AC/DC – Morumbis, São Paulo/SP (24/02/2026)

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AC/DC – Morumbi, São Paulo/SP (24/02/2026)

Realização: Live Nation Brasil
Assessoria: Motisuki

Texto e fotos por Johnny Z.

A noite de 24 de fevereiro de 2026 já entrou definitivamente para a história dos grandes espetáculos realizados em São Paulo, e, logicamente, para este humilde redator que por alguns motivos familiares perdeu os últimos dois shows dessas lendas do rock em nossas terras.

O show no Morumbi reuniu mais de 80.000 pessoas – de acordo com a organização – em uma experiência coletiva intensa, vibrante e profundamente emocional — um daqueles eventos que transcendem a ideia de simples apresentação musical e se transformam em celebração cultural de proporções gigantescas. O termo nostalgia ganhou profundidade e tamanho ainda maiores.

Todos os setores do estádio estavam completamente lotados e preenchidos, das arquibancadas superiores à pista comum, criando um cenário impressionante de massa humana pulsante com seus chifrinhos acesos. Ainda assim, a pista Premium oferecia espaço relativamente confortável e ótima visibilidade (exceto pela falta de bom senso do pessoal que insistia em levantar os braços com seus celulares o tempo todo), permitindo que o público aproveitasse o espetáculo com ‘tranquilidade’, algo frequentemente destacado por quem esteve presente.

Desde o fim da tarde, a atmosfera ao redor do estádio já indicava a magnitude do evento. São Pedro deu uma trégua e algumas horas antes do show de abertura a chuva parou. Fãs de diferentes gerações compartilhavam histórias, vestiam camisetas históricas e cantavam riffs clássicos como se estivessem participando de um ritual coletivo que precedia algo maior pelos arredores. Quando as luzes se apagaram pela primeira vez, a energia acumulada encontrou sua primeira válvula de escape.

A abertura ficou a cargo do The Pretty Reckless, que rapidamente conquistou o público com um show intenso, seguro e carregado de personalidade. No centro de tudo estava Taylor Momsen, dona de uma voz maravilhosa, presença de palco cativante e naturalmente sexy, além de uma impressionante habilidade de conduzir multidões gigantescas com segurança e domínio absoluto do espaço. Sua postura firme e seu carisma imediato criaram uma conexão instantânea com o público brasileiro.

A banda entregou um set direto, pesado e emocionalmente envolvente. “Death by Rock and Roll” abriu caminho com impacto imediato, enquanto “Heaven Knows” transformou o estádio em um coro coletivo poderoso. “Take Me Down” trouxe densidade e atmosfera, revelando nuances dramáticas da interpretação vocal de Momsen. “Make Me Wanna Die” foi recebida com entusiasmo explosivo, consolidando a aceitação do público. Instrumentalmente, o grupo demonstrou coesão, peso e dinâmica, com guitarras encorpadas e base rítmica firme, encerrando sua participação sob aplausos intensos e sensação clara de missão cumprida.

Confesso que não conhecia a banda — e vou ainda mais além: só fui descobrir que teríamos uma vocalista feminina no palco quando o show começou (risos). Porém, a banda — ou seria a vocalista? — me conquistou, e sua apresentação foi muito agradável, mesmo que o desejo de que terminasse, por um bem maior, fosse quase intangível.

Setlist The Pretty Reckless:

Death by Rock and Roll
Since You’re Gone
Heaven Knows
Follow Me Down
Only Love Can Save Me Now
Take Me Down
Make Me Wanna Die

O intervalo de meia hora que se seguiu foi breve diante da expectativa monumental que dominava o estádio. Quando as luzes se apagaram novamente, a reação do público foi instantânea e ensurdecedora — um rugido coletivo que parecia fazer vibrar a própria estrutura do local.

