The Sisters of Mercy – Tokio Marine, São Paulo/SP (26/09/2025)

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The Sisters of Mercy – Tokio Marine, São Paulo/SP (26/09/2025)

Produção/Assessoria: Top Link Music
Abertura: 3 Pipe Problem

Texto por Ana Clara Salles
Fotos por Rogério Talarico/Top Link Music

O ano era 2012 e esta que vos escreve foi cobrir o show do Sisters of Mercy no saudoso Via Funchal. Não era a minha primeira vez, então eu já sabia que a banda não era lá aquelas coisas ao vivo. Mas o que presenciei naquele 10 de março de 2012 foi sofrível, para dizer o mínimo. O som estava tão ruim que, em vários momentos, era difícil identificar qual música estava sendo tocada.

Prometi a mim mesma que nunca mais passaria por essa experiência. Afinal, a banda sempre soou muito bem nos discos, e eu carregava uma memória afetiva com eles — especialmente com as sensações que “Walk Away” me causou quando a ouvi pela primeira vez.

E eis que, 13 anos depois, lá fui eu novamente, incumbida de escrever sobre mais uma apresentação da banda em São Paulo. Seria esse show o suficiente para apagar aquela experiência levemente traumática?
Spoiler: não foi.

Mas antes, precisamos falar da banda de abertura, 3 Pipe Problem. Não tive tempo de conferir o som deles com antecedência, mas foi uma grata surpresa conhecê-los ao vivo. Mesclando classic rock com prog e pitadas dos anos 80, os brasileiros animaram o público que já lotava a casa e cantou em uníssono o cover de “Say a Prayer”. É como eu sempre digo: sempre bom ver banda nacional fazendo som de qualidade e ajudando a fortalecer a cena.

Agora sim, aviso de review sincerona e sem clubismo. Às 22h em ponto as luzes se apagam, o palco se enche de fumaça e o Sisters entra em cena atacando “Don’t Drive on Ice”. E já começa estranho: a banda opta por abrir o show com uma música de outro compositor — Tobias Forsner, músico sueco que basicamente faz um som idêntico ao Sisters.

Esse padrão se repetiu ao longo da apresentação, resultando em um setlist fraco que priorizou músicas da fase mais recente e de “Vision Thing” — na minha opinião, o disco mais “mais ou menos” da banda. Uma pena, porque o público estava sedento pelos grandes clássicos. Ficava evidente a mudança de comportamento da plateia quando o Sisters tocava algo como “Don’t Drive on Ice” ou “Eyes of Caligula” — faixas da própria banda, que Tobias Forsner apenas costumava interpretar em seus projetos paralelos — e, em seguida, emendava com “More”.

Andrew não segura mais os vocais e, por diversas vezes, recorre a um gutural que descaracteriza totalmente a aura soturna e misteriosa que sempre foi um dos grandes diferenciais da banda. O destaque do show, no entanto, ficou por conta dos guitarristas Christo e Kai, que performaram muito bem entre si, além da qualidade técnica impecável da banda como um todo.

Músicas como “Detonation Boulevard” e “Doctor Jeep” tiveram o andamento reduzido, enquanto “More” causou verdadeira comoção no público. “Temple of Love” fechou o set principal, um baita som, mas que deixou aquela sensação de que poderia ter sido melhor executada.

Após um breve intervalo, a banda voltou ao palco para o bis com “Never Land” — grande faixa do “Floodland” que não comprometeu ao vivo — seguida de “Lucretia My Reflection” e “This Corrosion”, encerrando a noite. Nem preciso dizer que esses foram, provavelmente, os pontos mais altos da apresentação.

Talvez eu corra o risco de soar como hater, mas não é o caso. A verdade é que o Sisters of Mercy, ao vivo, não compensa. A não ser que você seja muito fã ou nunca tenha assistido a um show deles e queira riscar esse “check” da lista. Caso contrário, melhor curtir os discos em casa ou em alguma pista escura de um bom rolê gótico pela cidade.

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