Anthares – Hangar 110, São Paulo/SP (09/08/2025)
Bandas de abertura: Armadilha, Inferno Nuclear e Massive Power
Produção: Dies Irae Records e Hangar 110
Texto e fotos por Matheus “Mu” Silva
Após quase dois anos sem se apresentar em sua cidade natal, a clássica banda paulistana de Thrash Metal Anthares finalmente retornou aos palcos da capital. No evento, produzido em parceria entre a gravadora Dies Irae Records e a lendária casa de shows Hangar 110, a banda aproveitou a ocasião para promover o lançamento de seu terceiro disco, Espetáculo Sangrento, que havia saído um dia antes. Para tornar a noite ainda mais especial, convidaram duas bandas nacionais e uma internacional, transformando o show em uma verdadeira celebração ao metal.
Um dos pilares do Thrash Metal nacional, formado em 1984 em São Paulo/SP, o Anthares foi uma das bandas pioneiras do estilo no país. Do seminal clássico No Limite da Força (1987), passando por um hiato entre 1996 e 2008, e retornando com força total com a entrada de Diego Nogueira – vocalista até hoje – até marcar seu novo momento com O Caos da Razão (2015), a banda chega agora ao terceiro álbum, Espetáculo Sangrento, reforçando sua importância no cenário nacional. A formação atual conta com Diego (vocal), Pardal (baixo e único membro original), Eduardo Topperman e Maurício (guitarristas das demos dos anos 90) e o baterista Edu Nicolini, que acompanha o grupo há sete anos.
Com a casa abrindo às 19h, vinte minutos depois entrou em cena a primeira banda da noite: Armadilha. Formada em 2011, a banda de Heavy Metal, liderada pelo carismático vocalista e membro fundador Pedro Zupo (também da Living Metal), apresentou seu som tradicional cantado em português para um público ainda em chegada, em uma noite realmente gélida. Em um set de 40 minutos, alternaram faixas de seus dois discos de estúdio, como “Sangue de Ferro’, ‘Filhos do Ódio’, ‘Noite de Revolução” e ‘O Herói” – todas do segundo álbum, Sangue de Ferro (2021) – e músicas mais conhecidas do álbum de estreia Choque Elétrico (2013), como “Armadilha’ e “Guerra no Espaço”, cantadas por alguns dos presentes. Para abrilhantar a apresentação, a banda convidou o lendário Joad Jiménez, ex-vocalista do Arkangel, da Venezuela, considerada a primeira banda de Heavy Metal da América Latina. Celebrando os 25 anos do disco El Ángel de la Muerte (2000), Joad cantou “Motín en Occidente” com o Armadilha. Na sequência, surpreendeu aprendendo português para interpretar junto da banda “Metal Inquebrável, de Choque Elétrico, encerrando o show sob aplausos calorosos.


Às 20h20 foi a vez do Inferno Nuclear. Formada originalmente em Belém/PA em 2006 e atualmente radicada em São Paulo/SP, a banda apresentou um Thrash Metal old school rápido e cortante, também cantado em português. Sob o comando do vocalista e líder Wellington Freitas, e com um som mais encorpado, o grupo fez um show enérgico, com destaque para o baterista Marcos William, que desferiu uma performance intensa. Com dois álbuns lançados, focaram no mais recente, Amazônia em Chamas (2025), tocando músicas como “Inferno Nuclear”, “Insensatez Humana”, “Amazônia em Chamas”, ‘Antiracista”, “Doença Social” e Falsos Profetas, esta última com participação especial da vocalista Andresa Castelhano (Hell on Wheels). Encerraram com “Unidos pelo Underground”, do disco Diante de um Holocausto (2021), em um set de 35 minutos.

Às 21h20 começou a apresentação do Massive Power. Banda chilena ativa desde 1994 e tocando pela primeira vez no Brasil, foi uma grata surpresa para o evento. O convite surgiu como retribuição pela ajuda que deram para que o Anthares se apresentasse no Chile anos atrás. Apesar de alguns problemas técnicos, entregaram um show destruidor, com Thrash Metal clássico e old school, e presença de palco incansável. Com apenas dois álbuns, alternaram entre faixas do debut Massive Power (2013) – como “Deception and Death”, “Mass Crime Corporation”, “Force” e “Massive Power” – e do segundo, Defeated by Ignorance (2019), como “Rightwing Control” e “Political Class”. Fecharam com “Possessed by Alcohol” (demo de 2005) e “March of Destruction” (demo de 2004), em um set de 45 minutos, distribuindo CDs e fitas ao público, que retribuiu com aplausos efusivos.

Finalmente, às 22h25, chegou a vez do Anthares. Ao som da clássica introdução do filme Halloween, de John Carpenter, os integrantes subiram ao palco e abriram com duas faixas do novo disco: “Cicatrizes”, que já tinha refrão conhecido pelo público por ter sido divulgada dias antes, e “Extremismo Sagrado”, que incendiou o Hangar 110. Entre agradecimentos, Diego revelou que o baterista Edu Nicolini havia quebrado o braço recentemente, mas fez um esforço hercúleo para tocar, sendo ovacionado. A seguir, executaram “Ócio” (O Caos da Razão, 2015), que abriu as primeiras rodas de mosh da noite, e “Paranóia Final” (No Limite da Força, 1987), celebrada pelo público veterano.
Do novo álbum, apresentaram “Conservadorismo”, de tom político e combativo, e seguiram com “Pesadelo Sulamericano” (O Caos da Razão, 2015), cantada em coro. Depois, mais duas do Espetáculo Sangrento: “Ataque Legítimo”, brutal ao vivo, e “Abandonados pela Pátria”, de forte crítica social. Na sequência, a faixa-título do disco de 2015 antecedeu “Retrato da Miséria”, regravação abrasileirada e mais intensa de “Portrait of Misery” (demo Retaliation, 1995).
Rumo ao final, Diego dedicou as próximas músicas a ex-integrantes presentes: Zé Aranha (guitarra) e Evandro Jr. (bateria), do debut, e Renato Higa (vocalista nos anos 90). Vieram então três clássicos de “No Limite da Força: Fúria”, que levou o público ao delírio, “No Limite da Força” e “Chacina”, encerrando a apresentação de forma apoteótica. Apesar de o set incluir “Batalhas Ocultas” no bis, a faixa não foi executada, mas isso não diminuiu o brilho do show de uma hora.
A noite foi uma verdadeira celebração ao melhor do Metal. Com duas bandas mais novas mostrando a força da cena atual e duas veteranas – com o Massive Power trazendo o peso chileno e o Anthares reafirmando seu posto de pilar do Thrash Metal brasileiro e latino-americano – ficou evidente que o underground está vivo e seguirá incendiando os ouvidos dos headbangers que acreditam na força do gênero.




