Baú Metal na Lata 9: Brutal Truth, Death Metal/Grindcore da América
Dan Lilker foi, certamente, foi um dos baixistas mais prolificos na história da música pesada, tocando em dezenas de bandas. Entre seus principais trabalhos, destaquei Nuclear Assault no último Baú Metal na Lata. Agora, é hora de falar de sua banda mais barulhenta, Brutal Truth. O início dos anos 90 viu o Grindcore incorporar cada vez mais o Death Metal em seu som. Como resultado, Brutal Truth nasceu no meio desse furacão sonoro.
“Extreme Conditions Demand Extreme Responses” e “Need to Control”
Formado em 1990, seu primeiro disco, “Extreme Conditions Demand Extreme Responses” (1992), é uma aula de brutalidade intensa, dessa forma, ajudando muito a cimentar elementos que hoje conhecemos no subgênero Brutal Death Metal, indo dos guturais mais cavernosos de Kevin Sharp ao caos desenfreado na bateria de Scott Lewis. Além do conteúdo lírico altamente politizado e consciente, esse disco é um pilar da música extrema pesada.
O clip de “Ill – Neglect” ajudou ainda mais a projetar o nome da banda, passando no Headbangers Ball da MTV na época. Uma outra curiosidade sobre outro videoclipe desse disco: a faixa “Colateral Damage” entrou pro Guiness Book, como videoclipe mais curto de todos os tempos, durando quase três segundos, espremendo todo um caos de imagens.
Já o álbum “Need to Control” (1994) viu a primeira e última mudança realmente significativa na banda, pois nele entrou o baterista Richard Hoak, que permaneceu até o fim. Seu estilo mais despojado, fazendo caretas enquanto destruía o kit de bateria, se tornou algo até meio icônico na imagem do Brutal Truth.

“Sounds of The Animal Kingdom”
O terceiro disco, “Sounds of The Animal Kingdom” (1997), trouxe a banda explorando seu lado mais Grindcore, comprimindo 22 músicas no álbum, indo de pontas extremas de duração. Ou seja, da faixa “Callous” durando 11 segundos até “Blue World” com mais de sete minutos. Decerto, esse é o disco mais caótico e raivoso da banda, no bom sentido, com aquela veia mais Napalm Death e Repulsion dos anos 80. No entanto, no ano seguinte, em 1998, veio o primeiro hiato da banda, por problemas internos.
“This Comp Kills Fascists, Vol 1” e “Evolution Through Revolution”
Em 2006, a banda finalmente voltou a ativa, marcando seu retorno na coletânea “This Comp Kills Fascists, Vol. 1” (2008), lançada pela Relapse Records, com quatro músicas novas. Inclusive essa coletânea, hoje um item difícil de encontrar. É um atestado de ódio contra o fascismo, com 14 bandas e 51 músicas espremidas em menos de uma hora. Vale muito à pena buscar as bandas presentes no disco.
E no ano seguinte, Brutal Truth lançou seu quarto full lenght, “Evolution Through Revolution” 2009. A primeira faixa do disco, “Sugardaddy”, ganhou um clip que mistura humor com a insanidade musical da banda, seja pela introdução como um filme mudo, até o baterista Hoak fazendo caretas, como se estivesse tendo um derrame.
“End Time”
Dois anos depois, a banda lançou seu último disco de estúdio, “End Time” (2011), seguiu fazendo shows, até que no início de 2014, Lilker decidiu que iria deixar de fazer longas turnês e seguir uma vida mais “normal”.
A banda fez shows até outubro de 2014 (inclusive, nesse mesmo mês, estiveram no Brasil, pela primeira e única vez, no dia 3 de outubro, eu estava lá), encerrando as atividades no dia 18, quando Lilker comemorou 50 anos de idade. Recentemente ele esteve no Brasil, fazendo turnê com o Anthrax, tocando no antigo Summerbreeze, em 2024.
Mesmo com uma discografia um tanto curta, Brutal Truth conseguiu deixar sua marca e legado na música extrema. Seja por todo o aspecto brutal na sua música, suas letras desafiadoras e a irreverência ao vivo, é o tipo de banda que faz ainda mais falta nos dias de hoje, em tempos tão nebulosos. Com Lilker realmente vivendo uma vida mais tradicional, dificilmente a banda verá a luz do dia novamente, mas a esperança é sempre a última que morre.
A última formação da banda se manteve praticamente intacta desde “Need to Control” (1994), com Lilker (baixo), Kevin Sharp (vocal), Richard Hoak (bateria), tendo apenas uma última mudança na guitarra, com Dan O’Hare, que fez os últimos shows da banda entre 2013 e 2014.