Grave Digger – Carioca Club, São Paulo/SP (14/11/2025)

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Grave Digger – Carioca Club, São Paulo/SP (14/11/2025)

Produção: Opus Entretenimento
Texto por Matheus “Mu” Silva
Fotos por Leandro Pena

Dois anos após sua última passagem por aqui, e em sua décima terceira visita ao nosso país, o Grave Digger — instituição máxima do Heavy Metal alemão — voltou ao Brasil. Com produção da Opus Entretenimento, a banda trouxe sua turnê de celebração aos 45 anos de sua gloriosa existência, realizando quatro shows por aqui, sendo o de hoje o terceiro em São Paulo (14). O evento ainda contou com a abertura da banda Just Heroes.

Às 20h30 teve início a apresentação do Just Heroes. Vencedora de um concurso promovido pela Roadie Crew para definir a banda de abertura, o grupo mostrou seu Heavy Metal tradicional e vigoroso, que vem ganhando destaque no meio musical. Entre seus membros, a banda conta com o notório baterista Marcus Castellani, que integrou o Manowar entre 2017 e 2019. Com músicas como “Horsepower”, “Hurts Like Fire” e finalizando com um cover de “Breaking the Law”, do Judas Priest, o grupo fez um set de 40 minutos, sendo um ótimo aquecimento e obtendo boa receptividade do público.

Às 22h, começando de forma épica com a poderosa “Twilight of the Gods” (“Rheingold”, 2003) — que não era tocada aqui desde 2012 — e emendada em meio à execução com “The Grave Dancer” (“The Grave Digger”, 2001), ficou claro que o Grave Digger havia preparado algo especial para a noite. Com o eternamente carismático vocalista Chris Boltendahl anunciando a celebração dos 45 anos da banda, em meio a gritos incessantes pelo nome do grupo, tocaram uma faixa mais recente, a divertida “Kingdom of Skulls” (“Bone Collector”, 2025), que teve excelente receptividade, com muitos fãs já cantando junto.

Recentemente, tive a oportunidade de entrevistar Chris e, entre outras coisas, ele fez questão de dizer que o setlist da atual turnê seria incrível. A partir daqui, nem o mais incauto dos fãs estaria preparado para o que a banda havia planejado. Resgatando a clássica “Under My Flag” (“The Reaper”, 1993) e emendando a destruidora “Valhalla” (“Rheingold”, 2003), o grupo trouxe uma sequência totalmente dedicada à sua fase áurea dos anos 90. Com Chris anunciando que a próxima música seria tocada pela primeira vez no Brasil, seguiram com a poderosa “Keeper of the Holy Grail” (“Knights of the Cross”, 1998), que, se já era pesada na versão original, ao vivo soou absolutamente descomunal, estremecendo a estrutura do Carioca Club e fazendo a alegria dos fãs de longa data.

Na sequência veio uma das músicas mais conhecidas da banda, “The Dark of the Sun” (“Tunes of War”, 1996), com direito a vários “olé olé olé, Digger, Digger!!!” após sua execução primorosa. Na sequência, Chris anunciou que a próxima era uma de suas favoritas, e assim veio a excepcional “The Curse of Jacques” (“Knights of the Cross”, 1998), outro clássico absoluto da discografia. Era nítida a alegria do vocalista em cantá-la ao vivo. Afirmando o tempo todo durante o show seu compromisso com o Heavy Metal, e retornando ao “The Reaper” (1993), executaram “Shadow of a Moonless Night”. Em seguida, Chris anunciou que a música seguinte era sobre um famoso nobre e sua espada; com isso, tocaram “The Round Table” (“Tunes of War”, 1996), imediatamente seguida por outro clássico com o mesmo tema. Bastou Chris gritar “Excalibur!!!” para que a faixa-título do disco de 1999 fosse despejada sobre o público, que abriu rodas de mosh — e aqui não foi diferente, já que esta é uma das faixas mais brutais da banda, com sua levada Speed Metal intensa.

Dando um pequeno respiro ao público, a banda executou a mais rock n’ roll “The Devil’s Serenade” (“Bone Collector”, 2025), mas logo voltou a detonar tudo com outra faixa muito desejada pelos fãs: a furiosa “Back to the Roots” (“Symphony of Death”, EP, 1994), levando os presentes à loucura. Com o guitarrista Tobias dedilhando os acordes acústicos iniciais, ficou dada a deixa para outro pilar da história do grupo: a eterna “Rebellion (The Clans Are Marching)” (“Tunes of War”, 1996). O público cantou seu início como foi concebido, trazendo a sensação de um exército pronto para a batalha. A execução foi avassaladora, acompanhada de uma resposta igualmente intensa — assim terminou a primeira parte do set.

Se até aqui a banda já havia devastado tudo, o bis conseguiu ser ainda mais destruidor. Voltando ao palco, Tobias puxou em sua guitarra a violentíssima “Scotland United” (“Tunes of War”, 1996), incendiando novamente o Carioca Club. Em seguida veio outro clássico, “Circle of Witches” (“Heart of Darkness”, 1995), sendo este um sonho realizado para quem vos escreve — lágrimas rolaram, e todo o peso dos anos 90 foi exaltado naquele momento. Para fechar o show, dois momentos dos anos 80: “Witch Hunter”, do álbum homônimo de 1985, e a música que é sinônimo da banda, “Heavy Metal Breakdown”, faixa-título do debut de 1984, concluindo 95 minutos tão enérgicos e especiais quanto seu início.

Com tantas vindas ao Brasil, o show de hoje foi histórico, para dizer o mínimo. Com um setlist fenomenal e uma formação atual afiadíssima, o Grave Digger vive um de seus melhores momentos e, com 45 anos de bagagem em sua história impecável, é inacreditável que ainda entreguem um espetáculo tão potente e memorável. Seu líder continua com sua voz característica impecável, e a devoção da banda ao estilo é simplesmente digna de aplausos — assim foi durante toda a apresentação, com o público ovacionando cada música. Vida longa ao Grave Digger!

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