Ambush – Jai Club, São Paulo/SP (09/11/25)

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Ambush – Jai Club, São Paulo/SP (09/11/25)

Produção: Caveira Velha Produções | Xaninho Discos
Texto e fotos por: Matheus “Mu” Silva

Três anos após seu último show por aqui, e em sua terceira passagem pelo Brasil, o Ambush — uma das maiores potências da New Wave of Traditional Heavy Metal — retornou ao país. Com produção da Caveira Velha Produções e divulgando um dos melhores discos lançados este ano, “Evil in All Dimensions” (2025), a banda fez o primeiro show da turnê em São Paulo neste domingo (09), e ainda passará por outras cinco cidades brasileiras. Assim como ocorreu com o HammerFall no dia anterior, o grupo sofreu com problemas de voos, o que acarretou atraso na programação inicial. Ainda assim, a produtora realizou todos os esforços possíveis para que a apresentação acontecesse — e felizmente conseguiu.

Às 19h05 teve início a apresentação da primeira banda da noite, o Clenched Fist. Clássica banda de Heavy Metal formada em 2000 na capital paulista, eles também tocaram com o Ambush em sua primeira passagem por aqui, em 2017. Aproveitando a ocasião, gravaram material para um futuro disco ao vivo, celebrando seus 25 anos de existência. Divulgando seu mais recente álbum, “Máquina Letal” (2024), o grupo entregou um set de 50 minutos, destilando seu Heavy/Speed Metal em músicas em português, como “Não Recue Ante Nenhum Pretexto” e “Entranhas de Corpos e Pestes”, e outras em inglês, como “Spirit of The Death”. Claro, não poderia faltar uma de suas faixas mais conhecidas, “Speed Metal Attack”, cantada por muitos dos presentes — prova de que a banda continua afiada após tantos anos dedicados à música pesada. Encerrando com “Underground”, o show foi pesado e direto ao ponto, e foi uma escolha certeira registrar a noite, já que a Jai estava bem movimentada durante toda a apresentação.

Às 20h30 foi a vez do Hellway Train. A banda mineira de Hard n’ Heavy, formada em 2010 e tendo desde o início o guitarrista Vinícius Thram e o vocalista Marc Britto, fez um show enérgico, com seus membros agitando o tempo inteiro — energia refletida no público, que respondia com punhos erguidos e muita cabeça batendo. Um poderoso discurso de Marc no meio da apresentação, tanto sobre o atual momento do Heavy Metal quanto sobre toda a situação do evento e o atraso involuntário da atração principal, serviu como combustível extra para um público sedento por Metal. Com um set de 40 minutos, tocaram músicas como “Bounded to Devour” e “Metal Widow”, além de um poderoso cover de “Jawbreaker” (Judas Priest). Mantiveram o ritmo do evento nas alturas e foram ovacionados ao final.

Por conta dos problemas mencionados, o show do Ambush, inicialmente previsto para as 21h, acabou acontecendo à meia-noite. Vale destacar a seleção musical do DJ do evento, que deixou a espera mais animada — várias pessoas se divertiram, beberam e se distraíram enquanto aguardavam a resolução da situação. E, tão logo a banda pisou no palco, toda a espera foi esquecida. Abriram o show com “Firestorm”, faixa-título de seu primeiro disco, de 2014, incendiando a Jai com seu Heavy Metal puro e direto, enquanto demonstravam carisma e felicidade por finalmente tocarem novamente em solo brasileiro. Seguiram com a festiva “Possessed By Evil” (“Desecrator”, 2015), cantada em uníssono pelo público.

O set teve seu foco dividido entre o debut e o mais recente álbum, o aclamado “Evil in All Dimensions” (2025), apontado por muitos como um dos melhores do ano. Músicas como “Maskirovka”, “Bending The Steel”, a faixa-título e “Come Angel of Night” reforçaram a potência da atual fase da banda e justificaram toda a atenção recebida pelo mais novo trabalho. Entre dancinhas típicas das bandas dos anos 80, peso absurdo na execução e interação constante com a plateia, o show do Ambush foi incrível. Com 75 minutos de duração, terminou com uma dobradinha destruidora do primeiro álbum: “Natural Born Killers” e “Don’t Shoot (Let ‘Em Burn)”, ambas muito conhecidas pelos fãs, encerrando a noite com a mesma animação com que começou — compensando totalmente a longa espera.

O domingo foi uma noite de devoção ao Heavy Metal. Com três bandas em grande fase, as atrações nacionais entregaram excelentes apresentações, e o Ambush coroou o evento com um dos melhores shows do ano. É compreensível que algumas pessoas não tenham conseguido esperar até a apresentação principal, mas quem ficou testemunhou um verdadeiro ataque sônico de uma banda em plena ascensão. Que retornem ao Brasil o quanto antes — e que quem ainda não assistiu, não perca a próxima chance. Esses caras merecem: diante de tudo o que aconteceu, entregaram 200% ao público, mostrando o quanto acreditam no estilo e em sua própria música. Parabéns também a toda a equipe da Caveira Velha, que fez o possível (e o impossível) para que o evento acontecesse. No fim, deu tudo certo.

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