O vídeo animado de introdução, com um muscle car no estilo Velozes e Furiosos em alta velocidade, indo direto ao Morumbi e trazendo vários easter eggs da banda pelo caminho, para então “cair” na entrada do Morumbi, foi algo que surpreendeu a todos. Já vi muitos vídeos introdutórios em shows, mas como esse, NUNCA! Incrível! Enfim, estava dado o primeiro passo para o espetáculo dos veteranos do AC/DC, que começou com intensidade máxima e não diminuiu em nenhum momento.

Brian Johnson mostrou potência vocal, contrariando as expectativas que estava completamente sem força na voz, conduzindo a multidão com energia contagiante e entrega genuína, enquanto Angus Young assumiu o protagonismo visual com sua performance física inesgotável — corridas intermináveis pelo palco, expressões teatrais, solos incendiários e o clássico uniforme escolar estilizado – aqui com as cores verde e amarelo – que continua sendo um dos símbolos mais reconhecíveis do rock mundial. Cada solo seu era acompanhado por gritos ensurdecedores, braços erguidos e explosões de entusiasmo coletivo.

Na primeira música, “If You Want Blood, You’ve Got It”, a gritaria foi ensurdecedora, mas, na primeira ida de Angus à rampa que dava acesso ao meio da pista premium, foi impossível conter as lágrimas. Dali em diante, todos os problemas pessoais das mais de 80 mil pessoas presentes desapareceram por completo durante quase 2h30.

Sentiu-se a falta de Phil Rudd, Cliff Williams e do saudoso Malcolm Young? Sim, com toda certeza — porém, apenas no aspecto visual e na presença física, pois a base instrumental atual funcionou como uma engrenagem precisa e poderosa. Stevie Young (guitarra) sustentou o peso rítmico com consistência absoluta, lembrando de forma muito fiel seu tio Malcolm, enquanto os músicos contratados demonstraram entrosamento exemplar: Matt Laug entregou uma bateria firme, pesada e tecnicamente impecável, e Chris Chaney garantiu linhas de baixo sólidas que reforçaram o groove contínuo do espetáculo. Se você, caro leitor, encontrar por aí qualquer crítica negativa a eles, falando sobre supostas limitações de Brian e Angus — ou qualquer coisa nesse sentido —, pare de ler na hora, pois não tem credibilidade alguma. Claramente, a pessoa não está ali com boas intenções e apenas quer lacrar, buscando likes com uma polêmica que simplesmente não existe.

Visualmente, o show foi grandioso, com telões gigantescos ao fundo do palco e nas laterais, transmitindo cada detalhe das performances; a iluminação alternava entre clima dramático, alegria, frenesi e explosões de energia, enquanto os efeitos de palco reforçavam a dimensão monumental de cada música. A produção manteve uma escala épica sem perder a sensação de proximidade emocional com o público — algo que poucos espetáculos em estádios conseguem alcançar. Tudo bem, eu estava bem próximo na pista premium, mas vocês entenderam (risos).

Musicalmente, diversos momentos se destacaram como verdadeiros picos de intensidade e emoção coletiva, pois foi um show em que você conhecia todas as músicas de trás para frente! Por mais cansados que estávamos, com calor e sede, ninguém nem lembrava dessas coisas. A cada música era só alegria, entusiasmos, lembranças de adolescência e vida, enfim, emoção purinha!

“Back in Black” transformou o estádio inteiro em um coro uníssono impressionante. “Thunderstruck” provocou uma reação imediata desde o primeiro riff (aqui tocado um pouquinho mais lento, porém compreensível), com milhares de braços erguidos acompanhando cada batida. “Hells Bells” trouxe uma atmosfera pesada e teatral, com o famoso e tradicional sino de trocentas toneladas descendo do alto até o centro do palco, criando uma tensão quase ritualística. A maravilhosa “Shoot to Thrill” manteve a energia crua em alta rotação, enquanto “Highway to Hell” se tornou um dos momentos mais emocionantes da noite — daqueles de arrepiar cada pelo do corpo —, cantada em volume ensurdecedor por praticamente todos os presentes. Acredito que até os saudosos Bon Scott e Malcolm Young escutaram e ficaram (mais uma vez) felizes, de onde quer que estejam.

