Cerrado In Hell Metal Fest, ARUC, Brasília/DF (09/06/2018)

35238498_1082658421874441_7089315599083372544_n
Compartilhe

Cerrado in Hell Metal Fest
Bandas: Estado RevoltosoAge Of ArtemisFleshpyreBlazing DogFlashoverKrisiun

Local: ARUC, Brasília/DF
Data: 09/06/2018

Texto, fotos e vídeos por Victor Augusto

Quem pode acompanhar um pouco do nascimento do Cerrado In Hell, teve a grande expectativa em saber como se sairia esse festival, que já surgiu com cara de grande. Durante o início do ano de 2018, as primeiras atrações foram confirmadas aos poucos, trazendo grandes nomes da cena local. A Euforia ficou maior quando os gaúchos do Krisiun foram anunciados como atração principal, afinal trata se de um dos maiores nomes da cena nacional atualmente.

A mistura de estilos, que foram desde o Power Metal ao Death extremo, mostrou que os organizadores prezam pela boa música, sem separatismos ou frescuras. Os produtores de outros renomados festivais do DF, como o Ferrock e Headbangers Attack, ajudaram na promoção do evento, aumentando mais esse clima de união entre bandas e festivais, algo que a cena de Brasília precisava muito.

O local escolhido foi a tradicional escola de samba brasiliense, ARUC (Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro), que proporcionou um amplo espaço, iluminação e estrutura de som. Muitos estranharam de início, por não ser um espaço propriamente para o Heavy Metal, mas o ginásio utilizado para os ensaios da escola é realmente grande e a acústica suportou muito bem o tipo de som e o volume infernalmente alto das bandas.

Estado Revoltoso

A primeira banda a estrear o palco do Cerrado in Hell foi o Estado Revoltoso, com um Death Metal mais arrastado, remetendo ao Doom e Black Metal em algumas passagens. Muitos ainda estavam fora do local no início do show, mas logo na segunda música já havia um número legal de pessoas.

Um fator interessante sobre o trio é as letras em português, sobre temas soturnos e não necessariamente satânicos. Existe uma certa simplicidade nas composições, como foi no bem tocado solo de “Eles Caminhavam Com a Morte”.

Em “Mentes Assassinas”, a banda mostrou uma pegada mais forte e também surpreendeu com um lado Punk/Hardcore, tanto no som quanto no tema, na música “Idiotas Pelas Ruas”. O show foi encerrado com a “Depravações”, indo para um lado mais épico e pegado.

Apesar da apresentação curta, o vocalista não escondeu a emoção de participar do festival, agradecendo ao público e citando todas as bandas do cast.

Setlist Estado Revoltoso

As Chamas Rompem a Escuridão 
Eles Caminhavam Com a Morte
Mentes Assassinas 
Crentes Prostitutas
Idiotas Pelas Ruas
Depravações

Age Of Artemis

Como eu já mencionei, a mistura de diferentes estilos foi uma boa sacada no festival, fazendo com que ele não tornasse cansativo ou maçante. A representante do Power/Prog Metal, foram os brasilenses do Age of Artemis.

Comentar sobre a qualidade musical de uma banda tão consagrada como eles, é chover no molhado, mas vale ressaltar que toda essa técnica e experiência foi um diferencial no palco, tanto em sua atuação, quanto no som obtido. As músicas estavam extremamente alta, mas tudo muito definido e nítido. A empolgação da banda mostrou que eles não estavam só cumprindo mais um show e sim tocando com garra e vontade de agradar a todos.

A banda apresentou músicas como “What Lied Behind” e “Echoes Within”, do álbum “Overcoming Limits”, mas também mostraram um pouco do que está por vir no disco novo, com a “Unkown Strength”. Deu para perceber que a banda está buscando uma pegada mais forte para o próximo material.

O vocalista Pedro Campos e o baixista Giovanni Sena não deixaram de agradecer imensamente aos fãs que estavam apoiando ao evento e ao Heavy Metal, numa cena tão difícil como essa.

O encerramento do show foi com “Under the Sun”, dedicada a Mario Linhares (Dark Avenger/Harllequin) que faleceu em dezembro de 2017. O show agradou bastante o público, mostrando que a banda além de saber o que faz, demonstra bastante simpatia.

