Setembro Negro (Dia 2) – Vip Station, São Paulo/SP (06/09/2025)

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Setembro Negro (Dia 2) – Vip Station, São Paulo/SP (06/09/2025)

Produção: Tumba Productions
Texto e fotos por Matheus “Mu” Silva

Nota: Devido a problemas de logística, infelizmente não foi possível acompanhar os shows das bandas Necromantticu, Wisdom e Leprovore. A resenha se inicia a partir da apresentação do Imprecation.

Às 16h30, no palco Maioral, teve início o show do Imprecation. Formada em 1991, a banda norte-americana de Houston/Texas trouxe ao evento seu Death Metal ocultista carregado de peso e sujeira, com um som repleto de blasfêmias, fortemente influenciado pelo Incantation, incorporando elementos de Doom e até de Black Metal, criando uma atmosfera obscura e densa. Em 40 minutos de apresentação, tocaram faixas como “Blood Dominion”, “Temple of the Foul Spirit” (dedicada ao falecido baterista Ruben Elizondo), “Morbid Crucifixion” e “The Awakening of Majestic Darkness”. O público recebeu a banda de forma calorosa, em um show matador.

Setlist:

Reborn in Fire
Blood Dominion
Baptized in Satan’s Blood
Bringer of Sickness
On Cursed Heretic Thorns
Temple of the Foul Spirit
Morbid Crucifixion
Fire Salvation
As Blasphemy Reigns
The Awakening of Majestic Darkness
Ars Goetia

Às 17h20, foi a vez do Féretro, no palco Infernal. Formado em 2013, em Recife/PE, o grupo é mais uma prova da força do underground nacional. Com seu Death/Black Metal cantado em português, apresentaram um set baseado em seu único álbum de estúdio até o momento, “Funesto Poder” (2018). Em 30 minutos, destilaram brutalidade, com destaque para “Supremo Eterno Inferno”, música que arrancou uma resposta arrebatadora do público.

Às 18h00, no palco Maioral, chegou a vez de um dos shows mais aguardados da noite: 1349. O nome da banda faz referência ao ano em que a Peste Negra chegou à Noruega, e seu Black Metal destruidor ecoou pelo Vip Station em uma estreia histórica no Brasil. A formação clássica, com Ravn (vocal) e Seidemann (baixo) juntos desde 1997, e o lendário Frost (Satyricon) na bateria, entregou uma apresentação avassaladora. O repertório priorizou os álbuns mais recentes, “The Wolf and the King” (2024) e “The Infernal Pathway” (2019), incluindo “The God Devourer”, “Shadow Point”, “Ash of Ages” e “Through the Eyes of Stone”. Também houve espaço para clássicos, como “I Am Abomination” (Hellfire, 2005). Foram 40 minutos de brutalidade impiedosa, ovacionados pelo público. Fica a expectativa de um retorno em breve, desta vez com set completo.

Setlist:

Slaves
Ash of Ages
Through Eyes of Stone
Shadow Point
I Am Abomination
The God Devourer
Atomic Chapel
Abyssos Antithesis

Às 18h50, no palco Infernal, foi a vez dos belgas do Bütcher. Formada em 2002, a banda de Black/Speed Metal vem se destacando no underground com sua sonoridade veloz e crua, que remete ao espírito do Speed Metal dos anos 80. Pela primeira vez no Brasil, apresentaram um set que valorizou “666 Goats Carry My Chariot” (2020), com músicas como “Speed Metal Samurai”, “Face the Bütcher”, “Viking Funeral” e “Iron Bitch”. A intensidade foi tamanha que o pequeno palco Infernal pareceu insuficiente para conter o caos instaurado, tornando a apresentação um dos pontos altos da noite.

Às 19h40, no palco Maioral, iniciou-se a missa negra com o retorno do lendário Coven. A banda, pioneira do Heavy Metal, tocou pela segunda vez no Brasil – a primeira havia sido no Setembro Negro de 2018. O show foi um verdadeiro ritual: o palco estava decorado com velas, e a introdução revelou um caixão de onde saiu Jinx Dawson, hoje com 75 anos, em uma performance teatral e magnética. O set foi majoritariamente baseado no clássico “Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls” (1969), com faixas como “Black Sabbath”, “Wicked Woman” e “Coven in Charing Cross”. O público cantou cada palavra, tornando o espetáculo uma viagem pela história da música pesada. Para muitos, foi o melhor show da noite.

