Ashes Of Ares – “New Messiahs” (2025)

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Ashes Of Ares – “New Messiahs” (2025)

ROAR – Rock Of Angels Records
#HeavyMetal #PowerMetal #ProgMetal

Para fãs de: Iced Earth, Nevermore, Sanctuary, Queensrÿche, Savatage

Texto por Johnny Z.

Nota: 9,0

Mais de uma década após sua formação, o Ashes Of Ares mostra que não está aqui para viver de passado. Com “New Messiahs”, quarto álbum de estúdio, Matthew Barlow e Freddie Vidales (sim, se você não mora em Nárnia, sabe que ambos foram do Iced Earth – e quem sabe não voltam?) reafirmam sua relevância no cenário do heavy metal contemporâneo, entregando uma obra sólida, intensa e carregada de emoção — sem precisar reinventar a roda para soar atual e poderosa.

Com uma produção caprichada que equilibra peso, clareza e profundidade, a primeira sensação que temos já nos primeiros acordes da faixa de abertura, “Novus Ordo”, é que a banda está com o pé cravado no acelerador. A introdução épica, com guitarras acústicas, teclados sinfônicos e bateria crescente, estabelece o clima grandioso que permeia todo o disco.

Em seguida, faixas como “Wake Of Vultures” e “Two Graves” funcionam como cartões de visita perfeitos: riffs vigorosos, grooves bem encaixados e os vocais de Barlow em plena forma — alternando naturalmente entre passagens agressivas e momentos mais melódicos e emotivos. A faixa-título, “New Messiahs”, consolida essa impressão: forte, direta e com refrão daqueles que grudam na cabeça, mostra a banda confortável dentro de sua identidade sonora.

Antes de mais nada, o fã precisa ter em mente que o Ashes Of Ares não é o Iced Earth, e comparar as duas bandas não é algo saudável. Embora existam momentos em que as sonoridades se aproximam — muito por conta da voz marcante de Barlow —, na maior parte do tempo o que se ouve aqui é uma vertente mais melódica, sensível e harmoniosa, remetendo a nomes como Queensrÿche, Savatage e Sanctuary, com um toque de Judas Priest e Iron Maiden, além de doses bem calibradas do peso característico de Nevermore e, sim, um pouco de Iced Earth vai? (risos). E o mais importante: Freddie Vidales não é Jon Schaffer, ok? São timbres e jeitos de tocar/compor completamente diferentes.

A variedade de “New Messiahs” se evidencia faixa a faixa. “Where You Go” surge como balada emocionante, com violões suaves evoluindo para riffs pesados, enquanto a letra reflete sobre escolhas e jornadas pessoais, com Barlow entregando vocais carregados de sentimento. “Atrophy” e “Lust To Feed” reforçam o lado mais agressivo do álbum, com riffs densos e baterias pulsantes, explorando temas de decadência, ganância e tensão social. “The Hawk And The Dove” traz uma pausa introspectiva, com guitarras melódicas e vocais sombrios que exploram conflito interno e dualidade, ampliando o espectro emocional do disco.

Entre os destaques, “Keep On Walkin’” merece atenção especial. Inspirada na paternidade de Barlow, a faixa mistura momentos acústicos e pesados, transmitindo perseverança e vulnerabilidade de forma comovente. Já “From Hell He Rides” mergulha no universo épico do Ghost Rider, encerrando o álbum com riffs cinematográficos e vocais intensos, enquanto a faixa bônus “And The House Fell Down”, releitura de Elton John, comprova a versatilidade da banda, reinterpretando a música com respeito e personalidade. A outra faixa bônus, “Infection Deception”, traz uma sonoridade mais próxima do rock dos anos 80, adicionando diversidade sem quebrar a coesão do álbum.

A produção, assinada por Byron Filson, entrega um som limpo e potente, permitindo que cada detalhe respire sem abrir mão do impacto. A arte de capa de Kamil Pietruczynik dialoga perfeitamente com o clima sério e intenso das letras, enquanto participações especiais como Kyle Taylor (bateria) e Todd La Torre (Queensrÿche) acrescentam nuances sem desviar o foco do núcleo Barlow/Vidales.

Na minha opinião, “New Messiahs” é um disco de energia consistente do começo ao fim. O equilíbrio entre melodia e peso é muito bem dosado, e o grande destaque continua sendo Matt Barlow. Ele mantém seu timbre inconfundível e interpretações carregadas de emoção, como poucos conseguem hoje. A produção também merece elogios: clara, potente e capaz de manter tudo bem definido mesmo nos momentos mais densos, sem perder o impacto das guitarras e da bateria. No geral, é um álbum que entrega exatamente o que se espera de uma banda desse calibre — e, em vários momentos, supera essas expectativas, mostrando um Ashes Of Ares em plena forma criativa.

Para fãs de heavy e power metal, para quem cresceu ouvindo Iced Earth, Sanctuary, Queensrÿche ou simplesmente aprecia música feita com honestidade, peso e emoção, este é um lançamento que merece atenção. Com refrões marcantes, riffs bem compostos, letras que tocam e uma interpretação vocal de alto nível, “New Messiahs” se coloca entre os trabalhos mais consistentes do estilo lançados recentemente — daqueles que não apenas agradam na primeira audição, mas ganham ainda mais força a cada nova audição.

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