Bangers Open Air – Memorial da América Latina, São Paulo/SP (25/04/2026)

BANGERS_SABADO_2026
Compartilhe

Bangers Open Air – Memorial da América Latina, São Paulo/SP (25/04/2026)

Texto por Lucas David
Colaboração em Onslaught por Matheus ‘Mu’ Silva
Fotos por Ezequias Pedroso (@somemfoco)
Fotos Onslaught por Raphael Garcia (MHermes Arts)
Fotos Overdose por Bianca Tatamiya (MHermes Arts)

Chegando à sua quarta edição, o Bangers Open Air já se consolidou como um dos maiores festivais de metal na América Latina, encontrando seu público e apresentando, até agora, uma grande diversidade de bandas e gêneros, atendendo a todos os tipos de fãs. Além disso, a cada edição, o festival se preocupa em ouvir as pessoas e trazer melhorias, como na estrutura e nos lineups. Para mim, um fã que escuta desde Death Metal até Glam Metal, o festival serve não apenas para assistir a shows de bandas que gostamos, mas também para conhecer novos nomes que, provavelmente, não veríamos fazendo shows solo pelo país.

Assim, a chance de ver monstros do metal nacional como Korzus, Torture Squad, Overdose e outros nomes consagrados do metal mundial, como Black Label Society e Killswitch Engage, reunidos em um mesmo dia, é o sonho de qualquer fã de música pesada e, felizmente, hoje nós temos essa oportunidade.

Falando em um tom mais pessoal, algumas das bandas estiveram presentes em momentos difíceis da minha vida, principalmente quando lembro de uma pessoa que mais me apoiava em meu gosto musical e me ajudou a estar escrevendo e vivendo esse mundo, e hoje não está mais entre nós. Dessa forma, a emoção de estar rodeado de pessoas que certamente têm histórias parecidas com a minha é algo único, e cada música tocada nesse dia ficará marcada para sempre na minha cabeça.

Abaixo, você confere a cobertura do primeiro dia de festival, os pontos altos e o desejo de uma edição tão sólida como a deste ano para 2027. Aproveitem!

Lucifer (Sun Stage)

Chegando com seu Hard Rock ocultista, o Lucifer abriu o set com “Anubis” e, logo de cara, já conquistou o público presente. Mesmo sendo a primeira banda do dia, eles já contavam com uma grande quantidade de pessoas que encaravam o sol quente. Na sequência, “Crucifix (I Burn For You)” colocou a plateia para cantar junto, principalmente por seu refrão pegajoso, enquanto “Riding Reaper” chegou mais cadenciada e hipnotizante, sobretudo por mostrar a potência vocal de Johanna Platow.

Nesse ponto, havia ficado claro que a banda foi um ótimo acerto para o festival, distribuindo clássicos de todos os seus discos, como “California Son”, e até um cover de Kiss, “Goin’ Blind”, com uma formação cheia de energia e presença de palco, principalmente pela baixista Claudia González Díaz.

Korzus (Ice Stage)

Em sua segunda apresentação no festival (a primeira foi em 2024), o Korzus chegou com a energia renovada, contando com dois nomes de peso em seu lineup: o guitarrista Jean Patton, que já tocava com a banda ao vivo, porém apenas como convidado, e a guitarrista Jéssica Falchi (ex-Crypta), que trouxeram mais peso e atitude a esse medalhão do metal nacional.

O show focou mais em três grandes discos da banda, Ties of Blood (2004), Mass Illusion (1991) e Discipline of Hate (2010), apresentando também a nova faixa “No Light Within”, que já contou com os novos integrantes na composição. Clássicos como “Discipline of Hate”, “Agony” e “Mass Illusion” dominaram o começo da apresentação, incendiando o público. “P.F.Y.L.” ficou ainda mais pesada ao vivo, assim como “Never Die”, que fez todo mundo pular e abrir os mosh pits.

Sendo a primeira vez que assisti à banda ao vivo, foi incrível ver a energia de todos os músicos, principalmente o domínio de palco do vocalista Marcello Pompeu, que entregou uma performance vocal absurda enquanto convocava todos os presentes a cantarem o refrão de “What Are You Looking For” e “Correria”, que contou com um dos maiores mosh pits do dia, encerrando um setlist cheio de peso, técnica e atitude.

Evergrey (Hot Stage)

Já reunindo um grande público em frente ao Hot Stage, o Evergrey começou seu show entregando muito peso em “Falling From The Sun”, com a plateia cantando bastante. Na sequência, “Where August Mourn” trouxe ainda mais peso, com todos batendo cabeça, seja no palco ou na pista.