Setlist:

WDMRS / Satanic Mass / Prelude
Black Sabbath
Coven in Charing Cross
Wicked Woman
The Crematory
Choke, Thirst, Die
For Unlawful Carnal Knowledge
Blood on the Snow

Às 20h35, no palco Infernal, o Primitive Man finalmente estreou em solo brasileiro, após o cancelamento em 2023. O trio norte-americano trouxe seu Doom/Sludge com elementos de Death Metal, em uma massa sonora suja, arrastada e opressiva. O set destacou “Caustic” (2017) e “Immersion” (2020), com músicas como “My Will”, “Victim”, “Entity” e “Consumption”. A apresentação foi hipnótica e singular. Curiosamente, o vocalista/guitarrista Ethan McCarthy havia tocado na noite anterior com o Vermin Womb, mostrando sua versatilidade ao comandar duas propostas musicais tão contrastantes.

Às 21h25, de volta ao palco Maioral, foi a vez do Macabre, outro nome improvável de se ver no Brasil. Comemorando 40 anos de carreira e mantendo a mesma formação desde 1985, o trio apresentou seu inconfundível Murder Metal. Cada música foi acompanhada de uma performance teatral, com personagens encarnando serial killers famosos – como o Assassino do Zodíaco em “Zodiac” e Ted Bundy em “The Wheels on the Bug”. Com humor negro característico e 50 minutos de um espetáculo bizarro e divertido, foi certamente o show mais peculiar da noite.

Setlist:

Zodiac
The Unabomber
The Wheels on the Bug
Serial Killer
Night Stalker
The Iceman
Joe Ball Was His Name
Scrub a Dub Dub
Albert Was Worse Than Any Fish in the Sea
Hitchhiker
Vampire of Düsseldorf
Ed Gein

Também às 21h25, fechando o palco Infernal, subiu o Incantation, um dos pilares do Death Metal norte-americano. Em celebração aos 30 anos de “Mortal Throne of Nazarene” (1994), a banda executou o álbum na íntegra, em um massacre sonoro que arrebatou os fãs. Liderados pelo carismático John McEntee (vocal/guitarra), ainda tiveram tempo de acrescentar “Shadows of the Ancient Empire” e “Impending Diabolical Conquest” (Diabolical Conquest, 1998) ao final. Após o show, McEntee permaneceu junto ao público, tirando fotos e conversando, reforçando sua humildade e proximidade com os fãs.

Setlist:

Demonic Incarnate
Emaciated Holy Figure
Iconoclasm of Catholicism
Essence Ablaze
Nocturnal Dominium
The Ibex Moon
Blissful Bloodshower
Abolishment of Immaculate Serenity
Shadows of the Ancient Empire
Impending Diabolical Conquest

Às 23h25, o palco Maioral recebeu o headliner do sábado: Overkill. Substituindo o Watain como atração principal, o quinteto norte-americano trouxe seu Thrash Metal energético e contagiante, contrastando com a obscuridade que dominou o restante da noite. Em sua oitava passagem pelo Brasil, Bobby Blitz, DD Verni e companhia incendiaram o Vip Station com clássicos como “Rotten to the Core”, “Hello From the Gutter”, “Elimination” e “In Union We Stand”, além de faixas recentes como “Scorched” e “Ironbound”. O público respondeu de forma insana, com rodas de mosh intensas até o fim, quando encerraram com o cover de “Fuck You” (The Subhumans). Um fechamento explosivo para o segundo dia do festival.

Setlist:

Scorched
Rotten to the Core
Bring Me the Night
Hello From the Gutter
Deny the Cross
Electric Rattlesnake
Mean, Green, Killing Machine
The Surgeon
Ironbound
Elimination
In Union We Stand
Hammerhead
Fuck You (The Subhumans cover)

O segundo dia do Setembro Negro manteve o altíssimo nível do primeiro e mostrou a força da curadoria do festival. A quantidade de bandas foi maior e, em diversos momentos, ficou claro que muitas atrações do palco secundário poderiam figurar facilmente no principal. No dia seguinte, a maratona continuou – com shows que prometiam ser ainda mais especiais!

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