SP Under Attack — RedStar Studios, São Paulo/SP (05/09/2026)

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SP Under Attack — RedStar Studios, São Paulo/SP (05/09/2026)

Produção: Pedro Zupo
Texto e fotos: Matheus “Mu” Silva

Como parte da NLHMLA (Nova Linha de Heavy Metal Latino-Americano), no último sábado (05), aconteceu o SP Under Attack, resgatando parte da história do Heavy Metal do nosso continente. Produzido por Pedro Zupo, um dos maiores fomentadores do metal latino-americano, o evento contou com as estreias em solo brasileiro do Acido, considerada a primeira banda de Heavy Metal do Uruguai, e do FeedBack, primeira banda do estilo no Chile, além das bandas locais Armadilha e Vingança Suprema.

Às 18h40, teve início a apresentação da primeira banda da noite, Vingança Suprema. Nome tradicional da cena Speed/Thrash Metal de São Paulo, o grupo trouxe seu som pesado e cortante, cantado em português, e apresentou sua formação renovada recentemente com a entrada dos jovens guitarristas Dudu e Erique, que esbanjaram técnica e feeling no estilo. Além disso, mostraram que a molecada está mergulhando cada vez mais no underground, algo que se faz necessário nos dias de hoje.

Focando principalmente em seu primeiro disco, o excelente “Massacre Final” (2013), a banda trouxe músicas marcantes como “Prepare-se Para Matar”, a faixa-título e “Vingança Suprema”, cantadas por vários presentes que acompanham o grupo ao longo de seus mais de 20 anos de existência. Realizando o set mais curto da noite, com 30 minutos, entregaram tudo o que uma banda do gênero necessita: peso e violência sonora, servindo como um ótimo aquecimento para tudo o que ainda estava por vir.

Às 20h, houve uma mudança necessária na ordem das bandas. Por conta de um súbito problema de saúde do baterista Raul, do FeedBack, o cronograma foi alterado e, no lugar do Armadilha, o Acido antecipou sua apresentação.

Pioneira do Heavy Metal no Uruguai, com sua formação original surgida em 1981 e atividade até 1987, a banda retomou sua história em 2010. O centro de sua existência segue na figura do divertido guitarrista e vocalista Juan “Perro” Acuna.

Com um som que traz aquela pegada de rock de estrada, sujo e pesado, a banda ganhou vida com uma formação brasileira de peso, contando com os guitarristas Gabriel e Gregório Bondezam, Pedro Zupo na bateria — sendo que os dois últimos também integram o Armadilha — e Adriano Conde no baixo, que também é vocalista do Sweet Danger.

Transitando majoritariamente pelo primeiro disco da banda, “Al Ataque” (2013), com músicas como “Torturadores”, “Negro Tren”, “Choper Americana” e “Yo Me Voy Al Uruguay”, além de algumas do excelente “Metalrock” (2018), como a faixa-título e “Triunfantes”, o show foi carregado de peso musical e histórico, mostrando a riqueza metálica do nosso continente.

A apresentação ainda contou com a participação de um baterista que considero um dos melhores do estilo na atualidade, Jean Praelli, do Dreamspace, nas músicas “A Orillas del Gran Rio” e “La Espada Sagrada”. O show foi finalizado com “Que Seja Rock”. Com 70 minutos de duração, a apresentação foi sensacional e marcou a poderosa estreia do grupo em nosso país.

Às 21h45, tivemos mais uma estreia no Brasil, desta vez com a banda chilena FeedBack. Assim como o Acido, seu proto-Heavy Metal tem aquela pegada mais rock ’n’ roll, porém ainda mais pesada e contundente. E ambos têm uma história parecida: o FeedBack teve sua primeira encarnação entre 1982 e 1992, entrando posteriormente em um hiato que durou até 2008, quando voltou com força total.

A banda gira em torno da figura do vocalista e guitarrista Nestor Leal, dono de uma humildade e simplicidade ímpares. E, iniciando com “Nós somos Feed Back, e tocamos Rock ’n’ Roll”, em alusão à evidente influência do Motörhead, a banda passeou por sua discografia com músicas como “Try to Feel”, “Fighter” e até mesmo “Sueno Contigo”, dedicada ao amor da vida de Nestor, algo que derreteu alguns corações no evento. Era nítida, em suas palavras, a felicidade de realizar aquela homenagem.

É curioso traçar um paralelo entre as bandas sul-americanas que tocaram no evento e suas influências. Se usarmos como referência bandas nacionais precursoras do estilo, como o Stress, por exemplo, a diferença de composição é perceptível. Como mencionei acima, em ambas as bandas que vieram, a influência do Rock ’n’ Roll mais acelerado do final dos anos 70 é bem maior do que nas bandas daqui, que se espelhavam mais em Iron Maiden e Van Halen.

Musicalmente, isso se mostrou uma grata surpresa. O FeedBack, em especial, serve como parâmetro para observar a evolução da música pesada na América Latina.

Encerrando seu set com a extensa “Caballero Negro”, a banda fez uma apresentação de 55 minutos, deixando, porém, um pedaço de sua história fora de seu país natal e saciando a vontade de vários presentes de ver uma banda tão simbólica na gênese do metal em nosso continente.

E, finalmente, às 23h10, o Armadilha iniciou sua apresentação, agora como headliner do evento. Vivendo um grande momento em sua trajetória, a banda paulistana de Heavy Metal aproveitou a ocasião para lançar seu mais novo disco, “Além do Limite Astral” (2026), sério candidato a um dos melhores álbuns do ano.

Com seu Heavy Metal em português e de espírito Old School, fincado nas raízes do gênero, a banda entrega um dos shows mais divertidos da atualidade, com enorme presença de palco de seus integrantes, além de ter várias de suas músicas cantadas pelo público. “Choque Elétrico” e “Metal Inquebrável”, que pode até ser considerada um hino contemporâneo do estilo, foram alguns dos grandes destaques.

A prova disso foi que diversas pessoas subiram ao palco para cantar junto com a banda, exaltando o clima festivo que permeou toda a apresentação. Entregando um show de 60 minutos e encerrando o evento com chave de ouro, o Armadilha mostrou por que é um dos nomes mais importantes e relevantes do Heavy Metal no Brasil. A troca de posição no cast, inclusive, acabou sendo ainda mais funcional do que poderia se imaginar, já que a banda possui um apelo maior junto ao público presente.

Sábado foi um dia histórico. Bandas nacionais consolidadas e bandas estrangeiras que ajudaram a desenvolver o metal em nosso continente mostraram como a música pesada atravessou gerações e, mais importante, continuou fiel à sua essência.

Foi realmente uma festa, em todos os sentidos. Parabéns, principalmente, ao Pedro Zupo por resgatar uma parte importante, porém não tão lembrada por muitos, do metal desenvolvido por nossos vizinhos.

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