Dearly Beheaded: Banda peso pesado que revelou o atual baterista do Iron Maiden
Texto por Johnny Z.
Nos anos 90, enquanto o grunge e o britpop dominavam o Reino Unido e o heavy metal tradicional buscava novas direções, surgiu em Manchester uma banda que, embora tenha tido uma trajetória curta, deixou marcas profundas na cena underground: a Dearly Beheaded. Formada em 1993, a banda trouxe para o metal britânico uma sonoridade agressiva, sombria e moderna, misturando a herança do thrash e do groove a influências que iam de Black Sabbath, Celtic Frost a Machine Head, Pantera, Prong e Corrosion of Conformity, só para citar alguns.
Após o lançamento de uma demo em 1993 e do EP In A Darknened Room, em 1995, o grupo chamou a atenção do prestigiado selo Music for Nations, responsável por lançar nomes de peso do metal europeu. O resultado foi o primeiro álbum, Temptation, lançado em 1996 e produzido por Colin Richardson, conhecido por seu trabalho com o Machine Head, Sepultura, dentre muitos peso pesados. O disco é uma pancada direta, com riffs pesados, vocais intensos e uma produção que, ainda que crua, dava ao som da banda uma identidade própria valorizando muito os riffs de guitarra, bem como todo um groove que estava em alta pelos lados americanos com o Pantera. Não à toa, muita gente comparou o trabalho com os norte-americanos do groove metal, mas havia ali uma aura tipicamente britânica, sombria e introspectiva.

Temptation é uma descarga de agressão meticulosamente controlada, onde cada riff e cada batida de bateria se alinham em uma harmonia de peso e groove, criando uma experiência sonora intensa e hipnotizante que o consagra como um clássico cult do metal.
Dois anos depois, em 1998, a Dearly Beheaded lançou seu segundo e último disco, Chamber Of One, também pela Music for Nations e novamente produzido por Colin Richardson. O álbum mostra uma banda mais madura, com arranjos coesos, atmosferas densas e uma produção mais polida, sem perder a visceralidade que marcou sua estreia. Nesse trabalho, cada música é como entrar em uma sala escura que só se ilumina quando o último riff explode: o som está mais limpo, mas a ferida sonora é ainda mais profunda. O peso não é apenas físico — é emocional; título, refrão e alma se alinham para impactar e marcar profundamente quem ouve.


Apesar do fim prematuro em 1997, a Dearly Beheaded permanece como uma daquelas bandas que se tornaram “cult” no submundo do metal. Seus dois álbuns, Temptation e Chamber Of One, são registros que merecem ser revisitados, não apenas pela qualidade das composições, mas também pelo simbolismo de uma época em que o metal britânico lutava para se reinventar. Hoje, ouvindo novamente esses discos, é impossível não perceber que, mesmo sem ter alcançado o estrelato, a banda conseguiu capturar um espírito de resistência e honestidade que ainda ressoa entre os fãs mais atentos.
A formação da Dearly Beheaded, responsável pelos dois álbuns reunia músicos que se complementavam de forma precisa e intensa. Nos vocais, Alex Creamer entregava linhas agressivas e carregadas de emoção, capazes de transmitir tanto brutalidade quanto sutileza melódica. As guitarras de Darren Hough e Steve Owens se entrelaçavam, alternando riffs cortantes e harmonias densas que definiram a identidade sonora da banda. No baixo, Tim Lyons Preston fornecia a base rítmica firme e pulsante, equilibrando peso e groove, enquanto Simon Dawson, na bateria, imprimia precisão técnica e força implacável, criando a espinha dorsal do som da banda.
Reconheceu algum nome? Sim, Simon Dawson.
O ponto mais curioso e fascinante da história da Dearly Beheaded é justamente a presença do baterista Simon Dawson, responsável por gravar ambos os álbuns após substituir Bob Ryan. Seu trabalho sempre se destacou pela técnica apurada e pela personalidade marcante, qualidades que chamaram atenção anos depois, quando foi anunciado como novo baterista de turnê do Iron Maiden, sucedendo Nicko McBrain em 2024.
Dawson, que estava colaborando com Steve Harris no projeto British Lion, não foi escolhido para imitar Nicko, mas para imprimir sua própria pegada — sólida, precisa e sincera. Em suas palavras, Bruce Dickinson deixou claro que a ideia não era substituir, mas preservar a chama do Maiden com alguém de identidade própria. E o cara realmente está mandando muitíssimo bem na Donzela de Ferro… mas sim, não é Nicko McBrain, porém toca com muita precisão e de forma bem pesada.
Infelizmente, ambos álbuns da Dearly Beheaded não estão disponíveis nas plataformas de streaming, mas no YouTube podem ser ouvidos na íntegra, e vale cada segundo da sua audição!