Nesse momento, o forte calor já castigava o público, que aparentava estar incomodado, assim como a banda, já que vestiam jaquetas grandes e grossas, o que ficava evidente no rosto do vocalista e guitarrista Tom Englund, que estava vermelho já na terceira faixa, “Weightless”. “The World Is on Fire” e “Eternal Nocturnal” mantiveram o peso do começo e apresentaram solos incríveis, que certamente ficaram melhores do que nos álbuns.

A banda entregou um show extremamente técnico e pesado; porém, mesmo com muitos fãs agitando o tempo todo, acabou tirando um pouco da energia pós-Korzus. Talvez seja um show que funcionaria melhor em outro horário, mais para o fim do dia, ou até em um clube, pois as músicas pedem uma atmosfera mais contemplativa e com certa “teatralidade”.

Jinjer (Hot Stage)

Chegando à sua quarta apresentação no Brasil, os ucranianos do Jinjer entregaram um setlist cheio de groove, peso, partes progressivas e técnica, fazendo parte de sua Latin America Duél Tour 2026, comandados pela vocalista Tatiana Shmayluk, que mostrou como uma frontwoman deve ser, entregando gritos, guturais brutais e vocais limpos e cheios de melodia, demonstrando controle total não só de sua voz, mas também de todo o público, que cantava e batia cabeça sem parar.

Faixas como “Green Serpent” foram um dos destaques, com seus vocais angelicais e peso absurdo. Já “Fast Draw” trouxe uma velocidade matadora e mostrou o lado mais selvagem dos vocais de Shmayluk. “Disclosure!” e “Tantrum” trouxeram uma carga extra de groove para a apresentação, com a segunda soando ainda mais pesada e brutal ao vivo.

Com um setlist focado mais no último trabalho, Duél (2025), o Jinjer trouxe uma das melhores apresentações do dia e até mesmo do festival, mostrando a força e o protagonismo feminino no palco, algo que, felizmente, vimos também com outras bandas.

Torture Squad (Sun Stage)

Convidados de última hora para substituir o Fear Factory, o Torture Squad chegou afiado e entregou peso sem pedir licença. O show “Best of” celebrou 33 anos de estrada e funcionou como uma linha do tempo para o Death/Thrash nacional.

“Abduction Was The Case” abriu o set, resgatando a era The Unholy Spell (2001), e já colocou as primeiras rodas em frente ao palco. “Hellbound” trouxe uma avalanche de riffs de Rene Simionato e a bateria precisa de Amilcar Christófaro, além de Mayara Puertas, que domina o palco com guturais violentos e uma presença feroz. “Pandemonium” trouxe o Bangers abaixo com um peso brutal e velocidade insana, fazendo surgir uma roda gigante em frente ao palco.

“Blood Sacrifice” trouxe a fase mais recente da banda, provando que o Torture ainda segue relevante e brutal, assim como “Chaos Corporation”, trazendo riffs rápidos e animando ainda mais o mosh pit, destacando Christófaro como um dos melhores bateristas do metal nacional atualmente. Em 45 minutos, o Torture Squad fez mais do que apenas substituir outra banda, cravando um dos shows mais intensos e poderosos do festival.

Killswitch Engage (Ice Stage)

Retornando também pela segunda vez ao festival, o Killswitch Engage trouxe uma energia incrível ao Ice Stage. Os vocais de Jesse Leach são um show à parte, entregando emoção, brutalidade e melodia na medida certa, como vimos logo no início do show com “Fixation on The Darkness”. “In Due Time” fez todos os presentes cantarem junto e animou ainda mais o público, assim como “The End of Heartache”, que fez muitos se emocionarem (incluindo este redator), mostrando o poder que a música dos americanos tem.

Apresentando os trabalhos do novo álbum, This Consequence (2025), tivemos “Aftermath”, que superou sua já excelente versão de estúdio, e também “Broken Glass”, com bastante groove, blast beats e ótimos vocais de Leach. Próximo do fim da apresentação, “The Arms of Sorrow” e “Strength of The Mind” explodiram nos falantes, com a energia da banda sendo perfeita.

O público acompanhou cada batida, cada verso e respondia com paixão à interação do guitarrista Adam Dutkiewicz. “My Curse” foi o ápice do show, com todos cantando junto, o mosh pit destruindo tudo e até alguns sinalizadores aparecendo, formando a trinca perfeita com “My Last Serenade” e o cover da clássica “Holy Diver”, de Ronnie James Dio, encerrando, assim, um dos melhores shows do dia.

