Balbags Fest 2020 – Espaço Arena Sertaneja, São Paulo/SP (01/03/2020)

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Balbags Fest 2020
Bandas: Living MetalPastoreAttomicaKing BirdSalário Mínimo e Silver Mammoth
Local: Espaço Arena Sertaneja, São Paulo/SP
Data: 01/03/2020

Texto e fotos por Wallace Magri (exceto * por Silver Mammoth)

Cheguei atrasado para o show do Living Metal, banda que me impressionou bastante com as músicas que ouvi nas plataformas de streaming. Pena que o local do evento ficava do outro lado da cidade, e atrasou mais do que o esperado para chegar. De todo modo, fiz uma social com a rapaziada e aproveitei para comprar o CD deles (o novo split com Torture Squad), “Living For Torture”.

O festival era, na verdade, uma reunião de um clube de motoqueiros. E, com motoqueiro não tem erro, o pessoal que curte estrada sempre cola, naquele esquema gangs da motocicleta, inspirados no clássico road movie “Easy Rider”, e que hoje em dia continua a ser tema de séries como Sons Of Anarchy.

O espaço que, como dá para perceber pelo nome, tem o Sertanejo no foco, nesta noite é ocupado por bandas de Heavy Metal nacional, stands vendendo camisetas, acessórios e um monte barraquinhas dedicadas a frituras em geral – e, pra contrabalancear, breja, muita breja.

Pastore:

Por volta das 18hs, Mário Pastore assume o palco, junto com a banda de apoio de seu projeto solo, mostrando-se muito à vontade naquele que é certamente seu habitat natural.

O cara canta muito, e, ao vivo, é a hora da verdade: sua técnica vocal perfeita faz com que ele atinja a nota que deseja com muita facilidade, transitando por Rob Halford até algo mais melódico, como faria um Michael Kiske no meio do caminho com Bruce Dickinson (a interpretação para “No More Lies” é impressionante). É puro alcance vocal e sem bases pré-gravadas ou lip-sync. O que se houve sai dos pulmões e coração dessa lenda do Heavy Metal nacional.

Além disso, ele é muito bom na comunicação com o público e não perde a chance de soltar um daqueles seus desabafos populares no Facebook e agradecer a Deus por estar presente no evento nesta noite, após tantas dificuldades pelas quais passou. Isso aí Pastore, o que importa é que as oportunidades estão sempre por aí, que bom que essa foi muito bem aproveitada e fomos presenteados com uma aula de Heavy Metal Tradicional, com petardos como “Symphony Of Fear”, “Fallen Angel”, “No More Lies”, “Fire And Ice” e o cover de “Holy Diver” (Dio).

Vale destacar que, para o público, o som chegou muito bem equalizado, sem estouros ou microfonias, sendo absurda a altura do palco (a 3 metros do piso), com dimensões de casa de show grande! Deu para os músicos deitarem e rolarem por lá, literalmente!!!

 

Attomica:

Me impressionou bastante o show do Attomica. Nunca os tinha visto ao vivo e o que eles entregam em cima do palco é de uma brutalidade impressionante. Embora seja um trio, a habilidade do guitarrista Marcelo Souza é tão absurda que basta realmente o baixo encorpado de Andre Rod (também vocais) e a condução extrema da bateria de Argos Dankas para aquele Thrash Metal Extremo ecoar pelos alto-falantes.

O show teve de ser reduzindo em virtude do atraso nas apresentações anteriores, deixando aquela sensação de que terei que comparecer em outro show deles para conferir a apresentação completa.

 

King Bird:

Se você curte Hard Rock setentista tem que dar uma conferida no King Bird ao vivo, os caras entregam uma apresentação acima da média, com destaque absoluto para as interpretações vocais de Ton Cremon, que é bem versátil e carismático.

Não havia assistido a banda com apenas um guitarrista, de todo modo parece que a decisão foi acertada, somando mais qualidade no que já era bom, nas mãos de Silvio, com a inclusão de Marcos nas seis cordas.

