
O Brasil está passando por uma fase extremamente conturbada, onde cada dia que passa mais sujeira se descobre daqueles que deveriam ajudar o pais a crescer. Vindo da capital, Brasília, ‘QG’ central de onde toda a sujeira do país é emanada, a banda Mofo vem colhendo ótimos frutos e está cada vez mais virando sinônimo de orgulho para uma legião de headbangers espalhadas pelos quatro cantos do país. Sua sonoridade Speed/Thrash Metal resgata a honestidade, paixão e sinceridade dos anos 80 e, por conta disso, batemos um papo com Rodrigo “Shakal” Loreto (Guitarra) e Emiliano Gomes (Vocal) que nos contaram toda trajetória do quinteto e muito mais. Confira!
Por William Ribas
Metal Na Lata: Como surgiu a banda? E por que o nome Mofo?
Rodrigo “Shakal” Loreto: Mofo surgiu na época de colégio ainda com Shakal e Werner, dupla de guitarras original, querendo tocar o metal que ouviam na época, algo mais puxado para o Iron Maiden, “Kill’em All” (Metallica), esse tipo de coisa. E dessa época veio o nome MOFO. Dado pelo pai de Werner, não foi nosso primeiro nome, e ninguém o amava, para ser sincero todo mundo achava uma bosta. Mas ninguém concordava com um nome melhor e assim MOFO manteve seu cargo e acabamos aprendendo a gostar do nome. Até já perguntaram se é um acrônimo pra motherfucker, uma ideia muito melhor do que a original, mas a gente é idiota mesmo e é só MOFO de armário mesmo (risos).
Metal Na Lata: Ouvindo as músicas do EP de estreia, “Empire Of Self-Regard”, podemos ver bastante influencias do Thrash Metal da Bay Area, tudo indo na linha Old School, mas tudo com originalidade ímpar. Como a banda trabalha? Qual o processo de criação das músicas do EP?
Rodrigo “Shakal” Loreto: O processo de criação mesmo é sempre bem parecido. Não experimentamos muito dentro do estúdio, somos muito dispersos e já criamos coisas bem loucas em ensaios, mas ninguém lembra e assim a música some, então, nosso processo é fora do estúdio primeiro. Alguém cria a fundação da música: introdução, verso, algum esboço do refrão. Geralmente até o primeiro solo. Daí vamos passando para os outros integrantes opinarem e contribuírem, de letra até tempo e linhas de bateria. Depois de uma estrutura mais sólida pronta, levamos para o estúdio e ensaiamos até amarmos ou odiarmos a música. E assim damos os toques finais ou reestruturamos a música inteira. Então, fora do estúdio criamos o alicerce, desenvolvemos em cima e aí entramos em estúdio para conhecer a música de verdade e lapidá-la ao nosso gosto.
Metal Na Lata: “Empire of Self Regard” vem obtendo muitos elogios, muitos bangers vem comentando sobre a banda e nas redes sociais o interesse por vocês está grande, como vocês veem isso? Bate algum nervosismo ou “pressão” perante a tanto elogios sobre o som de vocês?
Emiliano Gomes: Temos o seguinte modus operandi: Sempre queremos fazer o melhor, não importa onde, não importa quando. Sempre tentamos em todos os shows, e até em ensaios, nos desafiarmos a conseguir mais excelência. Com essa mentalidade, acho que tudo fica um pouco mais leve. Fazemos nosso trabalho da melhor maneira e esperamos que as pessoas gostem. Acho que não rola muito esse nervosismo porque sabemos o quanto de sangue a gente já derramou por essa banda. Acho que a gente não espera fama, nem dinheiro, esperamos que as pessoas curtam nosso som, de preferência dentro de uma rodinha quebrando tudo.
Metal Na Lata: A banda já tocou com grandes nomes do cenário nacional mesmo com poucos anos de estrada e, também, tocou em muitos “buracos” em Brasília. Qual é a experiência que vocês tiram dessas ocasiões?
Rodrigo “Shakal” Loreto: Sempre levamos um aprendizado de cada evento, seja com os músicos sobre estúdio, equipamento, novos lugares para tocar, produtores, ou com os organizadores sobre como fazer um evento (e como não fazer), mas principalmente as amizades que fortalecem o underground. Em especial Jôsefer e Xupita, ambos do Flashover e Phrenesy. São nossos padrinhos da cena. Cada show é único e cada experiência é marcante. No final, sempre gostamos de gente gritando nosso nome e alucinando nas rodinhas. Enquanto tiver uma alma para nos ouvir, MOFO estará lá, tocando da melhor maneira que puder, performando da melhor maneira que consegue. E é isso que nos mantêm unidos, é isso que nos move.
Metal Na Lata: Por vocês serem de Brasília e, em certo ponto, estarem mais perto de toda essa sujeira que rola no Senado e por todo o Palácio do Planalto, acaba sendo uma inspiração para letras?
Emiliano Gomes: Creio que essa influência seja uma coisa mais subconsciente. Os habitantes de Brasília, em sua grande maioria, não convivem com toda essa sujeira, são pessoas normais. Várias vezes, nem lembramos que estamos no centro da merda do Brasil. Gostamos de pensar em problemas globais também, mas um dia tocaremos na frente do Congresso só para ver se rola algo, seria doido.

Metal Na Lata: Em outubro, vocês participaram da seletiva para o festival Porão do Rock, a banda ganhou a seletiva e estará tocando no festival agora em novembro, qual foi a sensação no momento que anunciaram que tinham ganhado a vaga?
Emiliano Gomes: O nosso vocalista escreveu um texto que descreve muito bem o sentimento geral de toda a banda, mas acho que a melhor palavra que descreve isso é: orgulho. Orgulho de saber que todo nosso sangue por essa banda não está sendo em vão, que depois de termos sido ludibriados por uma empresa de prensagem em São Paulo, por termos tido várias formações nos últimos anos, com todas as adversidades, a gente tem progredido. O nosso EP é nosso filho, que compartilha guarda com cinco excelentes músicos e pessoas. O êxtase de que iremos tocar no Porão ainda é gigante, às vezes acordo e me pego pensando se aquele dia foi real. Agora é só destruir tudo!
Metal Na Lata: Uma demo, um EP, e sete anos de fundação. Para quando teremos um disco completo?
Rodrigo “Shakal” Loreto: É, acho que estamos devendo esse LP até para nós mesmos depois de tanto tempo de banda! Quando tivermos de oito a dez músicas, entre 34 e 42 minutos de inéditas, entraremos em estúdio. Mas já temos boa parte das músicas escritas para o disco. Duas delas já estão no nosso repertório faz tempo e estamos finalizando mais três. Então, acho que final de 2018 é uma boa previsão.
Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, o espaço final é de vocês.
Emiliano Gomes: Gostaríamos de agradecer a todos que apoiam a cena, todas as zines, blogs, páginas, bandas, produtores, fãs, TUDO! Sem vocês nada do que fazemos seria possível e quem está no meio underground sabe, é muito sangue, muita raça e muito amor. Nós temos sonhos, ambições, quem sabe um dia tocar no WACKEN e fazer um mar de gente bater cabeça? É utópico demais? Óbvio, mas quem limita seus sonhos, limita seu potencial. Vamos lá galera, acompanhem o Mofo, apoiem a cena pois mais pedrada vem vindo por aí. MOFE OU MORRA e nos vemos, no mínimo, no porão (risos).
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