Behemoth, Deicide, Nidhogg – Terra SP, São Paulo/SP (28/09/25)

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Behemoth, Deicide, Nidhogg – Terra SP, São Paulo/SP (28/09/25)

Produção: Liberation Music
Assessoria: Tedesco Comunicação & Mídia
Texto e fotos por: Matheus “Mu” Silva

Três anos após sua última visita, e em sua sétima passagem pelo Brasil, os titãs do black metal polonês Behemoth trouxeram ao país a turnê de seu mais recente disco, The Shit Ov God (2025). Com produção da Liberation Music, a “Unholy Trinity Tour” uniu forças com outros nomes de peso do metal extremo mundial, realizando cinco apresentações no Brasil. A última aconteceu neste domingo (28), em São Paulo/SP, com a participação do lendário Deicide e da revelação polonesa Nidhogg.

Abrindo a noite, às 19h, o Nidhogg subiu ao palco. Assim como boa parte do público, eu não sabia o que esperar: a banda não tem álbum lançado, apenas alguns singles. O projeto, liderado por Nidhogg — também fundador da obscura Wilczyca — trouxe um black metal atmosférico, com elementos teatrais e muita energia. O vocalista buscou constantemente interação com a plateia, que respondeu bem. No set, apareceram músicas como “Narcissus”, “Mental Lycanthropy and The Calling of Shadows” e “Transylvania”, além de faixas da ex-banda Wilczyca, como “Wilczyca” e “Horda”. Houve espaço também para covers, incluindo “Wyrocznia” e, para encerrar, “Territory”, do Sepultura. Foi nesse momento que um problema ficou evidente: doente durante a turnê, Nidhogg não conseguiu concluir a canção e deixou que o público cantasse por ele. Visivelmente emocionado, agradeceu o apoio e ainda vestiu uma camisa da Seleção Brasileira em sinal de gratidão. Foi uma apresentação interessante, que deixou a expectativa pelo lançamento de seu primeiro álbum.

Às 20h foi a vez do Deicide. A clássica banda de death metal, formada em 1989, retornou ao Brasil pela sexta vez, trazendo a turnê de Banished by Sin (2024). Glen Benton (baixo e vocal) e Steve Asheim (bateria) seguem firmes no comando da brutalidade. O set começou com o clássico “When Satan Rules His World” (Once Upon the Cross, 1995), mas logo Benton enfrentou problemas técnicos no microfone, obrigando-o a deixar o palco rapidamente. Resolvido o contratempo, a destruição prosseguiu com “Carnage in the Temple of the Damned” (Deicide, 1990). A banda, fiel ao estilo, interagiu pouco e investiu em um set direto, alternando faixas recentes, como “Bury the Cross… With Your Christ” e “Serve the Tongue”, com clássicos esperados pelo público, como “In Hell I Burn” e “Satan Spawn, the Caco-Daemon” (Legion, 1992), além de “Sacrificial Suicide” e “Dead by Dawn” (Deicide, 1990). O auge veio com “Scars of the Crucifix” (2004), recebida com euforia. No entanto, a divisão do público entre pista comum e premium prejudicou a intensidade da apresentação: enquanto na pista comum rodas de mosh explodiam em resposta à brutalidade da banda, na premium a maioria apenas filmava ou tirava fotos, quebrando a energia coletiva. O set, de 55 minutos, foi encerrado com “Homage for Satan” (The Stench of Redemption, 2006). Objetivo e direto, como o Deicide costuma ser.

Às 21h30, chegou o momento mais aguardado: o Behemoth. O show começou com “The Shadow Elite” (The Shit Ov God, 2025), emendada por “Ora Pro Nobis Lucifer” (The Satanist, 2014). A resposta foi imediata e avassaladora, culminando na explosão com “Demigod” (2004), ausente dos setlists brasileiros desde 2012. Nergal, carismático e incansável, conduziu o espetáculo como uma verdadeira força da natureza, interagindo o tempo todo com a plateia. A execução da faixa-título do novo álbum, entoada em coro pelo público, confirmou o clima de comunhão. Na sequência, Nergal declarou que aquele era o maior show que já fizeram no Brasil e, celebrando a evolução de sua base de fãs desde 2004, introduziu mais um hino: “Conquer All” (Demigod, 2004).

A partir daí, a apresentação entrou em sua fase mais teatral, com trocas de figurino, projeções e uma atmosfera cinematográfica. Destaques para “Blow Your Trumpets Gabriel” (The Satanist, 2014), “Ov Fire and the Void” (Evangelion, 2009), “Lvciferaeon” (The Shit Ov God, 2025) e a hipnótica “Bartzabel” (I Love You at Your Darkest, 2018), cantada em uníssono pelo público. Seguiram-se “Wolves ov Siberia”, “Once Upon a Pale Horse” (Opvs Contra Natvram, 2022) e, para delírio dos fãs mais antigos, “Christians to the Lions” (Thelema.6, 2000). Antes de executar “Cursed Angel of Doom”, da demo Endless Damnation (1992), Nergal perguntou quem havia nascido após 1991, arrancando risos e aplausos. O set principal foi fechado com “Chant for Ezkaton 2000” (Satanica, 1999), incluindo o tradicional momento de cuspir sangue na grade.

No bis, a banda retornou para a imponente “O Father O Satan O Sun!” (The Satanist, 2014), encerrando o espetáculo de 75 minutos de forma apoteótica.

O evento deixou impressões variadas. O Nidhogg, ainda iniciante, mostrou potencial apesar das dificuldades. O Deicide, fiel às raízes, entregou brutalidade e clássicos, mas de forma protocolar. Já o Behemoth, em um show grandioso, apostou majoritariamente em sua fase mais recente, o que agradou fãs da era moderna mas frustrou parte do público que esperava mais clássicos antigos. Ainda assim, foi uma noite memorável, marcada pela força do metal extremo e pela energia dos presentes. Pena apenas o excesso de celulares erguidos, que roubam parte da experiência. Como diria Bruce Dickinson: é preciso viver mais o momento e registrar menos.

Nota do Redator-Chefe, Johnny Z.: Obrigado, Liberation, por não credenciar o Metal Na Lata nos seus eventos (seis no último ano). Uma logística de credenciamento errática nos tira a oportunidade de realizar um bom trabalho pelos meios corretos e decentes — uma via de mão dupla, na qual sempre colaboramos com a divulgação dos eventos. Enquanto “influencers” que só produzem conteúdo para entrar de graça e conseguir engajamento, gritando e fazendo escândalo nos shows, são credenciados, profissionais sérios ficam de fora. Mas o nosso dever conosco mesmos, esse, ninguém tira. Não entendemos com uma das maiores e melhores produtoras do Brasil ainda age dessa forma. Se a produtora rever esse posicionamento injusto, estaremos sempre de portas abertas. Enquanto isso, as portas permanecerão fechadas para toda e qualquer divulgação em nossos canais/site — mas o direito de irmos com o nosso dinheiro, esse ninguém nos tirará.

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