Abbath – “Dread Reaver” (2022)

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Abbath“Dread Reaver” (2022)
Season of Mist

#BlackMetal, #HeavyMetal, #SpeedMetal, #ThrashMetal

Para fãs de: Immortal, Satyricon, Marduk, 1349

Nota: 9,0

Dentro do rock existem pessoas que ficam marcadas pelos mais diversos motivos. Um dos mais conhecidos dentre esses é Abbath ou Abbath Doom Occulta (pseudônimo de Olve Eikemo) que ficou marcado inicialmente por sua banda, o poderoso Immortal, e depois por seu bom humor diante de entrevistas e shows. Muitos se incomodam com o jeito do multi-instrumentista, por não ser “troo” o suficiente (o que, para mim, é uma grande besteira) e se esquecem de como ele é talentoso em diversos projetos que criou/fez parte.

Uma de suas últimas empreitadas é o projeto solo Abbath, que já conta com 2 álbuns de estúdio, sendo calcados no Black Metal já conhecido pelos fãs, mas com toques de outros estilos, principalmente o Heavy Metal clásico e Motörhead (Abbath tem um projeto chamado Bömbers que presta tributo a Lemmy e Cia). E agora em seu novo disco, “Dread Reaver”, que aproxima ainda mais o muito amado/muito ridicularizado frontman do ponto ideal entre Bathory, Motörhead, Manowar e Kiss (seu objetivo declarado para a produção deste álbum). Nesse disco sentimos todas essas referências, mas sem perdermos os pontos que fizeram de Abbath ser quem é.

Logo na abertura com “Acid Haze” temos aquele velho Black Metal com toques de Speed, seja na velocidade matadora da bateria ou pela avalanche de riffs que preenchem a faixa. Os vocais característicos estão presentes, e melhores do que nas produções anteriores. “Scarred Core” já entra na sequência e mantém a velocidade, com um ritmo feito para bater cabeça. A faixa é tão poderosa que é necessário ouvir mais de uma vez, para absorver todos os riffs, além de um solo perfeito evocando o “Necro-som” vindo da Escandinava. O baterista Ukri Suvilehto faz um trabalho incrível nas duas faixas, com uma pegada forte, trabalhando junto com o baixo de Mia Wallace para criar uma cozinha perfeita.

“Dream Cull” foi o primeiro single lançado, contando com um videoclipe e tendo uma levada de “Creatures of The Night” do Kiss, sendo mais cadenciada e contando com mais um solo ótimo. Como dito anteriormente, o álbum é um festival de riffs e solos inspirados, e a dupla de guitarristas Abbath/ Ole André Farstad entrega um trabalho digno de grandes nomes do Metal. Enquanto muitas das faixas são Speed Metal-encontra-Classic Metal, com uma boa dose de Black Metal segurando tudo junto, certamente há alguns momentos que têm uma proximidade com os últimos dias do Immortal, especificamente “The Book of Breath” e na sombria e congelante “Septentrion”. Além disso, a quarta faixa do disco, “Myrmidon”, vai satisfazer os fãs do “supergrupo” de curta duração I, com sua marca de Metal dos anos 80.

O último destaque que gostaria de apresentar é o excelente cover de “Trapped Under Ice” do Metallica. Alguns podem reclamar e dizer que a música poderia ser um bônus ou que ela já foi reproduzida tantas vezes por outros grupos, mas ela encaixou perfeitamente na proposta e som do disco. Essa versão com os vocais roucos de Abbath trouxeram um novo respiro a música, e se você não ficar convencido com ela desde o início, garanto que o solo o fará mudar de ideia.

Eis aqui um pensamento, Abbath – você essencialmente sabe o que esperar, mas então você ouve o disco e fica surpreso e encantado. “Dread Reaver” só solidifica ainda mais o fato de estarmos vivenciando o trabalho de um dos maiores compositores da história do metal extremo. Abbath sempre foi muito mais do que um meme da internet e uma caricatura, e esse disco só dá mais credibilidade ao quão talentoso como compositor e intérprete ele realmente é. Devemos admitir que nada pode pará-lo e ficamos felizes com isso.

Lucas David

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