Setlist Age Of Artemis

What Lied Behind (Intro)
Echoes Within
Mystery
Broken Bridges
Unkown Strength
The Waking Hour
You’ll See
Penance (Intro)
Under The Sun

Fleshpyre

Os brasilienses do Fleshpyre são aquele tipo de banda que surgem como promessa. A explicação disso talvez seja a qualidade e experiência de seus músicos. De promessa, viraram realidade após o lançamento do petardo, o “Unburying The Horses Of War”, trazendo um Death técnico e com uma pegada mais épica.

Após a introdução de “Avaccio Sarai Dove”, a banda entrou com tudo na “Unburying The Horses Of War”, arrancando uma boa resposta dos fãs, mesmo com o som meio baixo e embolado. Logo na sequência, a pedidos do vocalista, o som foi ajustado para “Nous”. Há de se destacar que a atuação no palco de Yuri Sabaoth é tão excepcional quanto o seu vocal. Ele não só mantém uma boa comunicação e simpatia com o público, como simplesmente interpreta e passa uma grande empolgação, da forma que um grande frontman deve ser. A dupla Josivan Ribeiro (baixo) e Diego Lima (guitarra) também não deixa por menos.

A música “Perpetrator” encerrou o set da banda com direito a um solo de bateria de Daniel Moscardini, que é extremamente técnico e rápido, não aliviando a porrada em seu kit. Mesmo com o som um pouco mais baixo e meio embolado em certos momentos, a banda deu o seu recado. Fizeram um show insano e foi a primeira banda a abrir rodas no festival.

Setlist Fleshpyre

Avaccio Sarai Dove
Unburying The Horses Of War
Nous
Bodily Ecstasy
The Wanderer
Fleshpyre
Perpetrator

Blazing Dog

O Blazing Dog foi mais um nome consagrado nacionalmente e acertadamente escalado para o festival. O show dos brasilienses foi marcado não só pela qualidade e história da banda, mas também por celebrar o seu retorno aos palcos após três anos sem atividades.

Com alguns membros novos e mesmo sem tocar por algum tempo, a banda não perdeu a forma, muito pelo contrário, estavam com o gás total. “Icarus/Supreme Wings” foi a escolhida para abrir o show, mostrando um som muito bem equalizado e num bom volume. O Heavy Metal da banda, numa veia mais tradicional, não poupa peso e empolgação, conquistando a todos.

Antes de anunciar a música “Deus Ex Machina”, feita em homenagem a Ayrton Senna, o vocalista Carlos Sousa agradeceu imensamente ao público e ao festival pela noite. Um fato muito legal, que demostrou a simpatia e carisma da banda, foi antes de anunciar o tema de “Easy rider”, quando Carlos interrompeu a sua fala ao ver um antigo guitarrista da banda na plateia. Ele não poupou agradecimentos e elogios ao antigo companheiro. A música “Rock N’ Roll God”, composta em homenagem a Ronnie James Dio, foi dedicada no show, também, a Mario Linhares.

A banda aproveitou a noite para apresentar as músicas “Sands Of Time” e “Infinite Circle”,que ainda serão lançadas, mostrando um bom peso e velocidade, incluindo alguns curtos blasts beats. A saideira ficou com a faixa que leva o nome da banda, encerrando esse espetacular show. Um alívio na saudade dos fãs em ver esse grande espetáculo e um gosto de quero mais.

Setlist Blazing Dog

Icarus/Supreme Wings
Battle Splendour
The Shadow
Deus Ex Machina
Easy Rider
Rock N’ Roll God
Sands Of Time
Infinite Circle
Blazing Dog

Flashover

Apesar de conhecer os integrantes do Flashover, costumo me perguntar o que esses caras bebem, ou que entidade eles invocam antes de tocar, pois o que eles têm de tranquilidade fora dos palcos, eles têm de insanidade quando lá sobem. Já vi muitos shows deles, afinal a banda não é nada nova, mas neste eles se superaram

O quarteto está divulgando o novo disco “Souls Consumed By War” (que já foi lançado, apesar de um problema na entrega dos CDs pela empresa que faz a prensagem) e a experiência, somado ao entrosamento desses caras foi algo de impressionar.

Com um som bem nítido e alto, a banda tocou impecavelmente e não houve um segundo sequer que eles aliviaram em sua performance. Itazil Júnior comanda os vocais com muita agressividade e consegue agitar, mesmo acumulando a função de guitarrista base também. Fernando, na guitarra solo, executa boas partes nos vocais e parece possuído durante todo o show de tanto bater cabeça. O baixista Tiago é o mais “inquieto”, correndo mais pelo palco, indo de ponta a ponta do palco o tempo todo. Não podemos esquecer de Josefer Ayres, que é um rolo compressor na bateria, mostrando inúmeras viradas e misturando a pegada Thrash com várias partes mais extremas.

