Podridão – “Coffin of the Corrupted Dead” (2025)

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Podridão – “Coffin of the Corrupted Dead” (2025)

Kill Again Records | Iron Fortress Records

#DeathMetal #OldSchoolDeathMetal #ThrashMetal

Para fãs de: Autopsy, Obituary, Morbid Angel, Death, Cancer, Vulcano, Sepultura (antigo)

Texto por Thiago Loureiro

Nota: 9,5

A banda brasileira de death metal primitivo Podridão, originária de Itaquaquecetuba, São Paulo, consolidou-se como um nome proeminente no cenário do death metal old school. Formada em 2016, destaca-se por uma sonoridade brutal e visceral que resgata a essência crua e suja do gênero, evocando diretamente a cena death/thrash brasileira dos anos 1980. Com um nome autoexplicativo, o grupo constrói sua identidade em torno de temas de decomposição, morte, gore e anti-religião, criando uma atmosfera pútrida e nauseante, marcada por um som mórbido, lamacento e decadente, com letras que exploram os aspectos mais sombrios da existência humana e do horror corporal.

Lançado no dia 22 de julho de 2025 pela Kill Again Records e posteriormente disponibilizado pela Iron Fortress Records, “Coffin of the Corrupted Dead” é o quarto álbum da Podridão e representa um ponto alto na trajetória da banda. Trata-se de uma verdadeira obra-prima de horror e violência sonora, onde desde a primeira nota o ouvinte é arrastado para um abismo de terror e decadência. Cada riff, batida e gutural é uma nova camada de putrefação cuidadosamente construída. A produção é impecável: limpa o suficiente para destacar cada instrumento, mas sem abrir mão da sujeira e crueza indispensáveis ao estilo. A bateria é um massacre sonoro, com o pedal duplo soando como uma metralhadora; o baixo funciona como uma camada viscosa de terror; e as guitarras dilaceram a atmosfera com riffs pesados e solos atonais que intensificam a brutalidade rítmica.

As letras aprofundam-se em temas macabros como decomposição de corpos, canibalismo e profanação de túmulos, pintando quadros vívidos de horror que se conectam perfeitamente à sonoridade. A performance do grupo atinge um nível notável: todos os músicos estão em sintonia assustadora, entregando composições intrincadas e cheias de variações. O vocal gutural e cavernoso atua como uma força de destruição emocional, enquanto os riffs com timbres HM-2 soam como motosserras dilacerando carne, sustentados por uma bateria que é uma verdadeira usina de pancadaria.

Ouvir “Coffin of the Corrupted Dead” é testemunhar um assalto sonoro implacável, alternando momentos de velocidade frenética com passagens mais cadenciadas e perturbadoras. A maestria instrumental, lapidada ao longo dos anos, se reflete em riffs sombrios e diretos, solos explosivos e uma base rítmica de baixo e bateria que sustenta todo o massacre sonoro. O vocal de Putrid Dick é um dos grandes destaques: profundo, agressivo e ininterruptamente sufocante durante toda a execução do álbum. Liricamente, o disco explora os aspectos mais repugnantes da existência, abordando morte, decomposição, doenças e canibalismo, evocando imagens de corpos em decomposição e rituais macabros que traduzem perfeitamente sua brutalidade sonora.

A abertura com “Coffin of the Corrupted Dead” apresenta sons de pás cavando e murmúrios lamentosos, acompanhados de riffs diretos e bateria implacável, estabelecendo o tom sombrio do disco. “Dissolved into Viscous Ruin” mergulha na brutalidade com velocidade elevada e riffs cortantes. “Exhaling Pestilent Rot” destaca-se pela atmosfera doentia e pelas mudanças de andamento que exalam a podridão sonora da banda. “Stages of Decomposition” simula musicalmente diferentes estágios de putrefação, alternando entre fúria descontrolada e passagens lentas e pesadas. “Submerged into Vile Repugnance” é rápida e implacável, com o vocal em seu ápice de agressividade. “Fetid Purulence Manifest” desacelera para entregar puro doom/death, criando uma sensação sufocante. “Disinterred to Devour” retoma a violência com riffs caóticos e ritmo acelerado, enquanto “Oozing Cadaveric Liquid” encerra o álbum destilando toda a podridão e deixando a sensação de que a decomposição continua escorrendo para fora do caixão.

A arte da capa traduz visualmente os conceitos sonoros: um zumbi putrefato emerge de um túmulo aberto em um cemitério noturno, cercado por lápides quebradas e vegetação retorcida sob a luz sinistra de uma lua cheia. O logotipo da banda, em estilo ósseo e gotejante, e o título “Coffin of the Corrupted Dead” reforçam a estética macabra. Cada elemento — o cadáver reanimado, o cemitério profanado, o céu dramático — funciona como uma sinopse visual do álbum, prometendo uma experiência extrema e horripilante.

Segundo a Iron Fortress Records, a Podridão retorna “das criptas mais húmidas das ruínas podres e infestadas do death metal underground brasileiro” com um som que mistura influências de Autopsy, Vulcano, Sepultura antigo, Death e Cancer, encapsulando perfeitamente o death metal old school nacional, carregado de tendências thrash fétidas e decompostas.

Com “Coffin of the Corrupted Dead”, a Podridão solidifica sua posição como uma das principais forças do death metal brasileiro. O álbum não apenas atende às expectativas: ele as supera, elevando a banda a um novo patamar de brutalidade e excelência, reafirmando que aqui não há espaço para firulas digitais — apenas a violência pura e direta do death metal em sua forma mais primitiva.

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