All Metal Stars – Audio, São Paulo/SP (15/03/2026)
Abertura: Krakkenspit e Phornax
Produção: Arena Produtora
Assessoria: TRM Press
Texto por Marcelo Henrique Rocha
Fotos por Alessandra Rosato
O dia 15 de março de 2026 já pode ser considerado histórico para os fãs de heavy e power metal no Brasil. Em uma noite carregada de emoção, técnica e reverência, o All Metal Stars subiu ao palco do Audio, em São Paulo, para prestar uma grandiosa homenagem a carreira do eterno “maestro” André Matos. Ao lado de seu irmão, Dani Matos, o espetáculo foi muito além de um simples show: transformou-se em um verdadeiro tributo à memória e ao legado de um dos maiores nomes da história do metal nacional.
Com a casa cheia e um público visivelmente emocionado — composto, em grande parte, por fãs que acompanharam a trajetória de André desde os anos 1990 —, o ambiente rapidamente se transformou em um coro coletivo, onde cada clássico era cantado com devoção quase religiosa. A ocasião ganhou contornos ainda mais especiais com a presença de câmeras registrando a apresentação, indicando que o espetáculo poderá resultar em um futuro lançamento audiovisual.
Abrindo a noite, os goianienses da Krakkenspit mostraram personalidade ao apresentar um heavy metal técnico, cadenciado e bem estruturado. Desde os primeiros acordes de “Tides of Armageddon”, ficou evidente o nível de precisão e entrosamento da banda. Faixas como “I’m Falling” e “They Won’t” trouxeram variações rítmicas interessantes, enquanto “Love Forever Dead” e “Fear My Name” exploraram uma abordagem mais progressiva, com arranjos elaborados e vocais que transitam com segurança entre o limpo e o agressivo. O encerramento com “Long Wild Roads” reforçou a identidade do grupo, deixando claro que se trata de uma banda com ambição e potencial dentro do cenário.





Na sequência, o Phornax elevou ainda mais o nível da noite. Vindos de Porto Alegre, apresentaram uma sonoridade que equilibra o peso do heavy metal tradicional com a complexidade do power metal técnico. A presença de Eduardo Martinez — veterano da cena sulista — agrega experiência e consistência ao grupo. O set, iniciado com “Hell’s Paradise” e “Dare Destruction”, foi direto e impactante, enquanto “Final Beat” evidenciou a versatilidade da banda. Momentos como “A Matter of Time” e “Silent War” mostraram a capacidade do grupo em transitar entre estilos, incorporando elementos mais extremos sem perder a essência melódica. O encerramento com “Between Fear and Hope” sintetizou bem a proposta do Phornax: peso, técnica e identidade própria.





Mas era evidente que a expectativa maior da noite estava reservada para o All Metal Stars — e o supergrupo não decepcionou. Formado por nomes de peso como Aquiles Priester (bateria), Edu Ardanuy (guitarra) e Thiago Bianchi (vocal), além da participação especial de Dani Matos, o projeto entregou uma apresentação à altura do legado que se propôs a celebrar.
A abertura com “Unfinished Allegro”, seguida de “Carry On”, já colocou o público em estado de êxtase. A partir dali, o que se viu foi uma sequência de clássicos executados com respeito, técnica e, acima de tudo, emoção. Aquiles Priester mostrou, mais uma vez, por que é considerado um dos maiores bateristas do mundo, com uma performance precisa e intensa. Edu Ardanuy trouxe fidelidade e feeling aos riffs icônicos, enquanto Fábio Laguna foi peça fundamental ao recriar as camadas atmosféricas características das composições de André.
Thiago Bianchi, por sua vez, teve a missão mais delicada da noite — e a cumpriu com mérito. Longe de tentar imitar André Matos, optou por uma interpretação respeitosa e emocional, equilibrando técnica e entrega. Isso ficou evidente em momentos como “Wuthering Heights” e, principalmente, nas faixas mais carregadas de sentimento.
A entrada de Dani Matos marcou um dos pontos mais emocionantes do show. Sua presença trouxe um peso simbólico inegável, especialmente durante a execução de “Living for the Night”, dedicada ao irmão. A comoção do público foi imediata, transformando o Audio em um verdadeiro tributo coletivo.
Outros momentos de destaque incluíram “Time”, do clássico Angels Cry, além de “Fairy Tale” e “Letting Go”, esta última em uma versão mais intimista, reforçando a carga emocional da apresentação. Participações especiais, como a de Gui Antoniolli e Cristiano Poschi, contribuíram para dar ainda mais dinamismo ao espetáculo.
Na reta final, “For Tomorrow” preparou o terreno para o grandioso encerramento. A dobradinha “Crossing” e “Nothing to Say” levantou o público mais uma vez, culminando em “Angels Cry”, executada como um verdadeiro hino — cantado em uníssono por todos os presentes.
Tecnicamente, o show se manteve consistente, com boa qualidade sonora e destaque para os teclados, elemento essencial para a fidelidade das composições. A iluminação, embora discreta, cumpriu bem seu papel ao valorizar os momentos mais épicos e emocionais.
Mais do que uma apresentação, o que se viu foi uma celebração coletiva. Um encontro entre passado e presente, entre saudade e reverência. Em tempos em que o metal nacional segue lutando por reconhecimento, noites como essa reafirmam sua força, sua história e sua importância.
André Matos pode não estar mais fisicamente presente, mas sua obra permanece viva — pulsando em cada nota, em cada coro, em cada fã que lotou o Audio. E, após uma noite como essa, fica claro: seu legado é eterno.
