Show irretocável de uma banda que poderia fazer parte do line up de muito festival maior aqui no Brasil e também no exterior.

 

Salário Mínimo:

Banda que participou da coletânea “SP Metal” tem espaço reservado no Olimpo do Metal Nacional, você pode falar o que for, mas pioneirismo é uma atitude a ser sempre reconhecida.

“Anjos Da Escuridão” está muito mais pesada do que na versão do LP, uma prova que a qualidade sempre esteve ali; naquela época era a produção que estragava todo o tempero do peso extra do Heavy Metal.

Em seguida emendam “Noite de Rock” e seu enredo baladeiro com aquele refrão marcante que me remete às minhas primeiras baladas da adolescência, com direito com o público cantado alto o refrão.

Total destaque para a presença de palco da banda, com todos integrantes sintonizados com a energia das músicas, movimentação profissional e carisma de sobra, especialmente para baixista Diego Lessa e o lendário China Lee. Não ficam atrás os guitarristas D Beretta, Jr Muzilli e o baterista Marcelo Campos.

E dá-lhe “Dama da Noite” e “Beijo Fatal”, também em versões revigoradas com muito peso e aprimoramento instrumental. “Delírio Estelar” conta com amigos e fãs curtindo no palco, com direito a um garotinho de menos de 7 anos brincando de guitarrista.

Para encerrar, China Lee, visivelmente emocionado e fazendo menção sobre algo que rolou envolvendo o nome dele na internet (e que parece que deixou o vocalista chateado), ao lado de sua banda, executa a indefectível “Cabeça Metal” e, olhando o garotinho curtindo de montão no palco com sua guitarra desplugada, temos a certeza que o Metal vai viver para sempre.

 

Silver Mammoth:

A banda está de formação atualizada, agora contando com o guitarrista Renato Haboryni e Daniel Agostino na bateria. Completam a formação Marcello Izzo (vocal), Chakal (baixo) e Felipe Leão (teclados).

O show começa com uma música nova, “For Whom The Bells Cry”, que fará parte do próximo álbum da banda, a ser lançado no final deste mês. O som está mais denso, comparado com a estética dos álbuns anteriores.

Mais uma do disco novo, “Like A Blind Man”, demonstrando que a mudança de guitarrista deu outra cara para a banda, embora ainda conte um feeling old school, há algo mais pesado e moderno nas guitarras.

Aproveitando a noite para proporcionar uma generosa degustação de seu próximo álbum, tocam mais uma, que já foi lançada no Tributo ao Black Sabbath, “Sympton Of The Universe” e que ficou muito foda em estúdio e hoje à noite também , ao vivo, olho no olho. Aliás, uma das marcas registradas do Silver Mammoth está na categoria com que entregam suas músicas ao vivo e as versões inusitadas que fazem para grandes clássicos do Rock/Hard.

O palco conta com um telão ao fundo, interagindo com a apresentação, passando o clipe de diversas músicas da banda, enquanto elas são executadas ao vivo, o que é sempre um diferencial pra lá de agradável.

Depois de “Shock Therapy”, um dos grandes sucessos da banda em alta rotatividade na Kiss FM, tocam uma música de seu lançamento cult, “Singles”, “Rise Up”, que já anunciava uma pegada mais pesadona e contemporânea para o Silver, em 2018.

Do segundo álbum, “Pride Price”, que também parece ter ganho peso e densidade extra nesta noite, em comparação ao que se ouve em estúdio e também ao que eu escutei em apresentações anteriores.

Em virtude dos atrasos que foram se acumulando ao longo das apresentações, o Silver teve que encurtar seu set, encerrando a noite com “Mindlomania”, uma música que explica bem a sonoridade da banda, Classic Rock com muita psicodelia, groove e originalidade, que permanece viva e avançando por novos territórios, pelo que se ouviu nas novas músicas.

Vamos aguardar o que vem aí no final do mês, com o lançamento do novo álbum dos caras. Certamente nós anunciaremos aqui no Metal na Lata.

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