A energia estava tanta no palco que até a guitarra de Fernando pediu arrego, quebrando na metade da clássica “Kill The Priest”. Não pense que isso quebrou o clima, pois a banda estava tão afiada que Itazil logo passou a sua guitarra para ele, ficando somente com os vocais e mais livre ainda no palco. Na sequência, o guitarrista Julio Rasec do Blazing Dog, admiravelmente emprestou a sua Gibson para que Fernando continuasse o show e tudo fluiu normalmente.

A banda tocou bastante sons novos, mas não deixou de fora as clássicas “Season In hell” e “Rise Above The Sky”, que sempre levam os seus fãs a loucura. Indiscutivelmente, a banda vive um momento excepcional e fizeram um show histórico. O Flashover não deixou nada a dever, nem mesmo para a atração principal.

Set List Flashover

Souls Consumed By War
Underestimate
Say My Name
Land Of Cannibals
Season In Hell
Rise Above The Sky
Days Of Figth
Superior
Dogs Of War
Kill The Priest
In The Name Of God
Flesh And Blood
Countless Batory (Venom)

Krisiun

A ansiedade pelo show do Krisiun era grande, afinal havia muito tempo que o trio não passava por solo candango e seu show em 2017 foi impossibilitado de acontecer, horas antes da apresentação, devido uma forte tempestade que destruiu o palco.

O trio foi recebido com muita euforia e para melhorar, abriram o show com a pesadíssima “Kings Of Killing”, botando a ARUC abaixo. Guitarra, baixo e bateria no talo, tudo muito bem definido, fazendo a galera ir a loucura. Quem não estava se acabando nas rodas, estava batendo cabeça e pirando com o som. Sem tirar o pé do acelerador, “Ravager” veio para manter o “aquecimento” do público. Reparei que o guitarrista Moyses Kolesne passou a fazer bastantes backing vocals em várias músicas, aumentando mais a sua presença no palco.

O vocalista Alex Camargo foi bem enfático nos agradecimentos e em praticamente entre todas as músicas elogiou o festival e o público que ali estava. Ele também exaltou o orgulho de ser brasileiro, mesmo diante de tudo o que o país tem vivido de dificuldades e problemas. O show continuou com músicas mais recentes, como “Blood Of Lions” e “Combustion Inferno”, mostrando que Max Kolesne sabe o que faz na bateria, com os blasts beats, dando paradas repentinas e surgindo tecnicamente extremo de volta.

“Ways Of Barbarism”, do seu último lançamento, o “Forged in Fury”, caiu muito bem ao vivo, deixando claro que mesmo eles sendo uma banda com muitos anos e lançamentos dentro de um estilo tão extremo, ainda conseguem trazer novos elementos ao som.

O set foi bem abrangente a quase todos os álbuns e teve o tradicional solo de bateria de Max. Ainda teve a surpresa de um matador cover de “Aces Of Spades”, do Motörhead. Após encerrarem o show com “Ominous”, o público pediu mais uma e foram prontamente atendidos com a pesadíssima “Black Force Domain”.

Com todos os presentes gritando alucinadamente o nome “Krisiun”, os três vieram à frente do palco agradece a plateia e tirar uma foto, encerrando com muita categoria a noite do Cerrado In Hell.

Set List Krisiun

Kings Of Killing
Ravager
Blood Of Lions
Combustion Inferno
Descending Abomination
Vengeance Revelation
Ways Of Barbarism
Hatred Inherit
Drum Solo
Ace Of Spades (Motörhead)
Slain Fate
Ominous
Black Force Domain

O Cerrado In Hell passou pelo batismo de fogo, proporcionando uma noite empolgante para os fãs de diversos gêneros. Bandas novas, consagradas e diversificadas tiveram seu espaço, não havendo nenhum tipo de desrespeito entre bandas e entre o público.

Que o nome do festival continue a crescer, dando vida ao underground. A cena do Distrito Federal estava carente de algo nesse nível de qualidade e profissionalismo, 100% voltado ao Heavy Metal.

Compartilhe
Assuntos

Veja também