A cada música executada era visível que Brian e Angus estavam felizes e curtindo muito cada segundo. Brian comemorava cada finalização como se fosse um gol em final de Copa do Mundo, sempre gritando “wow”, “u-hu” para a plateia, nitidamente curtindo estar ali. Até nas faixas mais recentes do álbum Pwr Up (2020), como “Demon Fire” e a já clássica “Shot In The Dark” foram recebidas com os braços abertos e gogós nas alturas!

Falar da enxurrada de clássicos — ao todo, 21 petardos — é chover no molhado. O que realmente devemos enaltecer é a vitalidade desses senhores. Brian e Angus parecem uns “vovozinhos” por fora, mas por dentro carregam um fogo e uma resistência invejáveis. Angus, especialmente, pois durante todo o show não parou um segundo: desfilou seus famosos duck walks, pulou encerrando praticamente todas as faixas na batida da bateria e ainda brilhou no extenso solo de “Let There Be Rock”, quando foi erguido em uma plataforma no meio da pista premium para executar seu tradicional solo endiabrado — e se jogar no chão sob uma chuva de papel picado. Meta de vida: chegar aos 70 anos como Angus Young ou chegar aos quase 80 com a panca de caminhoneiro cheio de estilo como Brian (risos).

Se você esteve presente — ou ainda estará nos próximos shows em São Paulo —, guarde uma certeza: poucos espetáculos na vida são capazes de deixar um sorriso tão largo no rosto, acompanhado daquela sensação genuína de privilégio e gratidão por testemunhar o espetáculo de uma instituição gigantesca do rock.

A cada instante — em cada solo, cada verso cantado, cada duck walk, cada pulo no compasso da bateria, cada faixa — formava-se uma avalanche de sentimentos maravilhosos, uma descarga de adrenalina que parecia purificar não apenas o sangue, mas também a alma.

O encerramento com “T.N.T” e “For Those About to Rock (We Salute You)” foi apoteótico, com explosões de canhões logo acima da bateria, efeitos visuais massivos, queima de fogos e uma sensação coletiva de triunfo.

Ao final, para mim que fiquei a vida toda esperando para vê-los e para todos os presentes, ficou evidente que não se tratava apenas de mais um show qualquer de uma banda que gostamos, mas de um acontecimento histórico, um encontro entre gerações e uma reafirmação do poder duradouro do rock como linguagem universal de emoção, energia e comunhão humana. São Paulo viveu uma noite monumental — e quem esteve lá certamente carregará essa memória por toda a vida. Eu ainda estou em transe. Que me desculpem os puristas ou os garotos enxaquecas que gostam de falar abobrinha por aí, mas puta que me pariu, M-U-I-T-O O-B-R-I-G-A-D-O! Quem fala que cobrir shows é trabalho, está redondamente errado, pois eu sempre me divirto também pra C-A-C-E-T-E! (risos)

Nota do Redator: Como não foi possível o credenciamento de um fotógrafo — apenas de repórter —, optei por usar minhas próprias fotos feitas com o celular, que ficaram ótimas, no lugar das imagens oficiais cedidas pela produção do evento. Assim, busquei preservar a emoção de estar presente, registrar, cobrir e escrever para o Metal Na Lata sobre o show que mais esperei na vida. Corre lá no nosso instagram, pois tem vários vídeos também!

Setlist AC/DC:

If You Want Blood (You’ve Got It)
Back in Black
Demon Fire
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Have a Drink on Me
Hells Bells
Shot in the Dark
Stiff Upper Lip
Highway to Hell
Shoot to Thrill
Sin City
Jailbreak
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
High Voltage
Riff Raff
You Shook Me All Night Long
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock
T.N.T.
For Those About to Rock (We Salute You)

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