Black Label Society (Hot Stage)

Com uma presença marcante e muita atitude, o Black Label Society subiu ao palco pronto para entregar uma das apresentações mais fortes e potentes do Bangers. O líder da banda e gigante do metal mundial, Zakk Wylde, é um homem de poucas palavras, mas certamente deixa a música falar por si.

Logo na abertura, “Funeral Bell” avisou que a noite seria pesada, seguida de “Name in Blood”, do novo disco, que mostrou sua força ao vivo e colocou o público para bater cabeça sem descanso. Nesse momento, a banda já havia conquistado todos ali; porém, o solo cheio de feeling e fritação de “No More Tears”, além de um trecho cantado por Wylde, incendiou o festival, que gritou o nome do grande e saudoso Ozzy Osbourne, servindo como uma linda homenagem ao Príncipe das Trevas, simples, direta e sem exageros.

A emoção continuou com “In This River”, servindo como uma homenagem aos irmãos Abbott (Pantera), com a foto de ambos aparecendo no telão, o que deixou muitos visivelmente tocados. “Fire It Up” foi destruidora, com um dos riffs mais marcantes do metal moderno, onde Wylde e Dario Lorina despejaram solos cheios de fritação, harmônicos e o som no talo, assim como “Suicide Messiah”, que manteve o clima de velocidade, sem dar folga para respirar.

Mais um momento carregado de emoção foi “Ozzy’s Song”, com a imagem do Madman no telão, servindo como um abraço coletivo e trazendo lágrimas aos olhos de muitos. “Stillborn” fechou o setlist de maneira forte e matadora, mostrando que o Black Label Society tem tudo para dominar os palcos do mundo com muita autoridade e emoção.

In Flames (Ice Stage)

Trazendo um dos shows mais esperados do festival, o In Flames entregou uma verdadeira aula de Death Metal no começo da noite. O vocalista Anders Fridén dominou o palco com presença segura, alternando vocais rasgados e melódicos sem perder o fôlego, entregando, ao lado dos guitarristas Björn Gelotte e Chris Broderick, do baixista Liam Wilson e do baterista Jon Rice, um setlist que equilibrou a fase clássica do Death Metal Melódico e o material mais moderno, agradando tanto os fãs antigos quanto os novos.

Momentos como “Cloud Connected” e “Only for the Weak” fizeram o público cantar junto e vibrar com cada nota. “Meet Your Maker” foi um dos destaques, com bastante peso e um refrão cheio de melodia, cantado por todos. Os riffs da faixa ficaram mais intensos ao vivo, e a pegada Metalcore funcionou bem com “I Am Above”, indo na mesma linha e servindo para dar um gás no público, já cansado devido à maratona de shows.

Anders interagiu e agradeceu o tempo todo ao Brasil pela recepção e entusiasmo, reforçando a conexão que a banda tem com o país. A banda encerrou com “Take This Life” e foi ovacionada, confirmando que continua no topo do metal melódico mundial, entregando um show que ficará marcado na história do festival.

Tankard (Sun Stage)

Com um Thrash Metal sujo, rápido e bem-humorado, o Tankard subiu ao palco do Bangers com energia de sobra. O vocalista Andreas “Gerre” Geremia foi recebido pelo público enquanto segurava uma caneca de cerveja na mão e um sorriso no rosto, comandando o palco com maestria.

“One Foot in The Grave” começou o ataque Thrash com força total, cheia de riffs rápidos, e logo a primeira roda apareceu. “Morning After” quebrou tudo com um riff tão sujo que só mesmo a cerveja para limpar, e o mosh estava insano, com sinalizadores rolando soltos. “Rapid Fire” manteve a energia alta, enquanto “Die With a Beer in Your Hand” trouxe o Bangers abaixo com um mosh insano.

A banda estava afiada: Andreas Gutjahr despejou solos fritadores e Frank Thorwarth martelou o baixo sem dó. O Sun Stage também favoreceu a pegada old school da banda, com um som cru, alto e estalando nos ouvidos. Com um set que pareceu até curto demais pela diversão que proporcionou, o Tankard fez um show como manda a cartilha: rápido, sem firulas e com muita atitude, saindo ovacionados do palco e entregando, certamente, o melhor show de Thrash Metal do festival.

Arch Enemy (Hot Stage)

Servindo como uma apresentação da nova vocalista, Lauren Hart, para o público brasileiro, o Arch Enemy não perdeu tempo e já começou seu show com os dois pés na porta em “Yesterday Is Dead and Gone”, mostrando que Hart foi uma ótima escolha, entregando vocais poderosos.

“Ravenous” incendiou o Bangers com um peso absurdo, uma bateria metralhando tudo e uma enxurrada de riffs que acertavam em cheio todos os presentes. “War Eternal” se mostrou ainda mais pesada, com o som alto e explodindo nas caixas, enquanto as partes melódicas, aliadas aos vocais rasgados, faziam tremer o Memorial.

