild”, por sua vez, me pega pelo peso: é sombria, densa e traz de volta aquele lado mais macabro que sempre fez parte da identidade da banda.

Confesso que sempre me senti enganado pelas resenhas mais frias, que falavam sobre falta de coesão ou inspiração. Para mim, Possessed tem alma, mesmo que seja uma alma “largada”. Pode não ter o impacto conceitual ou épico de At War with Satan, mas entrega riffs sujos e satânicos com o veneno no ponto. Até “Aaaaarrghh”, que muitos enxergam só como piada, eu acabo encarando como a cereja do bolo: é tosco e estúpido, mas ao mesmo tempo resume o espírito caótico do Venom. Sabe aquela premissa “é tão ruim que é bom”? Então, é isso.

Há também um aspecto quase trágico no disco: é o som de uma banda prestes a ruir, tensionada internamente, mas ainda cuspindo fogo. Dá para sentir o fim da era clássica chegando — aquele clima elétrico de tensão e pressa confere ao álbum uma carga dramática inegável.

No fim das contas, temos outras faixas como “Burn This Place (To The Ground”, “Harmony Dies” e “Suffer Not The Children”, dentre outras, que mesmo com todas as imperfeições gritantes faz de Possessed, para mim, um relicário do instinto bruto do metal extremo. É quase como testemunhar uma explosão controlada — você vê algo prestes a se desintegrar, mas ainda com toda a energia em brasa. É isso.

Além das músicas do álbum original, a versão lançada pela Dynamo Records inclui seis faixas bônus que ajudam a entender ainda melhor a fase criativa do Venom naquele período. Essas faixas funcionam quase como uma extensão do disco, oferecendo tanto versões alternativas quanto registros ao vivo que capturam a energia da banda.

Entre as mais conhecidas estão a versão 12” de “Nightmare” e “F.O.A.D.”, que mostram o Venom experimentando variações nos arranjos originais, com riffs ligeiramente diferentes e algumas passagens mais alongadas, dando ao ouvinte a sensação de um Venom mais exploratório, mas ainda fiel à sua brutalidade característica. “Warhead”, com sua pegada agressiva, reforça o clima caótico do álbum e lembra que, mesmo em faixas menos conhecidas, o trio mantinha aquele som cru, direto e impiedoso.

Além disso, há remixes, como o de “Possessed”, que dão um toque diferente à faixa-título, enfatizando certos elementos da bateria e do baixo que podem passar despercebidos na versão original. Para completar, temos gravações ao vivo, como “Witching Hour”, que mostram o Venom em ação nos palcos, com toda a energia e imprevisibilidade que fizeram da banda uma referência do metal extremo. Essas faixas bônus funcionam não apenas como curiosidade, mas como uma oportunidade de mergulhar mais fundo na essência da banda, mostrando que, mesmo com produção crua e riffs desajeitados, havia sempre algo único e explosivo sendo entregue.

Para quem é fã de Venom ou simplesmente curte metal extremo em sua forma mais visceral, as faixas bônus de Possessed são mais do que extras: são pequenas joias que expandem a experiência do álbum e permitem sentir de perto a força e o caos que só o Venom conseguia transmitir naquele momento da carreira. Enfim, é meio perdidão, mas é um esculacho bom demais e você tem a obrigação de tê-lo na sua coleção (bem como todos os outros, pois Venom é definidor de caráter meu filho!) (risos)

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