Ratos de Porão – “Onisciente Coletivo” (2002) (Relançamento 2025)

Ratos de Porão
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Ratos de Porão – “Onisciente Coletivo” (2002)
(Relançamento 2025)

Alternative Tentacles | Voice Music
#Crossover #Hardcore #PunkRock #ThrashMetal

Para fãs de: D.R.I., Municipal Waste, Surra, Suicidal Tendencies

Texto por Lucas David

Nota: 10

Já consolidado como uma das bandas mais importantes do Punk/Hardcore nacional, o Ratos de Porão lançou em 2002 seu 11º álbum de estúdio, o pesadíssimo Onisciente Coletivo. Naquele período, a banda já incorporava cada vez mais elementos de Thrash Metal à sua sonoridade, e o novo trabalho representou mais um passo nessa direção, sem abandonar a agressividade característica do Hardcore, aliada a letras cada vez mais políticas e atuais.

Abordando desde a realidade brasileira até acontecimentos globais, como os ataques de 11 de setembro, as críticas à sociedade, à corrupção, à desigualdade e à opressão do sistema continuam sendo um dos grandes destaques do disco. A banda também explora um lado diferente ao contar com a participação do rapper Rappin’ Hood na faixa-título, que apresenta um andamento mais cadenciado, enquanto os vocais de João Gordo e Jão alternam momentos de peso e revolta.

Já em “Terror Declarado”, temos o tradicional ataque Hardcore do Ratos de Porão, com João Gordo despejando vocais agressivos, riffs sujos e velozes, enquanto a cozinha formada por Boka (bateria) e o então estreante Fralda (baixo, ex-Blind Pigs) mantém tudo funcionando com muito peso e velocidade. “Engrenagem” acelera ainda mais o ritmo e leva a banda para territórios mais próximos do Thrash Metal. O baixo de Fralda acompanha os riffs de guitarra, ampliando a sensação de peso, enquanto Boka desfere viradas devastadoras e blast beats insanos.

“Playbaloser” surge como outra avalanche sonora, sustentada por riffs rápidos e marcantes que evidenciam a essência Hardcore da banda em uma faixa feita sob medida para os mosh pits. Já “Próximo Alvo” recupera o espírito Punk Rock com um ritmo acelerado e até dançante, deixando de lado parte do peso extremo para apostar em uma abordagem mais direta, mas não menos letal.

“Fragments of Society”, única música cantada em inglês, mergulha de vez no Thrash Metal e figura entre as faixas mais pesadas do álbum. Seus riffs velozes e os vocais dominantes de João Gordo chegam a lembrar, em alguns momentos, a agressividade de Chuck Billy, do Testament.

Reunindo elementos que a banda vinha desenvolvendo nos trabalhos anteriores — principalmente a fusão entre o Thrash Metal mais visceral e suas raízes Punk/Hardcore —, Onisciente Coletivo ocupa um lugar importante na discografia do Ratos de Porão. O álbum mostra uma banda afiada, segura de seu posicionamento político e social e sem medo de experimentar novas possibilidades sonoras. Se você ainda não possui este clássico, o relançamento em slipcase pela Voice Music é a oportunidade perfeita para conhecer ou revisitar uma das obras mais marcantes de uma das maiores bandas da história da música pesada brasileira.

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