Apocalyptica – Carioca Club, São Paulo/SP (16/10/2026)

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Apocalyptica – Carioca Club, São Paulo/SP (16/10/2026)

Produção: Overload
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Alessandra Rosato

Dois anos após sua última passagem por aqui e em sua sexta visita ao nosso país, o Apocalyptica voltou ao Brasil. A banda finlandesa toca Metal de uma das formas mais extravagantes possíveis: utilizando violoncelos. Além disso, ficou famosa principalmente por suas releituras de clássicos do Metallica com esses instrumentos.

Desta vez, o grupo trouxe a turnê “Apocalyptica Plays Metallica, Vol. 2”, em suporte ao álbum mais recente, no qual revisita o catálogo do Metallica e regrava clássicos atemporais do maior nome da história do Metal. Ao todo, foram cinco datas pelo país. Portanto, o show desta sexta-feira (16), em São Paulo, foi o terceiro da série, com produção da Overload.

A apresentação começou às 21h, mas logo veio a primeira oportunidade desperdiçada pela banda. Assim como o Metallica inicia seus shows com “The Ecstasy of Gold”, o Apocalyptica também utilizou a composição. Entretanto, teria sido deveras interessante se o grupo entrasse tocando a música, afinal, os elementos orquestrais combinariam perfeitamente com sua proposta.

Dito isso, a banda entrou em cena com “Ride the Lightning”. É realmente curioso ver um grupo executar um som voltado ao Thrash Metal utilizando instrumentos clássicos e, ainda assim, extrair deles um peso considerável. Claro que o público também ajudou com os vocais, já que os próprios músicos raramente cantaram trechos das músicas, exceto quando queriam agitar a plateia.

Logo depois, veio “Enter Sandman”, e a resposta dos presentes foi imediata. Mesmo sendo aquela música que virou um absoluto “arroz de festa”, tocando até em casamentos, vê-la ganhar uma nova roupagem foi divertido. Afinal, não dá para deixar de cantar junto!

O repertório concentrou boa parte de sua força no clássico incontestável “Ride the Lightning” (1984), do Metallica. Na sequência, vieram “Creeping Death” e “For Whom the Bell Tolls”, hinos absolutos do disco. Nesta última, principalmente, a banda cantou para agitar o público, criando momentos de puro peso e fazendo jus à obra original.

Ainda durante esse passeio pelo álbum, chegou justamente a música que eu mais estava curioso para conferir: “The Call of Ktulu”. A interpretação foi simplesmente brilhante e ganhou uma dedicatória ao eterno Cliff Burton. O baixista tinha uma visão extraordinária das quatro cordas e deixou um legado imenso para o Heavy Metal. Nesse sentido, a homenagem foi ainda mais especial, já que o trabalho do Apocalyptica parece uma extensão dos graves poderosos que Cliff deixou como legado.

Quando não estavam tocando, os integrantes aproveitavam para conversar com o público. E como gostam de falar! (risos). Entre histórias um tanto óbvias sobre a banda e relatos sobre a ideia de fazer tudo aquilo acontecer, eles deixaram evidente o amor que sentem pelo Metallica.

Foi nesse contexto que surgiu uma das interpretações mais inesperadas e, ao mesmo tempo, peculiares de toda a noite: “St. Anger”. Ver a música ganhar contornos de música clássica, chegando até mesmo a incorporar blast beats no final, foi talvez uma das sacadas mais originais que já vi na vida. E sim, ficou melhor que a versão original e seu som de bateria de lata, algo que até os próprios músicos fizeram questão de mencionar como um elemento “diferenciado” (risos).

A diversão continuou com mais peso em “The Four Horsemen”, “Blackened” e, claro, “Master of Puppets”. Mais uma vez, a banda cantou alguns trechos junto com o público para incendiar ainda mais a plateia. Entretanto, os presentes já entoavam praticamente a música inteira, e a resposta ao grupo impressionou.

Depois de tanta intensidade, chegou a vez de “Nothing Else Matters”. A composição ganhou até um clipe na época de seu lançamento e ajudou a projetar o Metallica com essa proposta musical. No Carioca Club, a música proporcionou um momento mais introspectivo, embora tenha sido cantada de maneira bastante emotiva pelo público.

Inclusive, um dos integrantes brincou ao chamar a casa de “Karaoke Club”. Afinal, o público brasileiro tem todas as letras na ponta da língua!

Na sequência, o Apocalyptica instigou a plateia prometendo algo “pesado e Old School”. A escolha foi “Seek and Destroy”, mas a surpresa veio durante a execução: a banda ainda encaixou “Refuse/Resist”, do Sepultura, em meio à música. A inclusão surpreendeu muita gente, inclusive a mim. Além disso, foi muito bom perceber o respeito dos finlandeses pela maior instituição metálica do nosso país.

Para fechar a apresentação, veio “One”. A música contou ainda com a voz de ninguém menos que James Hetfield, reproduzida pelo sistema de som. No álbum do Apocalyptica, o vocalista cedeu suas linhas vocais para a composição, que ganhou uma abordagem mais introspectiva. Dessa forma, a interpretação adquiriu contornos melancólicos e tocantes, tornando-se certamente o ápice de todo o show e encerrando os 90 minutos de apresentação.

Por mais que muitas bandas já tenham gravado álbuns com orquestras, respeitando a sonoridade original de seus instrumentos, ver um grupo pegar um instrumento clássico tão nobre quanto o violoncelo e transformá-lo em uma ferramenta voltada ao Heavy Metal é algo impensável para muita gente. Entretanto, o Apocalyptica deu vida a essa ideia de maneira totalmente contundente.

Além disso, seu show funciona muito bem ao vivo: é divertido, envolvente e repleto de momentos surpreendentes. Para quem é fã do Metallica, principalmente, vale a pena conferir quando surgir a oportunidade. Afinal, poucas bandas conseguem transformar violoncelos em protagonistas de uma apresentação tão pesada e, ao mesmo tempo, tão particular.

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