“Dream Stealer” pareceu abrir os portões do inferno, sendo uma música que é puro caos, peso e brutalidade. Após essa faixa, Hart interagiu com o público, que gritou seu nome, fazendo a vocalista se emocionar. Ela disse estar feliz de estar no Brasil e que, mesmo com seus companheiros de banda avisando sobre a energia do público brasileiro, ela se surpreendeu.

A nova música, contando com Hart nos vocais, “To The Last Breath”, deixou a vocalista mais à vontade, entregando uma performance poderosa e se destacando como uma das melhores do dia. Com esse show, a banda se mostrou entrosada, afiada e pronta para continuar sua dominação no Death Metal mundial.

Onslaught (Sun Stage)

Fechando os trabalhos no Sun Stage, pontualmente às 20:55, o Onslaught, a lenda do Thrash Metal inglês, chegou sem rodeios: guitarras afiadas e na cara, bateria explosiva e a potência vocal de Sy Keeler (David Sydenham), que cuspia versos com ódio, alternando entre drives sujos e agudos cortantes, que deixariam qualquer jovem de boca aberta.

Os motivos eram vários para celebrar o show da banda: a recuperação do guitarrista Nige Rockett, o retorno do clássico vocalista e, além disso, a comemoração de 40 anos do eterno clássico “The Force” (1986), elementos de sobra para que a única apresentação da banda no Brasil fosse especial.

Sem cerimônia alguma, subiram ao palco já executando um dos seus maiores hinos (senão o maior), “Power From Hell”, faixa-título do primeiro disco da banda, de 1985, levando todos à loucura. E, sem tempo para respirar, a banda emendou mais três do mesmo disco em sequência: “Thermonuclear Devastation”, “Angels of Death” e “Steel Meets Steel”, fazendo a festa da velha guarda que estava presente, com riffs cavalares e bumbo duplo fazendo o chão tremer.

Então, tirando um tempinho para respirar e reforçando os 40 anos de “The Force”, a banda seguiu com um bloco matador. “Let There Be Death” manteve o ritmo insano, seguida por “Demoniac”, que despejou ainda mais agressividade. Na sequência, “Metal Forces” abriu rodas intensas, enquanto o público presente — mesmo não tão numeroso, já que muitos foram para o palco principal — mostrou entrega total. Logo depois, a avassaladora “Fight With The Beast” elevou o nível de destruição, fazendo o mosh aumentar ainda mais e incendiando de vez o Sun Stage.

E, finalizando o show com a clássica “Killing Peace”, do disco homônimo de 2007, a banda ainda fez uma homenagem ao Motörhead, tocando “Iron Fist”, encerrando seu set de 55 minutos de forma absolutamente destruidora, em uma das melhores apresentações de todo o festival.

Por fim, Sy estava simplesmente insano: seu vocal está mais forte do que nunca e, mesmo com um show sem pirotecnia ou grandes surpresas, foi uma felicidade imensa ver uma banda entregar um set que pode ser considerado totalmente perfeito, deixando os fãs do mais puro Thrash Metal plenamente satisfeitos.

Overdose (Waves Stage)

Um dos grandes nomes do metal nacional, o Overdose foi responsável por fechar o último dia de festival — e o fez com maestria. Lutando no front do Thrash Metal desde os anos 80, a banda teve seu momento de brilhar em um teatro cheio de pessoas que, mesmo após um longo dia, ainda tinham forças para bater cabeça com Vitor Santos (vocal), Claudio David e Diego Quites (guitarras), Filipe Duarte (baixo) e Tiago Vitek (bateria).

“Street Law” explodiu nos falantes com um peso gigantesco e uma pegada mais Hardcore, onde os vocais de Vitor ficaram brutais, e sua atitude no palco é intensa. Nesse momento, o teatro foi enchendo cada vez mais, e muitos foram para a frente bater cabeça e cantar junto com a banda. “Manipulated” apostou mais no groove e muito peso, e “Children of War” também seguiu nessa linha, alternando com partes mais rápidas e, novamente, os vocais de Vitor dominando a faixa com seus urros brutais.

Outros clássicos e faixas mais novas foram entregues com precisão, como “João Sem Terra”, “Violence” e “Século XXI”, que ajudaram a compor um show pesado, cheio de feeling e com a importância que a história da banda merece. Se tiver a oportunidade, veja-os ao vivo, pois essa formação é uma das mais concisas que o metal já viu.

Compartilhe
Assuntos

Veja também