Amorphis – Carioca Club, São Paulo/SP (18/10/2026)

amorphis_tmttw
Compartilhe

Amorphis – Carioca Club, São Paulo/SP (18/10/2026)

Produção: Honorsounds | Bangers Open Air
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos: Alessandra Rosato

Dois anos após sua última passagem pelo Brasil, o Amorphis voltou ao país para sua sexta visita. Um dos nomes mais interessantes do metal finlandês, o grupo mantém sua musicalidade em constante evolução. Desta vez, veio divulgar seu mais recente álbum, o aclamado Borderland (2025). A turnê contou com três datas brasileiras, sendo a última em São Paulo, no domingo (18). Com produção da Honorsounds, o evento teve a banda Throw Me To The Wolves como atração de abertura.

Às 20h, pontualmente, o Throw Me To The Wolves entrou em cena com seu Death Metal melódico, técnico e pesado. Considerando a sonoridade atual do próprio Amorphis, dificilmente haveria uma escolha nacional mais adequada. Afinal, as duas bandas compartilham características musicais que conversam muito bem. Como prova disso, o TMTTW abriu todas as apresentações da turnê brasileira.

Em plena ascensão e dividindo palcos com grandes nomes, a banda vem alcançando voos cada vez maiores. Dessa vez, jogando em casa, fez um show energético e divertido. Além disso, demonstrou entrosamento absoluto e comandou a plateia com maestria, como uma banda que deseja chegar longe deve fazer.

O repertório passeou principalmente por Days of Retribution (2025), seu excelente álbum de estreia. Entre as músicas apresentadas estavam a faixa-título, “Chaos”, “Fragments” e “Gaia”. Além disso, o grupo aproveitou a ocasião para divulgar duas faixas novas: “Angels Fall” e “Forsaken Tears”.

Com 40 minutos de duração, o set teve excelente recepção de um público que já ocupava boa parte da casa. Consequentemente, a apresentação funcionou como um ótimo aquecimento para o que viria a seguir.

O show também coroou o excelente momento vivido pelo Throw Me To The Wolves. É gratificante ver os músicos alcançando seus objetivos, especialmente porque sua vertente musical ainda é pouco explorada no Brasil. Mesmo assim, eles conseguiram se tornar uma referência no estilo em pouco tempo. Isso merece aplausos. Que continuem trilhando esse caminho, pois ainda ouviremos falar muito deles.

Às 21h15, o Amorphis iniciou sua apresentação com duas faixas de Borderland: “Bones” e “Light and Shadow”. Em seguida, veio a clássica “Silver Bride”, de Skyforger (2009), completando uma sequência que recebeu a banda de maneira calorosa.

Logo de cara, porém, uma diferença chamou a atenção. O baixista histórico Olli-Pekka Laine não participou da turnê por motivos pessoais. Em seu lugar, Pyry Hanski assumiu o instrumento e desempenhou a função com esmero. Além disso, agitou o show inteiro e mostrou ótima sintonia com o vocalista Tomi Joutsen, outra figura absolutamente elétrica no palco.

Desde a entrada de Tomi, o terceiro vocalista da história do Amorphis, o grupo vem priorizando essa fase em seus repertórios. Atualmente, ele é também o vocalista mais longevo da banda, com 22 anos à frente dos finlandeses. Por isso, o setlist combinou momentos recentes da discografia com músicas que marcaram essa trajetória.

A sequência trouxe “Wrong Direction”, de Queen of Time (2018), “Death of a King”, de Under a Red Cloud (2015), e “Fog to Fog”. O público cantou cada palavra, algo que me surpreendeu positivamente. Afinal, levei um bom tempo para assimilar os rumos que o Amorphis tomou nos anos 2000. No entanto, eu não imaginava a dimensão do impacto de sua música mais recente entre os fãs brasileiros.

Na sequência, a banda voltou às origens com “The Castaway”, do poderoso Tales From the Thousand Lakes (1994), seu segundo álbum. Muitos consideram esse o melhor trabalho do grupo, e eu me incluo nessa turma. Entretanto, durante a execução, percebi uma reação um pouco mais contida do público em comparação com outros momentos. Isso reforçou minha impressão de que muitos fãs preferem a fase mais comercial da banda.

Ainda assim, foi um deleite absoluto ouvir essa música ao vivo. Os vocais guturais de Tomi também fizeram jus ao trabalho de Tomi Koivusaari, vocalista original do grupo.

Depois desse mergulho no passado, o Amorphis voltou ao lado mais progressivo de Borderland com “The Lantern”. Em seguida, “The Moon”, de Halo (2022), provocou outro momento explosivo. A partir daí, começou uma verdadeira festa para os fãs de longa data.

O repertório passeou por “Sampo”, de Skyforger (2009), e “The Smoke”, de Eclipse (2006). Ambas são clássicos da fase atual do vocalista. Logo depois, a banda executou um breve trecho de “Magic And Mayhem”, preparando o terreno para um dos pontos altos da noite.

Então, veio “Black Winter Day”, também de Tales From the Thousand Lakes. Essa era uma música que eu sonhava em ver ao vivo há muito tempo. Afinal, tanto a faixa quanto o álbum ajudaram a moldar o Death/Doom Metal nos anos 1990.

Lembro de ter ficado impressionado quando assisti ao clipe pela primeira vez, muitos anos atrás. Por isso, presenciar sua execução ao vivo foi especial. A performance foi simplesmente perfeita e ainda contou com o trecho instrumental final de “My Kantele”, outro clássico dos anos 1990.

Já na reta final, o Amorphis apresentou “Dancing Shadow”. Logo depois, veio “House of Sleep”, talvez o maior clássico da banda neste século. A música incendiou o Carioca Club e transformou o show em uma grande celebração coletiva.

Após uma breve pausa, os finlandeses retornaram para o bis com “The Bee”. A faixa encerrou os 90 minutos de apresentação, sob aplausos entusiasmados do público.

O show do Amorphis foi, sem dúvida, um dos mais interessantes que assisti neste ano. Mesmo não sendo uma banda que acompanho com tanta dedicação, fiquei impressionado com a qualidade da apresentação. O grupo superou qualquer expectativa que eu pudesse ter.

Passados alguns dias, ainda estou com “House of Sleep” na cabeça. Foi muito especial cantar essa música ao lado de tantas pessoas. Portanto, valeu demais a pena comparecer ao show naquele domingo. Além da abertura sensacional do Throw Me To The Wolves, foi uma das melhores noites do ano.

Compartilhe
Assuntos

Veja também